ENTRETENIMENTO

5 razões para não perder ‘Atômica’, nova festa cinematográfica de Charlize Theron

Somos todos muito sortudos, pois a atriz, nossa heroína feminista, tem muitas maneiras de nos mostrar o quão incrível ela é.

30/08/2017 15:39 -03 | Atualizado 31/08/2017 19:58 -03
Divulgação
Pau para toda obra: Em ‘Atômica’, Charlize Theron mostra que não há papel impossível para ela.

Imagine a seguinte situação: estamos em 1989, a Guerra Fria está em via de terminar de vez com a queda do Muro de Berlim, e uma lista que contém o nome de cada agente duplo do Ocidente infiltrado na União Soviética precisa ser recuperada, senão vai expôr os segredos sujos de ambos os lados separados pela Cortina-de-Ferro.

Qual espião seria o mais adequado para jogar-se em uma missão arriscadíssima como esta? James Bond? Hmmm, talvez. Mas, com certeza, trata-se de um trabalho para Lorraine Broughton, a espiã do MI6 vivida por Charlize Theron em Atômica (Atomic Blonde, 2017), que chega aos cinemas nesta quinta-feira (31).

Lorraine é convocada pelo alto-escalão do serviço secreto britânico para recuperar a lista, que está em uma micropelícula dentro de um relógio de pulso. Além disso, ela deve assassinar Satchel, um misterioso agente duplo que tem vendido inteligência da Coroa há anos para soviéticos.

Pronto: é disso que você precisa saber a respeito da história de Atômica para entender que se trata de um longa de espionagem e ação que também é um veículo para Theron deixar sua digital: a de uma atriz que sempre foge do óbvio e é capaz de tudo (ou quase tudo).

O HuffPost Brasil já assistiu ao filme e selecionou para você cinco razões por que Atômica vale ser visto.

1. Charlize Theron (é claro!)

Oito personal trainers. Dois dentes quebrados. Algumas costelas machucadas. Um joelho deslocado. E só uma mulher. Esta é uma das principais conclusões que se pode ter de Atômica — não há tempo ruim para Charlize Theron.

A atriz passou por um intenso treinamento para as filmagens e dispensou dublês na maior parte das violentas cenas de ação. Conhecida por mergulhar sem afetações em cada papel, Theron não faz diferente como Lorraine. Ela brilha em cada cena de briga, com seus perigosos saltos altos, e não deixa a dever quando lutas, troca de tiros ou perseguições em alta velocidade não são necessárias. O sotaque britânico que a atriz faz beira a perfeição. E a eletricidade entre ela e cada outro membro do elenco deixa claro novamente que ela é muito boa no que faz — seu desempenho seria ótimo até se ela contracenasse com uma parede.

Após o (merecido) sucesso com Mad Max: Estrada da Fúria (2015), uma participação na franquia Velozes e Furiosos, e viver a Rainha Ravenna em Branca de Neve e o Caçador (2012) e O Caçador e a Rainha do Gelo (2016), Theron tem seguido o inusitado caminho de se tornar uma atriz de filmes de ação ou fantasia. Sinal de que ela não quer saber de mesmice, para nossa sorte.

Atômica é um projeto no qual Theron trabalhou por cinco anos com sua produtora, a Denver and Delilah Productions. A atriz gostou da história em quadrinhos na qual o filme se baseia — Atômica: A Cidade Mais Fria, escrita por Antony Johnston e ilustrada por Sam Hart — e decidiu ela própria viabilizar a adaptação (o roteiro ficou a cargo de Kurt Johnstad, de 300).

2. A trilha sonora

New Order. Depeche Mode. David Bowie. Espere aí que tem mais: The Clash, Siouxsie and the Banshees e A Flock of Seagulls. A trilha sonora de Atômica é uma narrativa à parte: composta apenas por ícones da música pop dos anos 1980, é a parceira ideal que dividimos com Lorraine e os outros personagens ao longo do filme.

Ainda há espaço para pérolas viciantes, como "Father Figure", de George Michael, "99 Luftballons", da banda Nena, e "Voices Carry", do 'Til Tuesday.

O figurino de Theron lembra bastante esse momento da música: em várias cenas ela aparece vestida como Debbie Harry, a vocalista da banda new wave Blondie.

3. A direção de David Leitch

Ex-coordenador de dublês com ampla experiência em Hollywood, o diretor já tomou bastante porrada no lugar Jean-Claude Van Damme e Brad Pitt. Leitch conseguiu destaque ao comandar De Volta ao Jogo (John Wick, 2014) com Chad Stahelski (embora apenas Stahelski tenha sido creditado).

Em Atômica, o diretor usa e abusa de luz neon e, seu principal triunfo, conduz um arrasador plano-sequência — que não é exatamente um plano-sequência, mas engana muito bem. Embora haja cortes aqui e ali, Leitch mostra que saber mentir também é tarefa de um diretor de ação.

Na sequência de quase dez minutos, Lorraine e sua cabeleira platinada enfrentam uma horda de brucutus do último ao primeiro andar de um prédio. Em um só fôlego, a espiã enfrenta vários ao mesmo tempo para descer de andar em andar. São quase 40 shots e, com auxílio de efeitos visuais, Leitch uniu tudo com swish-pans — técnica que faz transições de um shot para outro com movimentos e borrões — e aproveitou batentes de portas para fazer "emendas" verticais.

O próximo trabalho do cineasta, já bastante aguardado, é Deadpool 2, a sequência do longa de 2016 protagonizado por Ryan Reynolds e baseado nos quadrinhos da Marvel. Estreia em 2018.

(Os fãs de cinema perceberão uma referência de Leitch a Andrei Tarkovsky; em uma das cenas de luta, Lorraine enfrenta um homem atrás de uma tela em que é projetado Stalker, clássico do diretor soviético.)

4. A atuação de James McAvoy

O Professor Xavier que você mais gosta e respeita dá vida a David Percival, um agente do MI6 em Berlim com quem Lorraine faz contato. Ele se alia à colega na missão de encontrar a lista. Carismático e excêntrico, Percival é tão enigmático quanto Lorraine. O escocês McAvoy garante boas risadas e é um dos pontos altos de Atômica.

5. ❤ Lorraine é bissexual... ❤

... Ou pelo menos não hétero. Tanto faz. Ela não precisa se explicar.

A agente tem um romance com Delphine Lasalle (Sofia Boutella), uma jovem espiã francesa infiltrada na capital alemã. As cenas de ambas são beeem quentes. E, a melhor coisa disso tudo, com certeza é o fato de que poderia ser James Bond "pegando a novinha" pela enésima vez — mas não é. É outra mulher.

Em entrevista à Variety, Charlize Theron disse que "amou" o envolvimento das duas e o aprovou no roteiro por uma questão política.

"[Foi a] Minha frustração com a maneira que essa comunidade é representada no cinema, ou a falta dessa representação. E também fazia total sentido. É adequado a ela [a personagem]", contou.

"Parecia que havia uma maneira, através daquele relacionamento, e pelo fato de serem pessoas do mesmo sexo, de mostrar uma mulher não tendo que se apaixonar, o que é uma daquelas retóricas femininas. 'É uma mulher; é melhor ela se apaixonar — senão ela é uma puta!"

Atômica tem duração de 115 minutos, classificação indicativa 16 anos e distribuição da Universal Pictures.

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