COMPORTAMENTO

Um guia prático para você masturbar sua mina (ou a si mesma) com sucesso

Um mergulho no mundo da siririca, mas já avisa: a fórmula mágica envolve respeito, companheirismo e uma boa dose de dedicação.

21/08/2017 11:19 -03 | Atualizado 21/08/2017 11:19 -03
Getty Images/iStockphoto
Porque ninguém vira especialista em coisa nenhuma se não treina, estuda e se dedica.

A máxima de que o sexo é que nem pizza, porque, mesmo quando é ruim é bom, pode até ser verdade para algumas pessoas, mas, já quando o assunto é a masturbação feminina, não poderia existir uma maior e mais ecumênica falácia no mundo todo. Porque não, humanidade, infelizmente é preciso lidar com o fato de que uma siririca mal batida tem o poder destrutivo de uma pizza de aliche com borda de catupiry pirata, daqueles vendidos de baldão no atacadista. Ruim. Indigesta. Triste.

Isso porque o corpo feminino exige destreza daqueles que o pilotam. Para desgraça de quem prefere trabalhos mecânicos à poesia do artesanato, a arte da masturbação de uma vagina, seu clitóris e entornos pede uma mistura aparentemente contraditória de suavidade com pressão, carinho com vigor, físico com emocional.

Parece difícil? Até é. Mas masturbar uma mina – ou a si mesma - com sucesso é algo que dá para aprender com dicas e, especialmente, com a prática constante. Porque ninguém vira especialista em coisa nenhuma se não treina, estuda e se dedica.

Além do quê, para conseguir ensinar seu parceiro ou parceira a fazê-la gozar, a mulher precisa ter um bom conhecimento do próprio corpo, como, por exemplo, o que lhe agrada, o que é neutro, o que nem adianta tentar porque não vai levar a lugar nenhum, qual o melhor ritmo, posição, e até mesmo onde dói – sim, porque, quando é feita de um jeito desengonçado, a masturbação pode machucar e até ferir.

Para começo de conversa, é importante que se esclareça no que consiste a masturbação de uma xoxota. Se no homem as coisas são meio óbvias, com aquela ereção ali gritando na cara da sociedade, nas moças fica tudo um pouco mais subentendido. Basicamente, a ideia para que se chegue ao orgasmo é estimular as áreas sensíveis na região da vagina, sejam elas quais forem. No geral (e frisemos aqui o no geral, já que cada corpo funciona de uma maneira), elas costumam ser os lábios e o clitóris, que, pasme, tem o dobro de fibras nervosas do que seu amigo pênis. Pisa menos.

Mas, e a penetração, não tem aquela história de que causa um orgasmo diferente? "Este ainda é um assunto muito polêmico no meio da sexualidade", resume a ginecologista e obstetra Daniele Miguel. "Isso vem desde a época de Freud, que afirmava que a mulher que não sentisse orgasmo através da estimulação vaginal era considerada histérica e imatura. Estudos posteriores desmentiram esta afirmação ao demostrar que o orgasmo pode, sim, ser atingido somente com a estimulação clitoriana. Desta forma, não haveria diferença entre os dois tipos de orgasmo, sendo apenas formas diferentes de se 'chegar lá'".

O que nos leva ao ponto G, que não é de "glória", mas, sim, de Gräfenberg, um ginecologista alemão a quem se credita sua descoberta. E chupa (se possível literalmente) quem diz que ele não existe. Doutora Daniele dá o mapa da mina:

"Sua localização, tamanho e espessura variam de mulher para mulher. Para encontrá-lo, a mulher deve estar bem relaxada para que as paredes vaginais fiquem muito bem lubrificadas e o ponto G fique inchado, cheio de sangue e, portanto, mais sensível e proeminente. Ele pode ser identificado como uma pequena saliência enrugada, uma área oval, localizada embaixo do osso púbico, na parede frontal interna da vagina".

De barriga para cima, a moça ou seu parceiro ou parceira pode usar o dedo médio, com a palma da mão virada para cima, e penetrar a vagina até encontrá-lo. Quando estimulado, é comum que, no início, algumas mulheres sintam vontade de fazer xixi, mas, quando o movimento continua, é possível que o prazer acabe chegando. "Como em qualquer outro estímulo humano, pode não ser igualmente prazeroso para todas", esclarece a médica.

Em determinados casos, cutucar de um jeito gostoso o ponto G pode levar à ejaculação feminina. E, neste momento, é inevitável que o leitor rememore grandes clássicos do cinema sem-vergonha online, em que mulheres expelem litros de um suposto gozo em cima da câmera, magia esta que, para os médicos, ainda é algo ligeiramente controverso. Priscila Junqueira, psicóloga especializada em Sexualidade Humana pela Universidade de São Paulo (USP), por exemplo, explica que pesquisas atuais descreditam o fenômeno:

"O que acontece é um excesso maior de lubrificação do ponto mais alto do clímax e muitas mulheres perdem urina que é confundida com ejaculação".

A ginecologista Daniele ajuda também a tranquilizar quem, pela pressão da indústria pornográfica, acha que tem algum problema porque, até hoje, não "conseguiu" jorrar litros na cama, seja sozinha ou na companhia de alguém. "A sensação de expelir líquido durante o orgasmo pode ser muito boa, mas o orgasmo em si não é necessariamente mais intenso só por causa da ejaculação feminina". Além disso, a médica também conta alguns segredos dos bastidores:

"A ejaculação feminina não é como nos filmes. Não se decepcione se você ou a sua parceira não soltarem jatos quilométricos de fluído. Ela é um jato e pode sair com mais ou menos intensidade e volume de mulher para mulher, mas jamais do modo exagerado como aparece. As atrizes pornô geralmente bebem muita água antes de filmar e urinam durante a cena, para simular uma ejaculação. Outras colocam água na vagina e contraem o músculo pélvico para expelir".

Outro mito importante de se desconstruir é o de que meninas que se masturbam com frequência, sozinhas, podem ficar com dificuldade para gozar depois, quando masturbadas por outra pessoa, já que ficariam acostumadas com um "jeito" específico. O que acontece, na verdade, é o oposto, já que, por se conhecerem melhor, moças adeptas do onanismo têm mais chances de descobrirem novos pontos de prazer e apresentá-los a seus companheiros.

E é justamente esse esquema de parceria o que mais favorece o orgasmo pela masturbação durante uma relação sexual. Isso porque o prazer feminino não depende apenas do estímulo físico, como explica Daniele. Para a médica, é importante trocar ideias e apontar quais são os lugares que mais dão tesão, o que ajuda a gozar "mais rápido e de maneira mais eficiente".

"O que vai levar a mulher ao orgasmo é também todo o 'antes' e 'durante' dessa relação", completa a psicóloga Priscila. "Não vai resolver tentar excitar essa mulher só na hora da transa. Sexo começa muito antes da hora H".

Lubrificantes à base de água, vibradores e outros brinquedos sexuais também são extremamente bem-vindos, desde que tanto a mulher quanto sua parceira ou parceiro estejam à vontade com sua presença na cama. Eles, os consolos, podem ser grandes aliados dos estímulos manuais e orais. Nunca é demais lembrar, no entanto, que eles devem estar limpos e em boas condições para uso, além de nunca serem usados na vagina depois de terem passado pelo ânus, sem que antes se faça sua higienização, para evitar infecções.

Sobretudo, masturbar uma mina significa seduzi-la, provocá-la e, só então, operar todas as ferramentas que têm o poder de levar não só ela mesma ao prazer, mas também quem a acompanha, já que assistir uma mulher alcançar o orgasmo é, junto do Colosso de Rodes e dos Jardins da Babilônia, uma das mais bonitas maravilhas do mundo. "As preliminares preparam os órgãos para a relação sexual", determina Daniele, que reforça que as fantasias e emoções ocupam o mesmo grau de importância que a excitação pelos sentidos físicos. Por isso, mãos à obra e boa sorte.

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