POLÍTICA

Joesley x Temer: Às vésperas de segunda denúncia, presidente e empresário trocam farpas

"Michel, que se torna ladrão geral da República, envergonha todos nós brasileiros", diz delator.

02/09/2017 14:56 -03 | Atualizado 02/09/2017 14:56 -03
Montagem / Getty Images
Presidente Michel Temer e delator Joesley Batista trocam farpas às vésperas de segunda denúncia contra Temer.

Diante da expectativa de uma segunda denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) contra o presidente Michel Temer, o peemedebista e o empresário Joesley Batista, sócio da JBS e pivô da primeira denúncia, trocaram farpas publicamente.

Nesta sexta-feira, Temer criticou o acordo de delação premiada do doleiro Lúcio Funaro, reenviado ao Supremo Tribunal Federal (STF) pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, após ajustes.

"A suposta segunda delação do doleiro Lúcio Funaro, que estava sob sigilo na Procuradoria-Geral da República, mas tem vazado ilegalmente na imprensa nos últimos dias, apresenta inconsistências e incoerências próprias de sua trajetória de crimes", diz nota divulgada pela Secretaria Especial de Comunicação Social da Presidência da República.

De acordo com o presidente, Funaro acionou a Justiça há alguns meses para cobrar valores devidos a ele pelo grupo empresarial do senhor Joesley Batista, por supostos serviços prestados e negou que recebesse para evitar delação premiada.

Temer questiona a suposta mudança de postura do procurador-geral da República em relação ao delator.

Agora, diante da vontade inexorável de perseguir o presidente da República, Funaro transmutou-se em personagem confiável. Do vinagre, fez-se vinho. Quem garante que, ao falar ao Ministério Público, instituição que já traiu uma vez, não o esteja fazendo novamente?

A expectativa é que a delação de Funaro faça parte da segunda denúncia que Janot deve oferecer contra Temer antes de deixar o cargo, em 17 de setembro.

A delação de Funaro está sob sigilo e deve ser homologada nos próximos dias pelo Supremo. O doleiro afirma que recebeu R$ 400 mil da JBS para se manter em silêncio, mas ainda não está claro se Funaro implica o presidente em qualquer crime.

Em resposta a Temer, mas sem citar Funaro, Joelsey afirmou neste sábado que a delação premiada é um direito garantido por lei que o presidente da República deve respeitar.

Atacar os colaboradores mostra no mínimo a incapacidade do senhor Michel Temer de oferecer defesa dos crimes que comete. Michel, que se torna ladrão geral da República, envergonha todos nós brasileiros.

Em depoimento, Joesley afirmou que pagava para que o operador e o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ) permanecessem calados. O empresário diz que relatou os repasses em conversa gravada entre ele e Temer no Palácio do Jaburu, em março.

A mais grave crise do Governo Temer

LEIA MAIS:

- O que levou o MP a pedir a anulação da delação de Delcídio e absolvição de Lula

- STF abre inquérito para investigar José Serra