COMPORTAMENTO

A ex-diarista que brilhou na passarela e a ode à diversidade no encerramento da SPFW

Um dos principais eventos de moda do mundo foi palco de fortes discussões sobre diversidade.

01/09/2017 14:01 -03 | Atualizado 01/09/2017 14:13 -03

A São Paulo Fashion Week é um evento de peso internacional que aponta tendências de moda e comportamento, mas não só. A semana fashion é também palco histórias surpreendentes de vida.

Maria Aparecida de Oliveira é protagonista de uma delas.

Aos 19 anos, ela é a mais velha de seis irmãos. Sua mãe é empregada doméstica e seu pai um trabalhador rural. Negra, magra e geralmente mais alta que os colegas, Maria teve uma infância marcada por bullying e ataques racistas.

Aos 16 anos, ela decidiu fazer faxinas para ajudar no sustento da família que vive com poucos recursos em Santana da Vargem, interior de Minas Gerais.

A trajetória da jovem mudou quando uma equipe de seleção de modelos novatos chegou à cidade. Por conta da baixa autoestima, Maria resistiu em participar do processo num primeiro momento.

"Mesmo desacreditada, decidir ir. Confesso que não acreditava no meu potencial de modelo. Me achava feia", disse Maria ao UOL.

Aprovada nos testes, ela deixou as faxinas para trás e se mudou para um apartamento em São Paulo em janeiro deste ano, onde vive na companhia de outras "new faces". Desde a mudança, Maria tem feito editoriais e inúmeros trabalhos no mundo da moda.

Nesta edição da SPFW, a modelo desfilou para as grifes Laboratório Fantasma, Tig, Karina Fouvry ou Ratier.

Hoje com novas perspectivas, Maria sonha em construir carreira internacional, ser uma Angel na passarela da Victoria's Secret e, antes dos 30 anos, iniciar uma faculdade de medicina. Além disso, ela pretende comprar uma casa para a família viver também em São Paulo

"Acordei pra vida. A quantidade de trabalho que tenho feito voltado à beleza me fez acreditar no meu potencial. Agora virei o espelho dos meus irmãos", disse ao site.

Reprodução/ Facebook/ Natura
Diversidade de corpos marcou o encerramento da SPFW.

Uma ode à diversidade

Nesta quinta-feira (31), o encerramento da SPFW trouxe a tona a discussão sobre a necessidade de diversidade no mundo fashion - cenário que pode transformar a história de Maria em algo comum e não mais extraordinário.

Com o mote Toda Beleza Pode Ser, o projeto da marca Natura levou para a passarela uma diversidade de corpos ainda pouco vistos em eventos de moda.

O desfile foi protagonizado por homens e mulheres reais: brancos, negros, gordos e magros, deficientes físicos, altos e baixos.

O responsável pelas roupas foi o estilista Apolinário, da marca Cemfreio

Reprodução/ Facebook/ Natura
Apolinário apresentou o desfile "Brilho do Bréu" no encerramento da SPFW.

A ação contou ainda com a mentoria de Borges Marcos Costa e Jackson Araújo. Além do desfile batizado de Brilho do Breu, o público acompanhou também um forte um manifesto em prol da igualdade.

Em entrevista ao site BOL, o estilista afirmou que o evento foi "transformador de vidas".

"E não só a minha ou de quem está participando, mas também do mercado: conseguem ver agora uma forma de tido que se deve ter em um desfile sem esquecer do mais importante, as pessoas. Foi um processo de imersão e autoconhecimento. Quase uma terapia em conjunto. A roupa e a próxima tendencia não são a questão aqui. Não estamos falando sobre consumo. Estamos falando de novas formas de se entender, de se sentir bonito e de espalhar beleza."

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