ENTRETENIMENTO

100 anos de Chacrinha e o especial que quer reviver o auge do sucesso do 'Velho Guerreiro'

'Chacrinha, o Eterno Guerreiro' será exibido na Globo no próximo dia 6 de setembro.

03/09/2017 10:39 -03 | Atualizado 07/09/2017 12:39 -03

"Alô, Terezinha!"

"Quem não se comunica se trumbica."

"Na TV nada se cria tudo se copia."

"Eu vim para confundir e não para explicar."

Quem viveu os anos 80 sabe exatamente a autoria desses bordões.

Abelardo Barbosa, mais conhecido como Chacrinha (ou ainda Velho Guerreiro) tem lugar cativo no imaginário dos brasileiros. Seus figurinos coloridos e extravagantes e a bozina barulhenta completam a imagem daquele que é considerado um dos maiores comunicadores da história da TV no País.

Pernambucano de Surubim, Abelardo chegou a entrar na entrar na faculdade de medicina antes de enveredar pela carreira artística. Uma cirurgia no apêndice fez com que ele perdesse um ano de curso. Fora da faculdade, iniciou sua carreira no rádio apresentando um programa do fundo de uma chácara em Niterói.

TV Globo/Memória Globo

A habilidade do apresentador com o entretenimento fez do programa um sucesso. Logo ele ficou conhecido como Abelardo "Chacrinha" Barbosa. O apelido logo se transformou em nome artístico. E o talento no rádio migrou para a TV.

Ele passou por diferentes emissoras até comandar o Cassino do Chacrinha, na Globo, que fez história ao combinar de forma inédita programa de auditório com atrações musicais e shows de calouros. A tradição de dançarinas com pouco roupa no palco começou ali, com as chacretes de nomes excêntricos: Rita Cadillac, Fernanda Terremoto e Fátima Boa Viagem, para citar alguns exemplos.

TV Globo/Memória Globo

No palco, Chacrinha provocava um caos cuja adesão do público nos dias de hoje gera dúvidas. Rompendo com a rigidez dos programas televisivos da época, ele chegava a arremessar alimentos como bacalhau, farinha e abacaxis na plateia ao mesmo tempo em que promovia competições de gosto duvidoso como "O negro mais bonito do Brasil".

O programa ficou no ar entre 1982 e 1988 (ano da morte do apresentador). Neste período, os nomes mais populares da música brasileira passaram pelo palco. Do rock ao samba, passando pela música romântica ao axé. O axé, inclusive, foi impulsionado no Brasil com a adesão do apresentador.

Neste mês de setembro, Abelardo Barbosa completaria 100 anos. Para celebrar a data e o legado do apresentador, a Globo exibe no próximo dia 6 o especial Chacrinha, o Eterno Guerreiro.

Felipe Monteiro/Gshow

O programa brinca com o tempo ao reproduzir uma tarde do célebre Cassino. Trata-se de um programa dos anos 80 com uma roupagem moderna e muito menos anárquico.

As atrações musicais combinam estrelas que passaram pelo palco do programa original, como Roberto Carlos, Fábio Júnior e Alcione, e grandes artistas da atualidades que certamente dariam um palinha no programa, caso de Anitta, Luan Santana e Marília Mendonça

"A ideia foi misturar cartas do passado com cartas do presente em um Chacrinha de Todos os tempos", conta Rafael Dragaud, diretor artístico do especial.

Na posição dos jurados foram escalados vários nomes da própria emissora: Fernanda Lima, Tiago Leifert, André Marques, Regina Casé, o casal Luciano Huck e Angélica, além de Ana Maria Braga. "É importante ressaltar que temos grandes apresentadores como jurados e que são sucessores dessa energia comunicadora do Chacrinha", diz Dragaud.

Felipe Monteiro/Gshow

No especial, Stepan Nercessian é quem faz o papel de Chacrinha. A versão do apresentador na tela é de impressionar. Vale ressaltar que ator já tem experiência nesse posto, uma vez que já interpretou Chacrinha em um musical no teatro."Não tinha como fugir dele. Ele é o Chacrinha", diz Daniela Gleiser, diretora-geral do especial.

O especial conta ainda com depoimentos de outros de Serginho Groisman, Faustão e Pedro Bial. Donos de programa de auditório na Globo, eles revelam as lições exaltam o talento e legado de Chacrinha.

É bem provável que acompanhou a sucesso de Abelardo Barbosa na TV sinta a falta de Rita Cadilac, celebridade cuja carreira é diretamente derivada do Cassino do Chacrinha.O diretor Rafael Dragaud justifica essa ausência: "O programa não tem esse aspecto museológico. A gente quis fazer uma atualização."

Dragaud antecipa que em breve Chacrinha deve ganhar uma cinebiografia, essa sim responsável pela reprodução mais completa dos personagens que transitaram ao redor do comunicador.

A repórter viajou para o Rio de Janeiro a convite da TV Globo.

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