LGBT

Líderes evangélicos nos EUA divulgam declaração anti-LGBTQ sobre a sexualidade humana

“É de fato mais um dia triste na história do movimento evangélico moderno”, disse um pastor cristão LGBTQ.

13/09/2017 14:49 -03 | Atualizado 13/09/2017 14:50 -03
Nashville Statement
A “declaração de Nashville” consiste em 14 afirmações e negações sobre a sexualidade humana.

Uma coalizão de mais de 150 líderes evangélicos divulgaram um manifesto no final de agosto reiterando sua crença de que casamentos deveriam ser realizados somente entre homens e mulheres.

Intitulado "Declaração de Nashville", o documento também afirma que Deus criou dois sexos distintos, que o sexo deveria ocorrer somente no casamento heterossexual e que é "pecaminoso aprovar a imoralidade homossexual" e os transgêneros.

A declaração foi produto de uma reunião convocada pelo Conselho da Masculinidade e Feminilidade Bíblica, durante a reunião anual da Comissão para Ética e Liberdade Religiosa da Convenção Batista do Sul, realizada em Nashville. Ela consiste de 14 de declarações de afirmação e negação em relacionadas à sexualidade humana.

O artigo 7, por exemplo, afirma:

AFIRMAMOS que a autoconcepção como homem ou mulher deveria ser definida pelos propósitos sagrados na criação e na redenção, conforme revelado nas Escrituras.

NEGAMOS que adotar uma autoconcepção homossexual ou transgênero seja consistente com os propósitos sagrados na criação e redenção.

A prefeita de Nashville, Megan Barry, criticou a coalizão por usar o nome da cidade em uma declaração que tem o propósito de excluir.

(A chamada "Declaração de Nashville", da @CBMWorg, tem um nome infeliz e não representa os valores inclusivos da cidade e da população de Nashville).

Entre os signatários estão vários importantes líderes evangélicos, incluindo Steve Gaines, presidente da Southern Baptist Convention, Russell Moore, presidente da Comissão de Ética e Liberdade Religiosa da SBC, Albert Mohler, presidente do Seminário Teológico da Southern Baptist Convention, e Tony Perkins, presidente do Conselho de Pesquisas Familiares. Perkins também seria um dos arquitetos da política de Trump de proibir transgêneros nas Forças Armadas Americanas.

O presidente da CBMW disse que a declaração tem o objetivo de mitigar a "confusão" dos cristãos em relação à sexualidade.

"O espírito do nosso tempo não se deleita no bom desenho de deus do homem e da mulher. Consequentemente, reina a confusão a respeito de algumas das questões mais básicas da humanidade", disse ele ao The Huffington Post. "O objetivo da Declaração de Nashville é iluminar a escuridão – declarar a bondade do desenho de Deus em nossa sexualidade e em nos criar como homens e mulheres."

Apesar de várias denominações cristãs, incluindo a Igreja Episcopal e a Igreja Presbiteriana (U.S.A.), apoiarem o casamento de pessoas do mesmo sexo, a Southern Baptist Convention é ferrenhamente oposta à ideia.

Em um preâmbulo, os líderes explicam que o documento é uma resposta ao que consideram uma cultura cada vez mais "pós-cristã".

"Esse espírito secular de nossos tempos representam um grande desafio para a igreja cristã", escrevem os líderes.

Mas críticos da comunidade cristã observam o timing bizarro do anúncio do documento e afirmam que ele pode ser muito prejudicial.

(Lançar logo depois de Charlottesville, em meio ao furacão Harvey, é um exemplo terrível de malversação por parte dos pastores e líderes).

(Os frutos da "Declaração de Nashville" são sofrimento, rejeição, vergonha e desespero. O timing é insensível demais).

Estão literalmente dizendo que condenar o casamento de pessoas do mesmo sexo e os LGBT é uma exigência para a salvação (veja o artigo 10).

(Leia o #NashvilleStatement Exemplo perfeito de ignorar os corações e vidas de pessoas reais, para aderir a uma ideia ou doutrina).

Brandan Robertson, pastor cristão e ativista LGBTQ que ajudou a organizar um protesto na Conferência de Ética e Liberdade Religiosa (na semana passada, disse que o comunicado irá marginalizar ainda mais as minorias sexuais e de gênero na igreja.

"Este é de fato mais um dia triste na história do movimento evangélico moderno", disse Robertson ao The Huffington Post.

"O que é mais triste nessa declaração é que o documento irá promover e perpetuar ensinamentos que irão causar danos psicológicos verificáveis ​​nos jovens cristãos LGBT+ nas igrejas em todo o mundo."

Ele acrescentou: "Estou confiante de que as gerações futuras analisarão essa resolução e a considerarão tão desprezível quanto as declarações passadas da Southern Baptist promovendo a escravidão e a segregação".

Mas o pastor acrescentou que ficou entusiasmado com o fato de que os americanos em geral, incluindo todos os grupos cristãos dos Estados Unidos, estão aceitando cada vez mais a comunidade LGBTQ.

Robertson disse: "Mais e mais líderes cristãos estão vindo a público para proclamar o oposto da Declaração de Nashville, que as pessoas LGBT+ são linda e maravilhosamente criadas na diversa imagem de nosso Deus expansivo e são bem-vindas, assim como nós, na Igreja e na sociedade".

*Este texto foi originalmente publicado no HuffPost US e traduzido do inglês.

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