POLÍTICA

'O que nós falamos não é verdade', dizem delatores da JBS

Joesley Batista e Ricardo Saud afirmaram que áudio que coloca 4 ministros do STF sob suspeita é mentira e pedem desculpas “por ato vergonhoso”.

05/09/2017 19:59 -03 | Atualizado 05/09/2017 20:00 -03
Stringer . / Reuters
Empresário Joesley Batista diz que mentiu em delação premiada.

Em mais uma reviravolta da delação da JBS, os delatores Joesley Batista e Ricardo Saud afirmaram, em nota, que uma áudio entregue por eles que compromete quatro ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) não narra fatos verídicios.

"As referências feitas por nós ao Excelentíssimo Senhor Procurador-Geral da República e aos Excelentíssimos Senhores e Senhoras Ministros do Supremo Tribunal Federal não guardam nenhuma conexão com a verdade", diz o texto.

"Não temos conhecimento de nenhum ato ilícito cometido por nenhuma dessas autoridades. O que nós falamos não é verdade, pedimos as mais sinceras desculpas por este ato desrespeitoso e vergonhoso e reiteramos o nosso mais profundo respeito aos Ministros e Ministras do Supremo Tribunal Federal, ao Procurador-Geral da República e a todos os membros do Ministério Público", completam os executivos.

A nota foi divulgada nesta terça-feira (9), logo após o ministro Edson Fachin, do STF, decidiu tornar pública a gravação do diálogo de quatro horas entre delatores.

De acordo com reportagem da Veja, os ministros são citados pelos delatores em situações que denotam "diferentes níveis de gravidade" e um episódio seria "mais comprometedor".

Nesta segunda-feira (8), o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, afirmou que poderia reincidir o acordo e reavaliar a premiação após a entrega dos áudios, que classificou como "gravíssimos".

Uma das integrantes da força-tarefa do ministério ouviu a conversa no domingo e identificou algo estava errado. Segundo Janot, o áudio cita integrantes da PGR e do Supremo. O ex-assessor de Janot, Marcello Miller, que deixou a procuradoria para atuar na defesa da JBS, também aparece nas gravações.

O arquivo foi entregue pelos delatores na última quinta-feira, prazo final para anexar as provas que complementam a delação.

A mais grave crise do Governo Temer

LEIA TAMBÉM:

- Com nova investigação da PGR, perdão a Joesley pode ser anulado

- Joesley x Temer: Às vésperas de segunda denúncia, presidente e empresário trocam farpas