MULHERES

A violência sofrida pelas mulheres em 13 relatos da #MeuMotoristaAbusador

Histórias de abusos e assédios de motoristas tanto de táxi, quanto de serviço transporte privado estão sendo compartilhadas.

29/08/2017 17:45 -03 | Atualizado 29/08/2017 20:05 -03

"Bom, virei estatística de novo."

É assim que a escritora gaúcha Clara Averbuck, 38, inicia texto publicado em seu Facebook nesta segunda-eira (28), em que denuncia o estupro que sofreu na noite do último domingo (27), por um motorista do Uber. Em seu texto, Clara dá detalhes do ocorrido. Segundo ela, "o nojento do motorista do uber aproveitou meu estado, minha saia, minha calcinha pequena e enfiou um dedo imundo em mim, ainda pagando de que estava ajudando "a bêbada", conta.

Clara ainda afirma que escolheu expor o ocorrido "para que todas as que me lêem saibam que pode acontecer com qualquer uma, a qualquer momento" e que "justamente por ter levado tantas mulheres na delegacia é que eu sei o que me espera. estou ponderando".

Após a repercussão do caso, a Uber repudiou o ocorrido e informou que o motorista foi identificado e banido da empresa:

"A Uber repudia qualquer tipo de violência contra mulheres. O motorista parceiro foi banido e estamos à disposição das autoridades competentes para colaborar com as investigações. Acreditamos na importância de combater, coibir e denunciar casos de assédio e violência contra a mulher"

Em resposta à agressão sofrida pela escritora, foi criada a #MeuMotoristaAbusador para que mulheres compartilhem histórias que já viveram ao pedir carros em aplicativos, táxis, ou até mesmo no transporte público da sua cidade.

A seguir, estão 13 relatos que mostram que as mulheres estão vulneráveis até quando acreditam que estão seguras -- ao escolher um carro ao andar sozinha na rua à noite, por exemplo.

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  • Feminismo e Política, Luis Felipe Miguel e Flávia Biroli
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    Em Feminismo e política: uma introdução, os cientistas políticos Flávia Biroli e Luis Felipe Miguel discutem as principais contribuições da teoria política feminista produzida a partir dos anos 1980 e apresentam os termos em que os debates se colocam dentro do próprio feminismo, mapeando as posições de diferentes autoras e correntes. O resultado é um panorama inédito do feminismo atual, escrito de maneira a introduzir os leitores pouco familiarizados nas discussões, sem por isso reduzir sua complexidade. Ao longo de dez capítulos, os autores abordam temas como a prostituição e o aborto, a representação política e a opressão sofrida pelas mulheres. Embasado em nomes reconhecidos da teoria feminista, como Carole Pateman e Nancy Fraser, Feminismo e política enriquece e amplia o debate sobre um dos movimentos mais discutidos na sociedade atual. "Nos tempos sombrios em que alguns anunciam a morte do feminismo e outros esbravejam nada dever a essa corrente teórico-política, o livro de Luis Felipe Miguel e de Flávia Biroli aparece como um raio de sol", afirma a pesquisadora Renata Gonçalves, da Universidade Federal de São Paulo. "Apontar as desigualdades ajuda a entender por que, apesar dos direitos conquistados nas últimas décadas, as mulheres permanecem 'excluídas da política' e continuam a ser o grupo de maior vulnerabilidade". Nas lutas pelo voto feminino e pelo acesso das mulheres à educação, assim como na exigência de direitos iguais no casamento e do direito ao divórcio, do direito das mulheres à integridade física e a controlar sua capacidade reprodutiva, o feminismo pressionou os limites da ordem estabelecida. O livro mostra como o debate sobre a posição das mulheres nas sociedades contemporâneas abriu portas para questionar as categorias centrais por meio das quais é pensado o universo da política, tais como as noções de indivíduo, de espaço público, de autonomia, de igualdade, de justiça e de democracia. “As relações de gênero atravessam toda a sociedade, e seus sentidos e seus efeitos não estão restritos às mulheres. O gênero é, assim, um dos eixos centrais que organizam nossas experiências no mundo social. Onde há desigualdades que atendem a padrões de gênero, ficam definidas também as posições relativas de mulheres e de homens – ainda que o gênero não o faça isoladamente, mas numa vinculação significativa com classe, raça e sexualidade”, escrevem os autores na introdução do livro.
  • Mulheres, Raça e Classe - Angela Davis
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    Mulheres, raça e classe, de Angela Davis, é uma obra fundamental para se entender as nuances das opressões. Começar o livro tratando da escravidão e de seus efeitos, da forma pela qual a mulher negra foi desumanizada, nos dá a dimensão da impossibilidade de se pensar um projeto de nação que desconsidere a centralidade da questão racial, já que as sociedades escravocratas foram fundadas no racismo. Além disso, a autora mostra a necessidade da não hierarquização das opressões, ou seja, o quanto é preciso considerar a intersecção de raça, classe e gênero para possibilitar um novo modelo de sociedade. Davis apresenta o debate sobre o abolicionismo penal como imprescindível para o enfrentamento do racismo institucional. Denuncia o encarceramento em massa da população negra como mecanismo de controle e dominação. Dessa forma, questiona a ideia de que a mera adesão a uma lógica punitivista traria soluções efetivas para o combate à violência, considerando-se que o sujeito negro foi aquele construído como violento e perigoso, inclusive a mulher negra, cada vez mais encarcerada. Analisar essa problemática tendo como base a questão de raça e classe permite a Davis fazer uma análise profunda e refinada do modo pelo qual essas opressões estruturam a sociedade. Neste livro, tal discussão é sinalizada pela autora por meio de sua abordagem do sistema de contratação de pessoas encarceradas nos Estados Unidos, que já durante o período escravocrata permitia às autoridades ceder homens e mulheres negros presos para o trabalho, em uma relação direta entre escravidão e encarceramento como forma de controle social. Nesse sentido, mesmo sendo marxista, Davis é uma grande crítica da esquerda ortodoxa que defende a primazia da questão de classe sobre as outras opressões. Em “As mulheres negras na construção de uma nova utopia”, a autora destaca a importância de refletir sobre de que maneira as opressões se combinam e entrecruzam: As organizações de esquerda têm argumentado dentro de uma visão marxista e ortodoxa que a classe é a coisa mais importante. Claro que classe é importante. É preciso compreender que classe informa a raça. Mas raça, também, informa a classe. E gênero informa a classe. Raça é a maneira como a classe é vivida. Da mesma forma que gênero é a maneira como a raça é vivida. A gente precisa refletir bastante para perceber as intersecções entre raça, classe e gênero, de forma a perceber que entre essas categorias existem relações que são mútuas e outras que são cruzadas. Ninguém pode assumir a primazia de uma categoria sobre as outras. A recusa a um olhar ortodoxo mantém Davis atenta às questões contemporâneas, que abarcam desde a cantora Beyoncé à crise de representatividade. A discussão feita por ela sobre representação foge de dicotomias estéreis e nos auxilia numa nova compreensão. Acredita que representação é importante, sobretudo no que diz respeito à população negra, ainda majoritariamente fora de espaços de poder. No entanto, tal importância não pode significar a incompreensão de seus limites. Para além de simplesmente ocupar espaços, é necessário um real comprometimento em romper com lógicas opressoras. Nesse sentido, acompanhar suas entrevistas é fundamental. Davis traz as inquietações necessárias para que o conformismo não nos derrote. Pensa as diferenças como fagulhas criativas que podem nos permitir interligar nossas lutas e nos coloca o desafio de conceber ações capazes de desatrelar valores democráticos de valores capitalistas. Essa é sua grande utopia. Nessa construção, para ela, cabe às mulheres negras um papel essencial, por se tratar do grupo que, sendo fundamentalmente o mais atingido pelas consequências de uma sociedade capitalista, foi obrigado a compreender, para além de suas opressões, a opressão de outros grupos. Mulheres, raça e classe é a tradução do conceito de interseccionalidade. Angela Davis traz um potencial revolucionário, e ler sua obra é tarefa essencial para quem pensa um novo modelo de sociedade.
  • Deslocamentos do Feminino - Maria Rita Kehl
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    Neste livro, a psicanalista Maria Rita Kehl investiga as relações entre a mulher, a posição feminina e a feminilidade como se mostravam na passagem do século XIX para o XX e quais eram seus anseios reprimidos. Por meio de uma análise do romance Madame Bovary, a autora reflete sobre as aflições e os impasses que levaram tantas mulheres a procurar a clínica de Sigmund Freud. Compartilhe | A nova edição de Deslocamentos do feminino chega às livrarias em um momento pertinente, em que o debate sobre gênero toma corpo e a noção de feminilidade passa por transformações no campo da cultura. Neste livro, a psicanalista Maria Rita Kehl questiona as relações que se estabelecem entre a mulher, a posição feminina e a feminilidade na clínica psicanalítica. Existe uma diferença irredutível entre homens e mulheres, afinal? Partindo da defesa de uma “mínima diferença”, um modo de ser e de desejar através do qual homens e mulheres assumem papéis distintos na sociedade, a psicanalista e ganhadora do prêmio Jabuti pelo ensaio O tempo e o cão (2010) investiga o campo a partir do qual as mulheres se constituem como sujeitos, de modo a contribuir para ampliá-lo. Publicada originalmente em 1998, a obra foi atualizada pela autora para a nova edição e é dividida em três partes: a primeira, sobre a constituição da feminilidade no século XIX, busca a origem dos discursos aceitos até agora como descritivos de uma “natureza feminina”, eterna e universal; a segunda aborda o romance de Flaubert e apresenta Emma Bovary como um “paradigma da mulher freudiana, alienada nas malhas de um discurso em que seus anseios latentes não encontram lugar ou palavra”; a terceira, por fim, é dedicada às teorias freudianas sobre as mulheres e a sexualidade feminina e suas repercussões na psicanálise contemporânea. Maria Rita examina alguns pontos da biografia de Freud e tenta entender o que o pai da psicanálise falhou em escutar nas queixas das mulheres a quem ele mesmo deu voz. “Este não é um livro sobre a história das mulheres, embora eu tenha precisado passar por um pouco de história para entender como se constituíram e se fixaram os discursos sobre as mulheres e a feminilidade na era moderna”, diz a autora, no prefácio desta obra. “Esta tampouco é uma pesquisa sobre as representações da mulher no Ocidente, embora eu discuta essas representações a partir do romance Madame Bovary, de Gustave Flaubert.” Maria Rita toma a literatura como documento sobre o imaginário de uma época, capaz de revelar os ideais de gênero nos quais Freud se baseou, até a década de 1930, para conceber sua teoria sobre a feminilidade e que até hoje influencia os ideais de cura na clínica psicanalítica. Mas o que querem as mulheres? Para Freud, a cura das histéricas (o mal-estar feminino por excelência no século XIX) equivalia a devolvê-las à mesma feminilidade da qual elas se desajustavam. Para Maria Rita, hoje podemos pensar na histeria como um feminismo espontâneo, que recusa uma identificação com uma natureza feminina eterna e universal - ou, como propõe: “se existe uma cura para as mulheres (...) ela passa pela (re)conquista do que, sendo dos homens, não tem por que não ser das mulheres também”. Um pênis? Não, mas uma ou mais de suas infinitas faces, que aparecem no campo de “escolhas de destino” das mulheres como sujeitos – sobretudo, como sujeitos desejantes.
  • Reivindicação dos Direitos da Mulher - Mary Wollstonecraft
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    Considerado um dos documentos fundadores do feminismo, o livro denuncia a exclusão das mulheres do acesso a direitos básicos no século XVIII, especialmente o acesso à educação formal. Escrito em um período histórico marcado pelas transformações que o capitalismo industrial traria para o mundo, o texto discute a condição da mulher na sociedade inglesa de então, respondendo a filósofos como John Gregory, James Fordyce e Jean-Jacques Rousseau. Compartilhe | Libertária, Mary Wollstonecraft fez de sua própria vida uma defesa da emancipação feminina: envolveu-se na Revolução Francesa e foi uma precursora do amor livre. Tendo falecido logo após o parto de sua segunda filha, não pôde vê-la tornar-se, também, uma famosa escritora: Mary Shelley, a autora de Frankenstein. Extremamente revolucionário para a época, Reivindicação dos direitos da mulher foi traduzido para vários idiomas, se tornou uma referencia teórica para as precursoras do feminismo contemporâneo, como Simone de Beauvoir, e uma leitura essencial para as discussões de gênero. "Reivindicação dos direitos da mulher resulta tanto de uma trajetória de lutas militantes de Mary como de seus enfrentamentos contra a moral sexista e conservadora da época", diz Maria Lygia Quartim de Moraes, que assina o prefácio. Citando a feminista britânica Sheila Rowbotham, ela argumenta que Mary, "como mulher de razão e mulher de natureza", personifica a tensão e as fissuras do Iluminismo, e que a leitura deste livro - escrito em linguagem direta e marcante - "desperta um sentimento de admiração por essa jovem mulher, capaz de superar tantos obstáculos, que lutou obstinadamente para ser feliz e foi muito além dos limites que seu tempo permitia". A edição também traz texto de orelha de Diana Assunção, historiadora e militante dos direitos das mulheres (ISKRA); uma cronologia da vida e obra de Mary Wollstonecraft e uma página sobre trajetória da escritora em quadrinhos, de Fred Van Lente (adaptação) e Ryan Dunlavey (arte), publicada originalmente na antologia Cânone gráfico, volume 1: clássicos da literatura universal em quadrinhos (Barricada, 2014).
  • Último Aviso - Franziska Becker
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    Último aviso traz o olhar feminista afiado da alemã Franziska Becker sobre temas variados da vida privada e social, como consumo, moda, dinheiro, relacionamentos, política, religião e mídia. Iniciada no mundo das charges, caricaturas e histórias em quadrinhos na década de 1970, Franziska é considerada uma das mais brilhantes cartunistas da Alemanha. A coletânea Último aviso traz o melhor de seu trabalho e será editada pela primeira vez no Brasil pelo selo Barricada, da Boitempo Editorial. Oscilando brilhantemente entre a profunda seriedade e bobagens absurdas, Franziska criou, com o conjunto de seus trabalhos, uma grande crônica sobre o contemporâneo, abordando situações familiares e atuais, mas de relevância atemporal. Sua visão do mundo apresenta um retrato surpreendente e, por vezes, irritante de nossa existência, colocando o leitor entre o sonho e a realidade. Com ironia, humor e uma dose de sua própria experiência, Franziska revela o espírito da época em todas as suas facetas, com um olhar incorruptível que pode ser, ao mesmo tempo, maldoso e amoroso, mas que é sempre certeiro e anarquista. Quer se trate de “modalidades esportivas para mulheres”, da “administração de crises” ou da “nova política para desempregados” – os desenhos burlescos e as situações bizarras criados pela cartunista são marcados pela irreverência e enriquecidos por uma abundância de detalhes que remetem aos mais sutis absurdos do cotidiano.
  • A Cor Púrpura - Alice Walker
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    o livro é um convite à narrativa envolvente de Walker. A história, que se passa no sul dos EUA na primeira metade do século 20, é toda contada por meio de cartas que Celie, a protagonista, escreve a Deus, um de seus poucos interlocutores numa vida de silêncios, violência e aniquilamento de sua personalidade. Negra e pobre, ela também escreve para Nettie, sua irmã, melhor amiga e alma gêmea. As duas são afastadas quando Celie é oferecida em casamento a um homem mais velho. Violentada diversas vezes ao longo da trama, ela passa os dias cuidando dos enteados e sonhando com os dois filhos que seu pai, depois de engravidá-la, tirou de seus braços.

    O livro tem ainda outras personagens-chave: Sophia, esposa do enteado de Celie, e Shug Avery, amante de seu marido. As duas, com estratégias diferentes, são vozes que se levantam contra o racismo e o machismo em uma sociedade extremamente conservadora e segregacionista. É com Shug que Celie descobre o prazer, a beleza e o talento profissional. Descobre, enfim, a liberdade feminina.

    Alice Walker ganhou o prêmio Pulitzer e o American Book Award com “A cor púrpura”. Entre seus outros livros estão “By the Light of my Father’s Smile” e “The Temple of my Familiar”. Ela também é autora de duas coletâneas de contos, três reuniões de ensaios, poemas e livros infantis. Suas obras foram traduzidas para mais de uma dúzia de idiomas. Nascida em Eatonton, Georgia, Walker vive hoje no norte da Califórnia.

  • A Imaginária - Adalgisa Nery
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    “É muito estranho que as histórias da literatura brasileira não façam qualquer menção a Adalgisa Nery (1905-1980). Nem como poetisa nem como ficcionista”, lamenta Affonso Romano de Sant’Anna em ensaio sobre a obra da escritora, publicado na nova edição de “A imaginária”, que a José Olympio lança este mês, 35 anos após a morte da autora. Com curadoria do poeta Ramon Nunes Mello, a editora planeja publicar também o romance “Neblina”, dois livros de contos e uma nova reunião dos livros de poesia, num trabalho de resgate que pretende conquistar novos leitores e inscrever o nome da autora no merecido lugar de destaque na vida literária do país. Em “A Imaginária”, “romance quase biográfico”, como escreveu sua biógrafa Ana Arruda Callado,Adalgisa narra a história de Berenice, desde a infância com os pais, a perda da mãe, a passagem por um orfanato, o convívio com a madrasta, o casamento infeliz, passando pela convivência forçada com a família do marido e as brigas com a sogra, depois que ele morre com tuberculose. Com uma prosa impregnada de poesia, Adalgisa tece os dramas psicológicos da personagem, que em muito se assemelha a si própria. São muitos os pontos de ligação das duas: Adalgisa também se casou cedo, para fugir de sua madrasta, com o poeta Ismael Nery. Como o marido da ficção, Nery era um homem culto, rodeado de intelectuais, que, no entanto, não reconhecia seu talento e, uma vez tuberculoso, a oprimia. Com esse romance feminino de formação, em que a narradora se insere na moderna literatura brasileira, Adalgisa Nery, voz atuante também no jornalismo e na política, ilustrou “como a sociedade e os homens imprimem na mulher as marcas da dominação a da repressão”, segundo o ensaísta. O livro é, continua Sant’Anna, “a narrativa de como a mulher faz seu doloroso percurso de liberação desse massacre”.
  • Boa Noite - Pam Gonçalves
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    Dona de um canal de vídeos com mais de 8 milhões de visualizações, onde resenha e indica livros, a booktuber Pam Gonçalves vem, aos poucos, cruzando a linha para o “outro lado”: o dos autores. Estreou na ficção há poucos meses em “O amor nos tempos de #likes”, coletânea de contos cuja autoria dividiu com Bel Rodrigues, Pedro Pereira e Hugo Francioni, outros fenômenos online. Agora, em setembro, a Galera lança o primeiro romance de Pam. Em “Boa noite”, ela cria uma trama romântica, descontraída e juvenil, mas trata também de assuntos sérios como assédio e abuso sexual. A protagonista é Alina, uma jovem de 18 anos que passou a adolescência sendo exemplar. Estudiosa, com excelentes notas, boa filha... um estereótipo que nunca lhe garantiu um lugar entre os mais populares da escola. Agora, ela se prepara para mudar de cidade e começar a cursar a faculdade de Engenharia da Computação. Para Alina, é a oportunidade de se reinventar, de pertencer a um grupo, de se sentir “legal” pela primeira vez. As coisas começam bem, com os novos amigos da república, e ao mesmo tempo desafiadoras, ao cair numa turma repleta de garotos que não acreditam que mulheres podem entender de números. Quando ela decide deixar definitivamente a vida de nerd para trás, as coisas se complicam. As festas e as bebidas são pura diversão, mas o burburinho sobre os abusos sexuais e o uso de uma nova droga começa a assustar o campus. Para completar, os alunos criam uma página de fofocas na internet que expõe a vida sexual das meninas. Alina acaba tragada para o meio disso tudo, onde terá que lidar com pessoas muito mal intencionadas. Mas, no fim, a menina vai descobrir que, unindo-se às outras mulheres, ela poderá fazer diferença. Enquanto constrói uma clássica história sobre as dores do crescimento e a perda da inocência, Pam aproveita para refletir, em “Boa noite”, sobre temas importantes e absolutamente contemporâneos, como cultura do estupro, machismo e bullying na internet.
  • O Papel de Parede Amarelo - Charlotte Perkins Gilman
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    Escrito pela norte-americana Charlotte Perkins Gilman no final do século 19, O papel de parede amarelo foi lido, por muito tempo, como uma simples novela de terror, ao estilo de Edgar Allan Poe. Para além de suas características góticas e do drama bem construído, entretanto, a obra constitui também um tratado sobre a opressão das mulheres e, não à toa, foi redescoberta pelo movimento feminista nos anos 1970. O livro narra, em primeira pessoa, a história de uma personagem forçada ao confinamento por seu marido e médico, que pretende curá-la de uma depressão nervosa. Proibida de fazer qualquer esforço físico e mental, ela fica obcecada pela estampa do papel de parede de seu quarto, e, por fim, enlouquece de vez. Ainda pouco conhecido do público brasileiro, O papel de parede amarelo chega às livrarias em meados de março pela José Olympio. A edição da obra inclui um ensaio de 1973 da educadora Elaine Ryan Hedges, que por anos estudou a contribuição de mulheres americanas nas artes, e um prefácio inédito da filósofa Marcia Tiburi. “A heroína do conto está entregue ao sofrimento psíquico. O marido, investido da posição de senhor e guia, controla o estado mental e físico da esposa. Médico, ele representa a ciência, o mundo racional, contraposto à irracionalidade da histeria, da qual a heroína seria portadora em ‘grau leve’”, analisa Tiburi. “A histeria como doença feminina é a ideologia do homem no contexto de uma evidente política sexual. Nesse contexto, a invalidez da mulher é um fator necessário para o bom funcionamento do controle a ser exercido sobre ela”. A trama de O papel de parede amarelo foi inspirada em experiências da própria autora, que nos anos 1880 passou por um tratamento semelhante ao de sua personagem. Charlotte estava ainda no primeiro casamento (com Charles Stetson, um artista de Rhode Island) quando foi enviada ao “especialista em nervos” mais proeminente de sua época, o dr. S. Weir Mitchell. Suas angústias, iniciadas após o matrimônio, tinham aumentado com o nascimento da filha. O médico limitou suas atividades ao trabalho doméstico e chegou a impedi-la de escrever. Em 1887, a autora se divorciou. No ano seguinte, para garantir o próprio sustento, iniciou uma carreira de professora e começou também a dar palestras sobre a situação das mulheres. Em 1900, casou-se novamente, dessa vez com o primo George Houghton Gilman. Publicou diversas obras de ficção e não ficção, entre as quais o clássico tratado ''Women and Economics'', que, traduzido em várias línguas, se tornou uma das bíblias no movimento feminista. Vítima de um câncer de mama que lhe causava grande sofrimento, a autora cometeu suicídio em 1935.
  • Os Excluídos da História (Operários, mulheres e prisioneiros) - Michelle Perrot
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    Da militância no Partido Comunista francês no auge da Guerra Fria aos protestos do maio de 68 e ao encontro acadêmico com Michel Foucault, a historiadora Michelle Perrot foi moldando a sua trajetória acadêmica baseada no interesse em três sujeitos da História: as mulheres, os operários e os prisioneiros. Publicou ensaios e artigos em revistas, periódicos e coletâneas de livros, dos quais saíram os 11 textos que integram “Os excluídos da história”, em nova edição publicada neste mês pela Paz & Terra.

    O livro analisa esses três grupos sociais periféricos na França do século XIX. Leitura essencial, ilumina não apenas a maneira como o poder se desdobra de modo pragmático e simbólico, mas também a beleza da resistência e da rebeldia de indivíduos e grupos marginais. Os artigos foram selecionados pela professora Maria Stella Martins Bresciani, que também assina a introdução e a orelha.

    Segundo Maria Stella, Michele Perrot “abriu a primeira brecha  no exclusivismo masculino ao ser aceita (com alguma reserva) como assistente na universidade e inaugurou um campo de trabalho historiográfico tendo por objeto personagens até então desprezados”. Para a historiadora, a linguagem direta e clara de Michelle proporciona aos estudiosos lições de pesquisa rigorosa e elegantemente apresentadas.

    Há alguns anos fora das livrarias, “Os excluídos da história” volta num momento em que as discussões sobre o feminismo, a crise carcerária e as ameaças aos direitos conquistados dos trabalhadores estão em pauta no Brasil e no mundo.

  • Vamos Juntas? - Babi Souza
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    A jornalista Babi Souza voltava de ônibus à noite de mais um dia de trabalho em Porto Alegre. Precisava cruzar uma rua escura e deserta para chegar a seu destino e sentiu medo. Ao olhar em volta, viu que diversas outras mulheres caminhavam da mesma forma, apreensivas. “E se fossem juntas?”, ela pensou. Nascia ali a primeira ideia do “Vamos juntas?”, projeto que incentiva mulheres a oferecer companhia e apoio às outras e que agora chega às prateleiras em formato de livro. Em “Vamos juntas? – O guia da sororidade para todas”, Babi conta a trajetória da iniciativa, que hoje já tem cerca de 300 mil seguidores nas redes sociais e reúne histórias de mulheres que sofreram assédio ou que conseguiram evitá-lo graças a ajuda das outras. No livro, a autora mostra alguns destes depoimentos e apresenta ainda conceitos básicos sobre feminismo, empoderamento e, principalmente, sororidade. Babi defende a união como a melhor saída para as mulheres em sua luta contra o machismo e a opressão, e explica ainda como a rivalidade e a competição sempre atribuídas ao sexo feminino não são mais do que construções sociais ultrapassadas. O texto sugere ainda formas de colocar a sororidade em prática e de incentivar o empoderamento. O livro tem prefácio escrito por Márcia Tiburi e orelha por Juliana Faria, do Think Olga.
  • Xica da Silva - A Cinderela Negra, de Ana Miranda
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    I ou, I ou!

     

    O canto dos escravos dá o tom nesta obra e nos transporta para o Brasil do século 18: uma realidade de fidalgos e pés-rapados, de cantos africanos e rezas católicas, um quadro vivo e riquíssimo de detalhes do violento ciclo do diamante, por meio do qual Ana Miranda reconstrói a biografia de uma personagem que nos fascina há gerações.

    Com narrativa colorida e vibrante, a autora revela o mundo do Brasil colonial por suas ligações com Xica da Silva: a escrava que se tornou a senhora mais poderosa das Minas de diamantes. Mostra-nos o reino de Daomé e a África por Maria mina – mãe de Xica –, capturada e trazida ao Brasil ainda criança. Apresenta-nos as Minas Gerais e seus costumes pela Xica menina, que vivia entre as brincadeiras nas matas e os deveres na cozinha. Expõe-nos mazelas do Brasil colônia e de Portugal pela Xica adulta, que, mesmo sem nunca ter saído da região do Distrito Diamantino, fazia com que a metrópole viesse até si, incentivando óperas, danças, artes, vestindo-se como uma fidalga, e ordenando a construção de um castelo, de um teatro e até mesmo de um lago e um navio em sua chácara, uma vez que nunca vira o mar.

    Aqui surge a pessoa de Xica por suas muitas facetas e interpretações: da sedutora, capaz de dominar os homens com astúcia e sensualidade, à concubina amorosa, fiel ao marido e dedicada aos filhos, passando pelo papel de mecenas do Tijuco, de dona de cem escravos e administradora da maior riqueza de seu tempo. Uma mulher vitoriosa, revolucionária mesmo para os dias de hoje, irreverente, mandona, que superou com majestade a sua condição de escravizada, criando a lenda de uma Cinderela Negra.

  • A Revolução das Mulheres - Emancipação feminina na rússia soviética
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    "Quem foram elas? Indivíduos? Não, uma massa, dezenas, centenas de milhares de heroínas anônimas que caminharam lado a lado com operários e camponeses em nome da bandeira vermelha, com o lema dos sovietes, através das ruínas do odioso passado religioso e tsarista em direção a um novo futuro" (Aleksandra Kollontai, 1927). Invisibilidade. Apagamento histórico. Anonimato. Estas três palavras podem definir o grande fardo que as mulheres russas Aleksandra Kollontai, Nadiéjda Krúpskaia, Inessa Armand, Elena Dimítrievna Stássova, Klavdia Nikolaeva e tantas outras carregaram ao longo da História. Em 1917, elas faziam parte das defensoras do terço da população trabalhadora da Rússia, que era composto apenas por mulheres. Mulheres estas que encabeçaram uma revolução radical no país, ao lutar por direitos e enfrentar um sistema de dominação que culminou com a Revolução Russa. Mas não é possível conhecer estas mulheres ou descobrir sua visão sobre a "grande revolução" nos livros. "No caso específico das Revoluções Russas [de Fevereiro e Outubro de 1917], a participação e importância das mulheres foi, por questões políticas, pela dominação masculina, suprimida, ignorada, começando a ser pesquisada e explicitada em estudos mais tardiamente na própria Rússia e, no Brasil, foi pouco traduzida e analisada", explica Graziela Schneider, que estuda há mais de 20 anos a cultura russa e é organizadora do livro A Revolução das Mulheres: Emancipação feminina na Rússia soviética, lançado neste mês pela editora Boitempo. Há exatos 100 anos, com o pedido latente por igualdade, pão, paz e terra, foi pelas mãos delas que nasceu uma revolução.
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  • História das Mulheres no Brasil - Mary Del Priore
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    Conta a trajetória das mulheres, do Brasil colonial a nossos dias, voltando-se a todos os tipos de leitores e leitoras: adultos e jovens, especialistas e curiosos, estudantes e professores, arrastando-os numa viagem através dos tempos. Obra organizada por Mary Del Priore - da qual participam duas dezenas de historiadores além da consagrada escritora Lygia Fagundes Telles - mostra como nasciam, viviam e morriam as brasileiras no passado e o mundo material e simbólico que as cercavam. Percebendo a história das mulheres como algo que envolve também a história das famílias, do trabalho, da mídia, da literatura, da sexualidade, da violência, dos sentimentos e das representações, o livro abarca os mais diferentes espaços (campo e cidade, norte e sul do país) e extratos sociais (escravas, operárias, sinhazinhas, burguesas, donas de casa, professoras, bóias-frias). Também não se contenta em apenas de separar as vitórias e as derrotas das mulheres, mas derruba mitos, encoraja debates, estimula a reflexão e coloca a questão feminina na ordem do dia. Sucesso de público e de crítica, História das Mulheres no Brasil já chegou a 20 mil exemplares vendidos, além de ter ganho os prestigiados prêmios Jabuti e Casa Grande e Senzala.

  • Sejamos Todos Feministas - Chimamanda Ngozi Adichie
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    Chimamanda Ngozi Adichie ainda se lembra exatamente do dia em que a chamaram de feminista pela primeira vez. Foi durante uma discussão com seu amigo de infância Okoloma. “Não era um elogio. ‘Percebi pelo tom da voz dele; era como se dissesse: Você apoia o terrorismo!’.” Apesar do tom de desaprovação de Okoloma, Adichie abraçou o termo e – em resposta àqueles que lhe diziam que feministas são infelizes porque nunca se casaram, que são “antiafricanas” e que odeiam homens e maquiagem – começou a se intitular uma “feminista feliz e africana que não odeia homens, e que gosta de usar batom e salto alto para si mesma, e não para os homens”.
    Neste ensaio preciso e revelador, Adichie parte de sua experiência pessoal de mulher e nigeriana para mostrar que muito ainda precisa ser feito até que alcancemos a igualdade de gênero. Segundo ela, tal igualdade diz respeito a todos, homens e mulheres, pois será libertadora para todos: meninas poderão assumir sua identidade, ignorando a expectativa alheia, mas também os meninos poderão crescer livres, sem ter que se enquadrar em estereótipos de masculinidade. 
    Sejamos todos feministas é uma adaptação do discurso feito pela autora no TEDx Euston, que conta com mais de 1,5 milhão de visualizações e foi musicado por Beyoncé.
  • História das Relações de Gênero - Peter N. Stearns
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    História das relações de gênero é uma exploração fascinante do que ocorre com as idéias estabelecidas sobre homens e mulheres quando sistemas culturais distintos entram em contato. Valendo-se de uma grande variedade de exemplos, da pré-história ao século XXI, e abarcando diferentes sociedades, da China às Américas, da áfrica ao norte da Europa, passando por Oriente Médio, Rússia, Japão e Austrália, o historiador Peter N. Stearns delineia o quadro dos encontros culturais internacionais mais significativos e seus efeitos sobre as relações de gênero. O impacto do islamismo e das práticas de gênero do Oriente Médio na índia e na áfrica subsaariana; o resultado dos contatos da China com a condição feminina entre japoneses e mongóis; a influência colonial européia na América, índia, áfrica e Oceania; o impacto das ações internacionais no Oriente Médio; e os efeitos da atuação de organizações internacionais e do consumismo global são alguns dos assuntos discutidos neste livro.
  • Para Educar Crianças Feministas - Chimamanda Ngozi Adichie
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    Após o enorme sucesso de Sejamos todos feministas, Chimamanda Ngozi Adichie retoma o tema da igualdade de gênero neste manifesto com quinze sugestões para criar filhos dentro de uma perspectiva feminista.

    Escrito no formato de uma carta, o livro surge a partir do questionamento de uma amiga de Adichie que passava a descobrir a maternidade: “Como educar uma criança feminista?”. Assim surge este lançamento, que traz conselhos simples e precisos de como oferecer uma formação igualitária a todas as crianças, que deve começar pela justa distribuição de tarefas entre pais e mães.

    Partindo de sua experiência pessoal como mãe e filha, a autora nos lembra como é urgente termos conversas honestas sobre novas maneiras de criar nossos filhos, e presenteia o leitor com o que chama de um mapa de suas próprias reflexões sobre o feminismo.

    O resultado é uma leitura essencial para todos aqueles, mulheres e homens, crianças ou adultos, que acreditam que a educação é o primeiro passo para a construção de uma sociedade mais justa.