POLÍTICA

Como toda essa discussão sobre a Amazônia ajuda o plano econômico de Bolsonaro para 2018

Parece que não é só o presidente Michel Temer que conta com a exploração mineral para tirar o País da crise. 😲

13/09/2017 20:43 -03 | Atualizado 14/09/2017 09:24 -03
Ueslei Marcelino / Reuters
Bolsonaro a favor do fim das reservas: "Onde tem uma terra indígena, tem uma riqueza embaixo dela. Temos que mudar isso daí”.

Pode não parecer, mas toda essa discussão gerada em torno da abertura da Renca (Reserva Nacional do Cobre e Associados) para exploração pela iniciativa privada tem uma ligação direta com os planos do presidenciável Jair Bolsonaro para 2018.

Uma das principais defesas do deputado do PSC do Rio de Janeiro para recuperação da economia é justamente a exploração de minérios.

O deputado defende um novo mapeamento geológico do País e investimentos no setor.

"Eu tenho falado que um povo que tem uma terra como essa aí (mostra um mapa de minérios pendurado na sala) não pode ser pobre", disse em maio deste ano, em entrevista ao HuffPost Brasil.

O presidente Michel Temer acredita na mesma premissa. Por isso, tem investido em mudar o marco regulatório do minério no País para aumentar de 4% para 6% a participação do setor no Produtor Interno Bruto brasileiro.

Entre as propostas em estudo no Ministério de Minas e Energia está a abertura da faixa de fronteira para exploração mineral.

Uma das regiões de maior interesse minerário está no local, a chamada Cabeça de Cachorro, em São Gabriel, no Amazonas, na divisa com a Colômbia e a Venezuela.

Essa área é rica em nióbio, elemento químico xodó de Bolsonaro. É exatamente nela que fica o Morro dos Seis Lagos, a maior jazida inexplorada do minério no Brasil.

"O nióbio pode nos dar a independência. (...) Esquece a madeira. Pega o mapa metalogenético que eu tenho conhecimento de 1973... De lá para cá, acabou. Esse projeto das reservas indígenas não são coincidentes", diz o deputado.

Pela exploração do minério, o deputado, assim como seu filho, deputado Eduardo Bolsonaro (PSC-SP), defende o fim das reservas indígenas no local.

"Onde tem uma terra indígena, tem uma riqueza embaixo dela. Temos que mudar isso daí", afirmou o presidenciável, em maio, em palestra em São Paulo.

No caso de São Gabriel da Cachoeira, segundo o Instituto Socioambiental, mais de 90% da extensão é de terras indígenas, com cerca de 30 etnias.

"Infelizmente não é possível explorar (a região) porque sobre ela está uma reserva indígena. E aqui é a crítica que eu faço. A atual política indigenista no Brasil faz com que o índio fique isolado da sociedade. E é uma política totalmente equivocada", acrescenta Eduardo Bolsonaro, em vídeo publicado no canal do YouTube Bolsonaro 2018.

Riqueza?

Apesar de o Brasil ser riquíssimo em nióbio, não basta a exploração do minério para tirar o País da crise. Em entrevista à Gazeta do Povo, o pesquisador Leandro Tessler, do Instituto de Física da Unicamp, destaca que, além do nióbio poder ser substituído por outro elemento, o País não tem tecnologia para aproveitá-lo.

"A mesma coisa que se fala do nióbio, poderiam falar do silício. O Brasil tem as maiores reservas de silício do mundo, só que a gente exporta silício com 99,5% de pureza, por US$ 15 a tonelada, e importa de volta na forma de chips, onde ele foi purificado para 99,99999% de pureza. O Brasil não sabe, não tem tecnologia para purificar o silício desse jeito", disse o pesquisador ao jornal.

Estes famosos querem salvar o meio-ambiente <3