MULHERES

Duas artistas fotografam 1.001 silhuetas de mulheres para nos incentivar a gostar de nossos corpos

🍑 🍐

30/08/2017 17:04 -03 | Atualizado 30/08/2017 17:04 -03

Embora os likes de Kardashian e companhia tenham colocado os bumbuns em evidência, alimentando uma febre de poses e treinos no Instagram para que as mulheres deliberadamente mostrem seus atributos, isso não significa que todas as neuras com a imagem corporal tenham deixado de existir.

Glúteos são desejados, é verdade, mas parece que há apenas uma maneira de tê-los: durinhos e redondos. Portanto, para muitas de nós, isso acaba sendo apenas mais uma neura para a nossa coleção.

Mas as nádegas, como todas as partes do corpo, vêm em diferentes formas e tamanhos.

Por isso, duas artistas iniciaram um projeto de fotografia chamado 1001 Fesses ("1001 Bumbuns", em francês) para incentivar as mulheres a gostar de seus glúteos.

Emili Mercier e Frederique Marseille, de Montreal, Canadá, descrevem o projeto como uma "ode... expressando a beleza de TODOS os nossos bumbuns".

"A bunda parece ser a parte do corpo que as mulheres mais odeiam, e ainda não entendemos o motivo, já que é macia, sensual e bonita", disseram Mercier e Marseille ao HuffPost UK.

"Fotografar bumbuns contribui para o conceito de corpos anônimos, porque eles são sempre clicados de trás, o que traz um ar de mistério e uma estética poética. E bumbuns são divertidos!", afirmam. "Não são imagens tão agressivas quanto as de um nu frontal completo ou de outras partes femininas que são obviamente sexuais. O objetivo é dessexualizar o corpo feminino, mostrando apenas a sua autenticidade."

Desde o início do projeto, em 2014, as duas amigas de infância percorreram enormes distâncias fotografando os derrières em diversos cenários – públicos e privados.

O site do projeto diz: "Temos que ir até essas mulheres, conhecer a sua beleza e transformar esses cliques em algo mais: rituais humanos, cada um deles sendo uma experiência única".

As próprias mulheres (e seus traseiros) se voluntariam para integrar o projeto, inscrevendo-se num grupo privado do Facebook. As artistas anunciam quando visitam determinado país, e as mulheres podem então se candidatar. Todas de forma anônima.

O projeto foi criticado porque a maioria das modelos são brancas de 20 e poucos anos. Mercier e Marseilla explicam que essa não é uma escolha delas, já que só podem trabalhar com mulheres que se dispõem a participar.

"Esperamos que cada vez mais mulheres queiram se inscrever", contam.

Quando lhes perguntamos como as modelos reagem ao ver as fotos, as artistas disseram que a maioria fica "surpresa", mas acaba aprendendo a gostar das imagens.

"A maior parte delas se surpreende ao ver seu corpo nas fotos quando as recebe", afirmam. "Como usamos uma câmera analógica, precisamos revelar tudo antes que elas vejam o resultado, e isso faz parte da mágica."

"Infelizmente, para a maioria das modelos, a primeira impressão é a de que são feias. Mas gostam das fotos mesmo assim", explicam. "Aos poucos, a maioria começa a ver sua beleza. Recebemos muitos e-mails e telefonemas das participantes depois de um tempo, dizendo que a iniciativa as ajudou a se sentirem bem consigo mesmas."

Segundo as artistas, o Instagram e o Facebook censuraram os posts do projeto.

"É muito difícil criar uma comunidade on-line em torno de temas como o corpo, a autoestima, a emancipação feminina e a nudez dessexualizante. Esperamos que nossas páginas não sejam desativadas como aconteceu dois anos atrás", escreveram numa recente publicação do Instagram.

O HuffPost UK entrou em contato com o Facebook e o Instagram, mas não tinha obtido resposta até o momento da publicação.

*Este texto foi originalmente publicado no HuffPost UK e traduzido do inglês.

LEIA MAIS:

- Esta selfie de Winnie Harlow é uma lembrete para o nosso amor-próprio

- Hilary Duff tem um recado para os 'fiscais de corpos' alheios

Essas fotos ‘desmistificam o corpo gordo’