ENTRETENIMENTO

O que 5 músicas que não saem da sua cabeça estão te ensinando sobre relacionamentos

As letras de músicas que todo mundo adora cantar, mas que passam mensagens um tanto... esquisitas. 🤔

16/08/2017 16:03 -03 | Atualizado 16/08/2017 16:05 -03

Maestro, uma nota.

O famoso bordão das antigas é bem verdade quando o assunto são as músicas que rondam os top 10 das rádios. Afinal, só de ouvir o comecinho, já é possível descobrir de qual canção se trata e, mais que isso, saber que não haverá como escapar daquele fenômeno inevitável que só as músicas bem produzidas e fadadas ao sucesso popular são capazes de provocar: o grude nas entranhas mais profundas do cérebro humano.

O problema é quando, ao cantar essas melodias e letras tão gostosas quanto grudentas, mensagens ligeiramente bizarras podem se propagar. E, sim, sabemos que na grande maioria é "só uma música", coisa que as pessoas escutam para se distrair. Que não há maldade quando o compositor escreve a letra, quando o artista canta, quando a rádio toca. Mas, às vezes, são as coisas mais banais e inofensivas que, mesmo sem querer, estimulam ou, no mínimo, perpetuam comportamentos prejudiciais a alguém.

Por dar um exemplo, o HuffPost listou – e problematizou – cinco músicas que todo mundo adora e sabe de cor (inclusive nós, da redação) para mostrar que, se levadas ao pé da letra, podem passar a ideia errada.

1. Vidinha de balada (Henrique e Juliano)

Era uma vez um casal que, em algum lugar desse mundão, se esbarrou e acabou ficando. Podia ser você, podia ser eu, podia ser qualquer pessoa. Afinal, nada mais normal do que sair, se divertir e conhecer pessoas. Daí a vida seguiu, nessa história, nada de mais acontecendo, só que, de repente, o cara daquela noite surge na porta da casa da mina. Do nada. Até pede desculpa pelo que ele chama de visita, vá lá, mas o discurso e a atitude que o sujeito adota são dignas dos mais estereotipados relacionamentos abusivos. "Tô a fim de você", ele diz, "e, se não tiver, você vai ter que ficar", ameaça. Daí para frente, começa o festival de excessos. Com uma visão narcisista equivocada, o homem se assume como príncipe encantado de uma garota que precisa ser resgatada da vidinha de balada que dá nome à música, na qual ela – oh, céus, que choque e que pecado – bebe, ficando de ressaca no dia seguinte.

Manja gaslighting, quando a pessoa distorce informações de maneira seletiva para deixar a vítima estonteada? É o que faz esse pessoal aqui. Até porque, caros sertanejos, minas que curtem sair e tomar uns drinques não têm menos valor do que minas que não curtem sair nem tomar uns drinques, enfim, achamos importante ressaltar. E, em seguida, imaginamos o sujeito da música com o dedo em riste (já que é assim que aparecem o tempo todo os cantores no clipe que já teve mais de 200 milhões de visualizações no Youtube), obrigando a garota a namorar com ele, sim, e nos pegamos de maneira absurda torcendo para que ela não reclame, por favor, porque, se ela achar ruim, ele adverte, o namoro vai virar um casamento com todos os bens repartidos com ele. Alô, Maria da Penha? Eu queria fazer uma denúncia.

O que aprendemos com esta música: Que mulheres deveriam achar bonito homens que forçam a barra para ter um relacionamento. No entanto, preferimos continuar partidários de relacionamentos consentidos, obrigado.

2. Acordando o prédio (Luan Santana)

Um casal transando, ok. Um casal transando até quatro da manhã – mais raro, sejamos honestos, geralmente alguém dorme exausto antes, mas, enfim, ok ainda. Até que o homem pergunta à mulher aonde foi parar o juízo dela, afinal, ao que parece, ela está fazendo barulho demais em cima da cama. "Daqui a pouco liga o síndico", adverte, prevendo que o pedido no interfone será para que a moça "grite baixinho". Ela deve estar enlouquecida, pensamos. Bacana para ela. Ele deve ser um azougue, imaginamos – "sei que tá bom", confirma ele, todo seguro de sua performance.

Até que ambos decidem não ligar é para mais nada, e o desafio de acordar esse prédio e fazer inveja para o povo que está saindo para trabalhar enquanto eles fazem amor gostoso de novo está instaurado. "Deixa o mundo saber, baby, como você é", instiga o garanhão. Até porque, pensa ele, para que uma moça esteja gostando do sexo ela precisa, necessariamente, estar gritando. Sorte é que a gente sabe que não é todo homem que pensa assim.

O que aprendemos com esta música: Que relações sexuais da vida real precisam ser parecidas com aquelas dos filmes pornô disponíveis aos baldes na internet – moças se esgoelando e por vezes parecendo morrer, enquanto os homens ali com elas podem gozar tranquilos pensando que está tudo sob controle. Gostaríamos de reforçar, no entanto, que há milhares de maneiras de se manifestar durante o orgasmo (inclusive com gritos, sim), e que muitas vezes mais vale uma gozada de verdade em silêncio do que uma falsa de 900 decibéis. Fica a dica.

3. Loka (Simone e Simaria feat. Anitta)

É animador ver cada vez mais as mulheres tomando consciência de que não precisam de homens para atingir a felicidade – se eles quiserem vir junto nesse caminho, como companheiros, serão sempre bem-vindos, mas nunca imprescindíveis como se acreditava que eram até bem pouco tempo atrás. Por isso que Loka, cantada por três representantes maravilhosas do sertanejo e do pop atuais, é uma música que tem tudo para reforçar a mensagem de autossuficiência das minas. Precisa só ajustar o discurso na hora que dá a entender que, para largar para trás a memória de um cara safado que não a mereceu, a garota precisa necessariamente ficar... louca.

Todo mundo sabe que uma balada com as amigas tem, sim, o poder de ajudar bastante na recuperação depois de uma relação amorosa malsucedida, mas, veja, moça, este não é o único caminho, ok? É possível fugir dos estereótipos e, sem precisar botar "aquela roupa e o batom", também respeitar o luto quieta no seu canto, de pijama e cara limpa, lendo um livro, indo ao cinema, viajando solo ou em grupo, ou mesmo fazendo algo diferente como aprender um novo hobby – todos estes são métodos que, juntamente com entrar no carro e aumentar o som, também ajudam a sair da fossa e voltar a ser feliz sozinha.

O que aprendemos com esta música: Que para esquecer alguém é preciso ficar louca na balada, ou mesmo subjugar o sujeito pisando em cima dele como ensina o clipe. Preferimos, ainda assim, achar que este é, sim, um bom método (não a pisada humilhante desnecessária, mas, sim, a noite junto com as amigas), mas que também existem muitos outros tão eficazes quanto.

4. Sorte que Cê Beija Bem (Maiara e Maraisa)

De uma coisa sabemos: alguma este sujeito aprontou, para que a garota prometa a si mesma que nunca mais vai bater na porte dele, nem mesmo dizer seu nome em qualquer ocasião. Agora, como só não tem recaída nessa vida quem já atingiu o nirvana, ela passa atualmente por aquele momento que todo mundo conhece e odeia – o momento em que a gente se pergunta "que é que eu estou fazendo da minha vida". Calma. Respira. Você mesma está cantando que o sujeito é um problema que você não consegue resolver (até porque ninguém tem o poder de modificar ninguém, vamos deixar claro). Chama o boy de corda bamba e garante que aprendeu a andar sobre ela.

Miga, pare. Lembre-se de que se você se prometeu não voltar atrás é porque algum motivo importante você tinha. Vai voltar atrás só porque ele beija bem? Isso não é motivo para ficar com alguém. Quando os relacionamentos começam a afundar, é comum que as partes se apeguem a essa ideia de que aquele é o único homem que vai te querer, o melhor beijo existente no mundo, o melhor sexo, o corpo mais delícia. Mas não, isso não existe. O que existe são conjuntos de fatores que tornam pessoas influências saudáveis umas para as outras, capazes de fazer bem e não de se transformarem em problemas.

O que aprendemos com esta música: Que mesmo que alguém tenha sido babaca no passado e continue sendo um problema no presente, de repente vale a pena encarar de novo só para provar daquele beijo gostoso mais uma vez. Apenas pare, miga. Beijo nenhum no mundo vale a dor de cabeça de um relacionamento problema.

5. Esqueci como Namora (Nego do Borel feat. Maiara e Maraisa)

Aquela velha ideia de que a mulher precisa forçar uma barra para que o homem se comprometa e a respeite, já que sozinho ele não conseguiria seja por sua natureza "de conquistador", seja porque simplesmente não está a fim. Ela se queixa que ele tira fotos com os amigos, mas nunca posta fotos ao lado dela, como casal. Que ele sempre tem dinheiro para sair com a galera, mas que, na hora de levá-la a qualquer lugar, não tem um tostão na carteira.

Oras, moça, por que você insistiria em ficar com um cara desses? Fora que, repetindo, implorar carinho e dedicação é sinal de falta de amor próprio, e isso definitivamente não é legal. "Não pega pesado, meu amor, te dou um cheiro e cê vai ver que o seu Nego chegou", negocia o cara. Não caia nessa, garota. Nem escorregue na tentação de, como na letra, avisar que há uma fila para usar seu cobertor caso ele não tome tento e ande na linha. Namorados, ficantes, maridos e afins não têm que ficar porque há concorrência, e você é desejada também por outros. Eles têm que ficar porque eles querem ficar – simples assim. E, se não é esse o caso, adeus, passar bem.

O que aprendemos com esta música: Que a sociedade ainda vê o homem comprometido como uma "vítima" de uma mulher insistente, que conseguiu fazê-lo sossegar, e não como alguém que, por conta própria, tomou a atitude de dividir a vida com uma pessoa a quem sente vontade de agradar e respeitar. Mas sabemos que, cada vez mais, mais e mais mulheres param de se sujeitar a esse papel e deixam de implorar amor a quem não quer amar. E, com isso, o mundo vai se tornando um lugar mais equilibrado, com músicas divertidas, mas também com mensagens importantes às quais é preciso ficar atento ontem, hoje e sempre.

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