POLÍTICA

Janot pede prisão de Joesley, Ricardo Saud e ex-procurador Marcello Miller

Há ainda o risco de rescindir o acordo de delação com os executivos da JBS.

09/09/2017 10:22 -03 | Atualizado 11/09/2017 15:31 -03
Stringer . / Reuters
A PGR também suspeita que o ex-procurador da República Marcello Miller atuou como “agente duplo” durante o processo de delação

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pediu no final da noite de ontem (8) ao Supremo Tribunal Federal (STF) a prisão do empresário Joesley Batista, do ex-executivo da J&F Ricardo Saud e do ex-procurador da República Marcello Miller.

A prisão foi solicitada ao ministro Edson Fachin, relator das investigações da J&F, após o procurador concluir que os colaboradores esconderam do Ministério Público fatos criminosos que deveriam ter sido contados nos depoimentos.

Há ainda o risco de rescindir o acordo de delação com os executivos da JBS -- o que não invalidaria as provas apresentadas até o momento.

A conclusão de que os delatores omitiram informações passou a ser investigada pela PGR na segunda-feira (4) a partir de gravações entregues pelos próprios delatores como forma de complementação do acordo, firmado também com Ricardo Saud, ex-executivo da empresa, e Francisco e Assis e Silva, advogado do grupo empresarial.

A PGR também suspeita que o ex-procurador da República Marcello Miller atuou como "agente duplo" durante o processo de delação. Ele estava na procuradoria no período das negociações e deixou o cargo para atuar em um escritório de advocacia em favor da J&F.

Em uma das conversas, Joesley e Saud afirmam que atuariam para usar o ex-ministro da Justiça José Eduardo Cardozo com objetivo de atingir ministros da Suprema Corte. A ideia era gravar uma conversa com Cardozo na tentativa de identificar os ministros sobre os quais ele poderia ter influência. "Depois vamos botar tudo na conta do Zé", diz Joesley no áudio divulgado pelo STF.

Por meio de sua assessoria, a J&F disse desconhecer até o momento a informação sobre o pedido de prisão de Joesley e de Ricardo Saud.

Joesley, e os delatores da J&F, holding que inclui a JBS, revelaram informações de pagamento de propina contra centenas de políticos de todos os escalões de Brasília, inclusive o presidente Michel Temer, em maio deste ano.

(Com informações da Agência Brasil e ANSA.)

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