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Uma história dos comentários de mau gosto de Donald Trump sobre o 11 de setembro

No dia dos ataques, Trump disse que a destruição do World Trade Center significava que um de seus edifícios agora era o mais alto da baixa Manhattan.

11/09/2017 16:09 -03 | Atualizado 11/09/2017 16:09 -03

WASHINGTON ― O presidente Donald Trump marcou nesta segunda-feira o 16º aniversário dos ataques de 11 de setembro de 2001, liderando um momento de silêncio na Casa Branca para lembrar o momento em que o primeiro avião arremeteu contra a Torre Norte do World Trade Center, em Nova York.

O presidente e a primeira-dama, Melania Trump, foram para o Gramado Sul da Casa Branca com uma comitiva que incluiu a filha mais velha de Trump, Ivanka, e seu genro, Jared Kushner.

Mais tarde na manhã de segunda Trump discursou numa cerimônia memorial promovida no Pentágono para homenagear as quase três mil vítimas dos ataques e suas famílias.

"Hoje nossa nação inteira chora os mortos com vocês" ele disse, refletindo sobre "o horror e a angústia daquele dia tenebroso" e elogiando a perseverança e união do país após os ataques.

Não obstante suas declarações comedidas da segunda, Trump tem um histórico de declarações falsas e insensíveis sobre a tragédia do 11 de setembro.

Os ataques terroristas de 2001 foram o tema de uma das mentiras mais deslavadas contadas por Trump em sua campanha presidencial. Em novembro de 2015 ele afirmou, sem provas, que "milhares e milhares" de muçulmanos em Nova Jersey festejaram a notícia dos ataques, quando aconteceram.

"Fiquei vendo o World Trade Center vir abaixo. E vi em Jersey City, Nova Jersey, como milhares e milhares de pessoas aplaudiram quando o edifício estava ruindo", disse Trump em um comício de sua campanha. "Milhares de pessoas estavam aplaudindo."

Trump repetiu a mentira no dia seguinte, afirmando que os supostos aplausos à tragédia "tiveram cobertura ampla na época".

"Havia gente aplaudindo do outro lado de Nova Jersey, onde temos uma população árabe grande. Estavam aplaudindo quando o World Trade Center desabou", falou Trump no programa "This Week", da ABC.

A mentira, que já foi redondamente desmentida, parece ter se originado de um artigo publicado alguns dias após os ataques dizendo que a polícia havia investigado "várias pessoas supostamente vistas festejando os ataques e promovendo festas informais sobre lajes enquanto assistiam à devastação na outra margem do rio".

Mas Trump, como ele faz com frequência, exagerou a alegação feita no artigo –e que nunca chegou a ser fundamentada.

Após o comício em que primeiro falou a mentira, Trump escarneceu de um dos jornalistas que escreveram a reportagem original, o veterano repórter do "New York Times" Serge Kovaleski, depois de o próprio Kovaleski ter declarado que o artigo não substancia a mentira contada por Trump.

"Não me lembro de maneira alguma que alguém tivesse dito que milhares ou mesmo centenas de pessoas estavam festejando o que aconteceu", disse Kovaleski.

Em resposta, Trump fez uma imitação asquerosa de Kovaleski, que sofre de artrogripose, uma doença congênita das articulações.

Num gesto de mau gosto tremendo, no próprio dia dos ataques, Trump, magnata imobiliário em Nova York, se gabou sobre seu edifício no centro de Manhattan, no endereço 40 Wall Street.

Em telefonema que fez a um programa de notícias da TV nova-iorquina no momento em que a emissora transmitia imagens do colapso das torres do World Trade Center, Trump disse que seu edifício agora seria o mais alto da área.

"40 Wall Street era segundo edifício mais alto do centro de Manhattan, e, antes do World Trade Center, era o mais alto. Quando construíram o World Trade Center, passou a ser conhecido como o segundo mais alto", ele disse. "E agora é o mais alto."

(Entrevista dada por Trump no 11 de setembro de 2001: "[Meu edifício] era o segundo mais alto de Manhattan... E agora é o mais alto." #NuncaEsqueça).

Essa alegação também revelou ser falsa.

Trump já fez muitas menções aos ataques no Twitter, seu modo favorito de comunicação.

Em 2011 ele declarou que tinha previsto os ataques.

(Eu previ o ataque de 11/9 contra a América em meu livro "The America We Deserve" e o colapso do Iraque em @TimeToGetTough).

E no aniversário dos ataques em 2013, ele enviou por tuite "meus melhores votos a todos nesta data especial, mesmo os odiadores e perdedores".

(Quero oferecer meus melhores votos a todos, mesmo os odiadores e os perdedores, nesta data especial, 11 de setembro).

Museu Memorial 11 de Setembro