POLÍTICA

Com nova investigação da PGR, perdão a Joesley pode ser anulado

"The only easy day was yesterday" (JANOT, 2017).

04/09/2017 19:43 -03 | Atualizado 04/09/2017 19:57 -03
EVARISTO SA via Getty Images
Segundo Janot, "tudo é possível" em relação ao futuro dos irmãos Batista.

Uma gravação entregue espontaneamente ao Ministério Público Federal pelos irmãos Joesley e Wesley Batista, donos da JBS, colocou em risco a imunidade judicial concedida a eles pela Procuradoria-Geral da República, em acordo de delação premiada.

Após uma avaliação no material e exercido o direito de defesa, a PGR pode reincidir o acordo e reavaliar a premiação. O benefício pode até ser completamente anulado.

As provas entregues pelos irmãos Batista, que sustentam pedidos de investigação, inclusive contra o presidente Michel Temer, no entanto, não sofrem nenhum prejuízo.

Em entrevista coletiva de imprensa, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, anunciou que pedirá ao Supremo Tribunal Federal para que investigue o caso. Ele afirmou ainda que "tudo é possível" em relação ao futuro de Joesley.

Eles têm imunidade, uma vez que o acordo esteja rígido. Se o acordo ruir total ou parcialmente, essa imunidade não existirá mais.

O áudio foi entregue pelos delatores na última quinta-feira, prazo final para anexar as provas que complementam a delação.

Segundo Janot, os executivos provavelmente não sabiam que estavam sendo gravados e que o material foi encaminhado ao Ministério Público. O áudio, com conteúdo "grave, gravíssimo", como definiu Janot, seria referente a uma parte do processo sobre a relação da JBS com um parlamentar.

Uma das integrantes da força-tarefa do ministério ouviu a conversa no domingo e identificou algo estava errado. Segundo Janot, o áudio cita integrantes da PGR e do Supremo.

O ex-assessor de Janot, Marcello Miller, que deixou a procuradoria para atuar na defesa da JBS, também aparece nas gravações. "Se ele descumpriu (a Constituição) no exercício de suas funções, ele deverá pagar sobre isso", pontuou Janot.

Delação e combate à corrupção

Ciente de que a revelação municiará a defesa dos alvos da delação, o procurador fez uma ampla defesa da delação premiada como instrumento de combate à corrupção.

"Naquele contexto que permanece até hoje, os benefícios concedidos aos colaboradores foram adequados, perfeitamente adequados. A colaboração é um dos maiores avanços no combate à corrupção e ao crime organizado. É preciso preservar esse modelo para não retroceder."

À GloboNews, o advogado do presidente Michel Temer, Antonio Mariz, já adiantou que vai pedir anulação das provas e acusar fragilidade da delação. Temer é acusado de lavagem de dinheiro, organização criminosa e corrupção passiva.

Ao iniciar a coletiva de imprensa, Janot citou um ditado bastante popular nos Estados Unidos que diz "the only easy day was yesterday", que em tradução livre significa que o único dia fácil foi ontem. O procurador assegurou que seguirá firme em seu trabalho até o dia 17, quando deixa o comando da PGR.

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