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Por ser reincidente, MP pode pedir internação de jovem que agrediu professora em SC

O aluno pode ser internado, uma vez que conta com histórico de violências contra a mãe, uso de drogas e já cumpriu outras medidas alternativas.

23/08/2017 19:27 -03 | Atualizado 23/08/2017 19:28 -03
Reprodução

Na última segunda-feira (21), a foto de um rosto desfigurado e manchado de sangue circulou pelas redes sociais chocando a todos. Era a professora Marcia Friggi, de Indaial, interior de Santa Cataria. A docente havia sito violentada com socos por um aluno de 15 anos do centro educacional para jovens e adultos (Ceja) do município.

De acordo com o Ministério Público de Santa Catarina (MP-SC), o aluno pode ser internado, uma vez que conta com histórico de violências contra a mãe, uso de drogas e já cumpriu outras medidas alternativas.

Em entrevista ao O Globo, a promotora da Infância e da Juventude Patrícia Dagostin Tramontin explicou a situação prevista pelo Estatuto da Criança e do Adolescente:

"Ele já tem uma passagem por agressão de um colega de classe e uma que foi reclamada pela mãe dele por agressão também. O Estatuto da Criança e do Adolescente tem uma gradação de medidas. A primeira delas é a advertência e a última a internação. No caso dele, já houve a aplicação de trabalho comunitário. Mas, se fez de novo, a gente percebe que não funcionou."

Em 2016, o adolescente cumpriu trabalho voluntário como medida alternativa após ter agredido a própria mãe repetidas vezes.

"Esse é um caso com agravante. Há a reincidência do comportamento de desrespeito", explicou a promotora.

O pedido de internação, no entanto, deve esperar a conclusão do inquérito por parte do delegado José Klock, que deve ser finalizado até o fim desta semana.

Caso a internação seja aceita pelo juiz, o adolescente será abrigado em um Centro de Atendimento Socioeducativo Provisório até o fim da tramitação do processo.

A agressão

Marcia Friggi é professora do centro educacional para jovens e adultos (Ceja) em Indaial, interior de Santa Catarina. Em um post compartilhado no Facebook, ela disse estar "dilacerada" após ser agredida fisicamente por um de seus alunos em sala de aula.

Na rede social, Marcia publicou imagens fortes de seus machucados. De acordo com ela, a violência se deu após uma má conduta do aluno, que foi retirado de sala de aula.

"Ele levantou para sair, mas no caminho jogou o livro na minha cabeça. Não me feriu, mas poderia. Na direção eu contei o que tinha acontecido. Ele retrucou que menti e eu tentei dizer: Como, menti? A sala toda viu. Não deu tempo para mais nada. Ele, um menino forte de 15 anos, começou a me agredir. Foi muito rápido, não tive tempo ou possibilidade de defesa. O último soco me jogou na parede."

Na última terça (22), Friggi fez uma postagem em que afirma estar de luto.

Procurado pelo HuffPost Brasil, o Ceja de Indaial disse que não iria se pronunciar sobre o ocorrido.

A secretária de educação do município afirmou em nota que repudia o ato de violência e está prestando apoio à professora.

A Secretaria repudia qualquer tipo de agressão física ou moral, independentemente da motivação. Após a ocorrência, a direção do Ceja prestou apoio à professora, levando-a para realizar o Boletim de Ocorrência e na sequência receber atendimento médico no Hospital Beatriz Ramos, onde foi medicada e encaminhada a sua residência. A Secretaria de Educação está acompanhando todos os fatos e continuará prestando o apoio necessário para a professora.

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