MULHERES

Registros de estupros coletivos mais que dobram em 5 anos

Dados do Ministério da Saúde, obtidos pela Folha de S.Paulo, mostram que estupros coletivos aumentaram de 1.570 para 3.526 entre 2011 e 2016.

20/08/2017 14:31 -03 | Atualizado 21/08/2017 11:29 -03
Laura Benvenuti
Acre, Tocantins e Distrito Federal lideram o ranking das maiores taxas de estupro coletivo por 100 mil habitantes.

Entre 2011 e 2016, o número de registros de estupros coletivos pulou de 1.570 para 3.526, um aumento de 125%. Os dados inéditos, obtidos com exclusividade pela Folha de S.Paulo, mostram ainda que o número de notificações de estupros em geral também deu salto, foi de 12.087 em 2011 para 22.804 em 2016.

Segundo a publicação, Acre, Tocantins e Distrito Federal lideram o ranking das maiores taxas de estupro coletivo por 100 mil habitantes, com 4,41, 4,31 e 4,32. O crime representa 15% dos casos de estupro em geral registrados em 2016.

Desde 2011, o Ministério da Saúde exige a notificação obrigatória dos casos de violência sexual pelos serviços públicos e privados de saúde.

Os indicadores, porém, não são precisos, pois 30% dos municípios ainda não fornecem os números.

Além disso, vale ressaltar que os casos costumam ser subnotificados. Segundo a publicação, estudos feitos pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) indicam que apenas 10% do total de estupros são notificados.

Sociedade doente

No início do ano, em entrevista ao HuffPost Brasil, a especialista em gênero Viviana Santiago, da ONG Plan International Brasil, de combate à violência contra meninas, afirmou que o estupro coletivo revela a mentalidade de uma sociedade doente.

"Os estupros, a violência sexual contra meninas e mulheres são sintomas de uma sociedade adoecida, a sociedade da desigualdade de gênero, da subalternização, da materialização da vida e dos corpos."

Em janeiro, logo após a denúncia de um caso de estupro coletivo de uma menina de 11 anos, a antropóloga e professora da Universidade de Brasília, Débora Diniz, fez um apelo aos homens:

"Assim, eu pediria aos homens respeitadores e igualitários que não se ofendessem, mas se somassem à luta contra todas as formas de violência.

Uma delas é escutando o que é dito. Se não tiverem muito o que dizer para reverberar a mensagem certa, além do silêncio respeitoso, que não sejam vozes para discordar das mulheres pelo exercício de desdizer o que é dito com sofrimento.

Se não é sobre você que a mensagem fala, que tal nos ajudar a encontrar formas melhores de educar os homens, sensibilizar os meninos, ou mesmo, aprimorar mensagens?".

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