POLÍTICA

'Animado': Enterrada denúncia de corrupção, presidente afina discurso otimista sobre economia

Em visita ao Mato Grosso, Michel Temer se considerou "mais que corajoso" por conduzir as reformas no País.

11/08/2017 14:55 -03 | Atualizado 11/08/2017 15:27 -03
Adriano Machado / Reuters

Enterrada a possibilidade de investigação por corrupção enquanto ocupa o cargo de presidente da República, Michel Temer deu mais um passo nesta sexta-feira (11) para consolidar a narrativa de governo reformista.

Na sua primeira visita ao Mato Grosso para a inauguração da única usina brasileira com produção exclusiva de etanol do milho, o presidente se considerou "ousado" e "mais que corajoso" por conduzir as reformas.

Estou sendo ousado porque são matérias que ficaram, durante anos e anos, paralisadas.

Ainda no esforço para mudar o foco da Operação Lava Jato em direção ao cenário econômico, o presidente afirmou que "logo, logo" o Brasil recupera o grau de investimento.

"Quando vejo o Risco Brasil, que estava em mais de 470 pontos negativos quando assumi o governo, hoje está em 195 pontos. Portanto, caiu sensivelmente e logo, logo, vamos reassumir o grau de investimento que perdemos no passado."

"Animado" e com a "alma incendiada", o presidente também traçou o futuro da taxa Selic. A expectativa dele é que o indicador chegue em 7,5%, 7% até o fim do ano.

"Venho com a sensação de que o Brasil prospera e confia no que estamos fazendo. Ninguém investe se não souber que mais adiante terá lucro, vantagens financeiras mais que legítimas."

O otimismo do presidente contrasta com a decisão de aumentar o déficit deste e do próximo ano. O anúncio oficial está previsto para a próxima semana.

De R$ 139 bilhões, o déficit deve passar para R$ 159 bilhões. Já para 2018, a previsão é que seja alterado de R$ 129 bilhões para R$ 159 bilhões.

Vaias

O bom humor do presidente, entretanto, não se refletiu entre os mato-grossenses. Caminhoneiros orquestraram um protesto contra o aumento de impostos que acarretam no reajuste do preço do combustível.

O peemedebista foi aos dois eventos no estado de helicóptero e não viu a manifestação.

Reforma da previdência

No Congresso, o principal objetivo do presidente é aprovar a reforma da previdência. O texto precisa de pelo menos 308 votos para ser aprovado no plenário da Câmara dos Deputados.

O trâmite, porém, está cada dia mais difícil. O governo que já não tinha garantia dos votos nos primeiros meses do ano ficou mais fragilizado com a denúncia de corrupção.

O placar de parlamentares que votou para postergar a investigação para depois do término do mandato de presidente serviu como base para o Planalto medir o humor dos parlamentares.

O resultado está aquém do esperado, 263 deputados votaram para salvar o presidente e parte deles, a que integra o centrão, agora cobra a conta.

Deputados querem cargos que estão sob o comando do PSDB e ameaçam retaliar o presindente na votação da reforma da previdência.

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