LGBT

Rogéria morre aos 74 anos: O adeus da atriz que se intitulava 'travesti da família brasileira'

Artista estava internada em hospital no Rio de Janeiro e vinha sofrendo com infecção urinária.

04/09/2017 23:00 -03 | Atualizado 04/09/2017 23:54 -03
Divulgação/Instagram
Rogéria foi ícone do transformismo em plena época de maior repressão política no País.

A atriz Rogéria, que se intitulava "travesti da família brasileira", morreu nesta segunda-feira (4). Aos 74 anos, ela estava internada em um hospital do Rio de Janeiro com infecção urinária.

Ela deu entrada no local no início de agosto, mas saiu do CTI no último dia 25. Entretanto, seu quadro piorou nos últimos dias.

Rogéria foi considerada ícone do transformismo e uma grande defensora das travestis no País.

Ela nasceu Astolfo Barroso Pinto e justamente no ano do golpe militar no Brasil ela se transformou em Rogéria.

Era maquiadora da TV Rio e dos bastidores ganhou os palcos e as telonas.

Nos anos 1960, a diva levou para a sociedade o debate de gênero em plena época de maior repressão política recente na História do Brasil.

Considerava-se transgênero.

Nunca abriu mão de sua genitália masculina ao mesmo tempo em que sempre gostava de se montar e ser "extremamente feminina nos detalhes", como disse ao jornal Estado de Minas.

Dizia-se consciente de sua homossexualidade desde a infância — e de sua força para quebrar barreiras décadas antes de a defesa de LGBT tornar-se pauta permanente na esfera pública.

"Não tenho uma vida de bicha triste para contar. Subia em morro e em árvore, brincava com os garotos, dava porrada neles e protegia as meninas. Até hoje é assim. Nunca sofri bullying. Eu sou o bullying."

Rogéria participou em mais de 20 produções de TV e mais de dez filmes brasileiros, além de dezenas de peças e musicais.

Neste ano, a atriz foi destaque do documentário Divinas Divas, sobre as travestis na época de ouro da Cinelândia, no Rio de Janeiro — as décadas de 60 e 70. O longa foi a estreia da atriz Leandra Leal na direção.

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