MULHERES

Atitudes masculinas estão impedindo as mulheres de avançar no trabalho

Um em cada quatro americanos acredita que os humanos vão viajar no tempo antes que as mulheres alcancem a igualdade no comando das empresas.

25/08/2017 11:49 -03 | Atualizado 25/08/2017 11:52 -03

Quando se trata de explicar por que há tão poucas presidentes de empresa, muitas teorias colocam a culpa nas mulheres: elas não são confiantes ou agressivas o suficiente. As responsabilidades familiares atrapalham. Simplesmente não há mulheres qualificadas ou interessadas no mercado de trabalho.

Mas uma intrigante nova pesquisa da Fundação Rockefeller apresentada na terça-feira encontrou uma explicação diferente: atitudes masculinas.

65% dos entrevistados disseram que as atitudes dos homens em cargos de liderança são um obstáculo para que as mulheres alcancem posições de liderança. As mulheres têm ainda mais certeza disso: impressionantes 90% disseram que as atitudes dos homens em uma empresa têm relação com a dificuldade do avanço das mulheres, enquanto apenas 49% dos homens disseram o mesmo.

Quase todos os entrevistados disseram que homens e mulheres são igualmente qualificados para liderar negócios.

"É triste", disse Laura Gordon, diretora-gerente da Fundação Rockefeller, que trabalhou na pesquisa.

Gordon disse que as descobertas não têm o objetivo de culpar os homens. Mas o fato é que os homens constituem a grande maioria da liderança no mundo corporativo americano. A responsabilidade de contratar mais mulheres está com eles. "Eles terão que oferecer as oportunidades para que as mulheres cresçam", disse Gordon.

Existem apenas 32 mulheres (6%) na presidência das empresas que compõem o Fortune 500, a lista das 500 maiores empresas do país. Gordon dirige uma iniciativa na Fundação Rockefeller que visa aumentar esse número para 100 no ano de 2025 -- um objetivo modesto, que ainda estaria muito longe da paridade.

Um em cada quatro americanos acredita que os humanos vão viajar no tempo antes que as mulheres alcancem a igualdade no comando das empresas, de acordo com a pesquisa da Rockefeller.

Um artigo recente no The New York Times apresentou mulheres que quase chegaram ao topo, falando sobre trabalhar em um mundo majoritariamente masculino e a resistência que enfrentaram. Suas histórias deixaram claro que a falta de ambição e as responsabilidades familiares não eram os problemas.

"Sempre tive de ser melhor que qualquer outra pessoa para ser considerada igual", disse Jan Fields, presidente do McDonald's nos Estados Unidos até 2012, a Susan Chira, do Times. "Administrei restaurantes ótimos, obtive grandes lucros e tive as pessoas mais bem sucedidas trabalhando para mim."

A Fundação Rockefeller trabalhou com o Global Strategy Group para realizar uma pesquisa nacional com 1 010 adultos, com idades de 18 ou mais no final de maio.

A pesquisa apontou que 33% dos americanos acreditam que as mulheres não estão interessadas em papéis de liderança. 42% disseram que as mulheres não têm confiança para buscar as posições de liderança, e 46% disseram que não há mulheres qualificadas suficientes no mercado de trabalho.

A falta de líderes femininas está longe de ser um novo problema, e as empresas lançaram uma variedade de programas ao longo dos anos com o objetivo de corrigi-lo. Mas, muitas vezes, essas soluções são projetadas para consertar as mulheres, oferecendo-lhes coisas como mentoria, treinamento de liderança e mais flexibilidade para as que são mães.

Esses programas são provavelmente importantes, mas, se for preciso mudar as atitudes dos líderes homens, claramente algo mais precisa acontecer.

*Este texto foi originalmente publicado no HuffPost US e traduzido do inglês.

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