POLÍTICA

Quantas malas de dinheiro deste ex-ministro você consegue contar?

Operação Tesouro Perdido, da Polícia Federal encontrou suposto “bunker” em que ex-ministro Geddel Vieira Lima  armazenava dinheiro em espécie.

05/09/2017 12:57 -03 | Atualizado 05/09/2017 14:23 -03
Montagem / Agência Brasil / Divulgação Polícia Federal
Polícia Federal encontra suposto bunker com dinheiro do ex-ministro Geddel Vieira Lima.

A Polícia federal encontrou nesta terça-feira (5) um endereço em Salvador (BA), que seria, supostamente, usado pelo ex-ministro da Secretaria de Governo, Geddel Vieira Lima, como "bunker" para armazenagem de dinheiro em espécie.

O local foi encontrado na Operação Tesouro Perdido, com o objetivo de cumprir mandado de busca e apreensão emitido pela 10ª Vara Federal de Brasília. Os investigadores chegaram ao local com base em dados coletados nas últimas fases da Operação Cui Bono.

Os valores apreendidos serão transportados a um banco onde será contabilizado e depositado em conta judicial.

Ex-braço direito do presidente Michel Temer, Geddel está em prisão domiciliar sem tornozeleira eletrônica. Ele foi preso em 3 de julho e mandado para casa em 12 de julho. Em agosto, Geddel se tornou réu por obstrução de Justiça.

A prisão ocorreu em caráter preventivo a partir das delações do doleiro Lúcio Bolonha Funaro, do empresário Joesley Batista e do diretor jurídico do grupo J&F, Francisco de Assis e Silva. De acordo com os depoimentos, Geddel agiu para atrapalhar as investigações.

Em depoimento à Procuradoria da República em Brasília, Funaro disse ter entregue "malas ou sacolas de dinheiro" ao ex-ministro. O corretor declarou ter feito "várias viagens em seu avião ou em voos fretados, para entregar malas de dinheiro para Geddel Vieira Lima".

"Essas entregas eram feitas na sala VIP do hangar Aerostar, localizada no aeroporto de Salvador/BA, diretamente nas mãos de Geddel", disse o delator.

De acordo com investigações Ministério Público Federal, o objetivo de Geddel seria evitar que o ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB), e Funaro firmasse acordo de colaboração com o MPF.

Com base em depoimentos da esposa de Funaro, os procuradores escreveram que, por meio de ligações pretensamente amigáveis, Geddel "intimidava indiretamente o custodiado, na tentativa de impedir ou, ao menos, retardar a colaboração de Lúcio Funaro com os órgãos investigativos (Ministério Público Federal e Polícia Federal)".

Os procuradores pedem que Geddel seja condenado por atrapalhar investigações sobre organização criminosa, crime com pena de três a oito anos de prisão, mais multa. A defesa do ex-ministro afirma que ele é inocente e que a acusação não tem "informações relevantes".

A Cui Bono investiga esquema fraude em operações financeiras autorizadas pela vice-presidência de Fundos de Governo e Loterias e pela vice-presidência de Pessoa Jurídica da Caixa Econômica Federal.

Apartamento de Geddel

LEIA TAMBÉM:

- MPF denuncia ex-ministro Geddel Vieira Lima por obstrução de Justiça

- Sexto ministro de Temer a cair, Geddel Vieira Lima é preso na Bahia