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'A face do seu magistério': Professora agredida pede que o Brasil 'olhe' para educação

"Estou dilacerada porque me sinto em desamparo, como estão desamparados todos os professores brasileiros."

22/08/2017 11:38 -03 | Atualizado 22/08/2017 11:50 -03
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Professora agredida pede que o Brasil 'olhe' para educação.

São 2,2 milhões de docentes que atuam na educação básica brasileira de acordo com o Censo Escolar de 2016. Na última segunda-feira (21), um único relato foi capaz de contemplar uma dura realidade que a maioria deles enfrenta.

Marcia Friggi é professora do centro educacional para jovens e adultos (Ceja) em Indaial, interior de Santa Catarina. Em um post compartilhado no Facebook, ela disse estar "dilacerada" após ser agredida fisicamente por um de seus alunos em sala de aula.

Na rede social, Marcia publicou imagens fortes de seus machucados. De acordo com ela, a violência se deu após uma má conduta do aluno, que foi retirado de sala de aula.

"Ele levantou para sair, mas no caminho jogou o livro na minha cabeça. Não me feriu, mas poderia. Na direção eu contei o que tinha acontecido. Ele retrucou que menti e eu tentei dizer: Como, menti? A sala toda viu. Não deu tempo para mais nada. Ele, um menino forte de 15 anos, começou a me agredir. Foi muito rápido, não tive tempo ou possibilidade de defesa. O último soco me jogou na parede."

O post da docente foi amplamente comentado nas redes sociais.

No relato, a professora afirma que está dilacerada não só por ter sido agredida fisicamente, mas por saber que ela não é a única professora a ter enfrentado situações como esta.

"Estou dilacerada por já ter sofrido agressão verbal, por ver meus colegas sofrerem. Estou dilacerada porque me sinto em desamparo, como estão desamparados todos os professores brasileiros."

O "desamparo" descrito por Marcia se dá em um contexto de crise da educação brasileira em que a maioria das universidades públicas enfrentam cortes orçamentários que afetam as infraestruturas e planejamento da educação superior. Na Universidade Estadual do Rio de Janeiro, por exemplo, os professores enfrentam atraso nos salários e suspensão de aulas.

O relato de Marcia revela que a crise das universidades não é a única e muito menos apenas financeira.

Nesta terça-feira (22), a professora publicou uma foto de sua recuperação. Na imagem, o olho roxo é acompanhado de uma legenda que pede para que o Brasil "volte a olhar para os seus professores".

Procurado pelo HuffPost Brasil, o Ceja de Indaial disse que não iria se pronunciar sobre o ocorrido.

A secretária de educação do município afirmou em nota que repudia o ato de violência e está prestando apoio à professora.

A Secretaria repudia qualquer tipo de agressão física ou moral, independentemente da motivação. Após a ocorrência, a direção do Ceja prestou apoio à professora, levando-a para realizar o Boletim de Ocorrência e na sequência receber atendimento médico no Hospital Beatriz Ramos, onde foi medicada e encaminhada a sua residência. A Secretaria de Educação está acompanhando todos os fatos e continuará prestando o apoio necessário para a professora.

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