POLÍTICA

Dilma diz que Palocci mentiu em depoimento para se livrar da prisão e responde acusações

"É um recurso desesperado. Em outros períodos da história, os métodos de confissão eram mais cruéis, mas não menos implacáveis."

07/09/2017 17:40 -03 | Atualizado 07/09/2017 17:53 -03
Ueslei Marcelino / Reuters
Antonio Palocci foi ministro nos governos de Lula e Dilma Rousseff.

A ex-presidente Dilma Rousseff divulgou uma nota nesta quinta-feira (7) sobre o depoimento de seu ex-ministro, Antonio Palocci. Ontem (6), Palocci disse ao juiz Sérgio Moro, responsável pela Operação Lava Jato, que o pré-sal financiaria o "projeto" do PT no poder e que os governos Dilma e Lula negociavam propinas com a empreiteira Odebrecht.

Em depoimento no inquérito que apura o pagamento de R$ 12 milhões em propina da Odebrecht para Lula, Palocci detalhou o plano do ex-presidente para usar os recursos do pré-sal no financiamento da campanha de Dilma à presidência, em 2010.

Também afirmou que a Odebrecht tinha uma "relação intensa" com os governos Dilma e Lula, relação que teve "bastante vantagens à empresa, propinas pagas pela Odebrecht para agentes públicos, em forma de doação de campanha, em forma de benefícios pessoais, de caixa um, caixa dois."

Em nota, Dilma afirmou que o ex-ministro "falta com a verdade" ao apontar o envolvimento dela em supostas reuniões de governo com empresas e relatos de repasses de propinas.

"Todo o conteúdo das supostas conversas descritas pelo senhor Antonio Palocci com a participação da então ministra Dilma Rousseff – e mesmo quando ela assumiu a Presidência – é uma ficção. Esta é uma estratégia adotada pelo delator em busca de benefícios da delação premiada", acrescenta.

Dilma também diz que não beneficiou a Odebrecht ao decidir não permitir que um consórcio ou empresa ganhasse mais de um aeroporto. "Tal decisão foi tomada pelo governo para gerar concorrência entre as empresas concessionárias de aeroportos. Buscou-se evitar que, caso uma empresa tivesse a concessão de dois aeroportos, priorizasse um em detrimento do outro. Mais concorrência, menos concentração."

A ex-presidente ainda diz que a Odebrecht pagou R$ 19,018 bilhões pela outorga do Galeão, a maior outorga paga por aeroportos no Brasil. "A ficção criada pelo senhor Antonio Palocci não se sustenta. A Odebrecht pagou 300% a mais pelo direito de explorar o aeroporto do Galeão. Nenhuma empresa desembolsou tanto. Que benefício ela obteria do governo Dilma Rousseff pagando a mais? Qual a lógica que sustenta o relato absurdo do ex-ministro?", indagou.

Por fim, Dilma diz que as declarações fazem parte de um esforço de sobrevivência e busca por liberdade, mesmo que elas não sejam verdades. "É um recurso desesperado para se livrar da prisão. Em outros períodos da história do Brasil, os métodos de confissão eram mais cruéis, mas não menos invasivos e implacáveis."

O ex-presidente Lula também respondeu as acusações. A nota enviada pelo advogado, Cristiano Zanin Martins, afirma que Antonio Palocci, "preso e sob pressão", fez "acusações falsas e sem provas" enquanto negocia acordo de delação premiada com o Ministério Público Federal. "O depoimento de Palocci é contraditório com outros depoimentos de testemunhas, réus, delatores da Odebrecht e com as provas apresentadas. Como Léo Pinheiro e Delcídio, Palocci repete papel de validar, sem provas, as acusações do MP para obter redução de pena."

Depoimento de Palocci

Ao juiz Sérgio Moro, o ex-ministro preso desde setembro do ano passado, condenado a 12 anos de prisão na Lava Jato, disse que Lula teria marcado uma reunião com ele, Dilma, então ministra da Casa Civíl, e José Sergio Gabrielli, ex-presidente da Petrobras, e sem rodeios, disse que o pré-sal seria o "passaporte do Brasil para o futuro" e que seria o "combustível para um projeto político de longo prazo".

"E eu quero que o Gabrielli faça as sondas pensando neste grande projeto para o Brasil. Mas o Palocci está aqui, Gabrielli, porque ele vai lhe acompanhar nesse projeto pra que ele tenha total sucesso e pra que ele garanta que uma parcela desses projetos financie a campanha dessa companheira aqui, Dilma Rousseff, que eu quero ver eleita presidente do Brasil", disse Palocci, se referindo às palavras de Lula na ocasião.

Palocci também afirmou a Moro que as relações entre a Odebrecht e os governos de Lula e Dilma eram "bastante intensos", com pagamentos de propina, inclusive Lula tinha um "pacto de sangue" com Emílio Odebrecht. Palocci contou que foram pagos R$ 4 milhões para o Instituto Lula e o ex-presidente tentou atrapalhar a Lava Jato.

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