POLÍTICA

O argumento da defesa de Temer para pedir que Janot deixe de atuar em casos que envolvem o presidente

Comparação com flecha e bambu não agradou em nada a defesa do presidente. 😖

08/08/2017 18:17 -03 | Atualizado 08/08/2017 18:30 -03
Stringer . / Reuters
Presidente Michel Temer foi implicado na delação da JBS em pelo menos três crimes: corrupção, organização criminosa e lavagem de dinheiro.

A defesa do presidente Michel Temer pediu ao ministro Edson Fachin, relator da Operação Lava Jato no Supremo Tribunal Federal, a suspeição do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, em casos que envolvam o peemedebista.

Para a defesa, o procurador atua além de suas funções, levou os casos para o lado pessoal e persegue o presidente de forma obsessiva.

"Já se tornou público e notório que a atuação do procurador-geral da República, em casos envolvendo o presidente da República, vem extrapolando em muito os seus limites constitucionais e legais inerentes ao cargo que ocupa. Não estamos, evidentemente, diante de mera atuação institucional", diz petição assinada pelo advogado Antônio Cláudio Mariz.

O advogado acrescenta ainda que, nesse caso, "há nítido interesse unilateral, particular, fora do processo!".

"Acusar o Presidente é sua ideia fixa. Ela parece superar o seu conhecimento jurídico e reconhecida excelência da sua formação intelectual. Deixou-se tomar por uma questão única, obstinada e, teimosamente, coloca todas as suas energias e capacidade a serviço de uma única causa: destituir o Presidente da República. Causa pessoal, ao que tudo indica", diz trecho da petição.

Para embasar a argumentação, a defesa de Temer usa entrevistas concedidas pelo procurador e o texto das denúncias. Entre os exemplos citados está a seguinte afirmação:

Enquanto houver bambu, lá vai flecha.Janot, em 1º de julho, no 12º Congresso da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo

"Flechará, pois tem a caneta, se os alvos forem reais ou meramente fruto de sua imaginação, portanto quixotescos, pouco importa. Importa atirar", indigna-se a defesa de Temer.

Em entrevista à Folha de S.Paulo, publicada na segunda-feira (8), Janot explicou que não houve soberba ao falar em "flecha e bambu". Segundo ele, a expressão é uma brincadeira dentro do Ministério Público Federal.

"A gente dizia que temos que trabalhar, e a expressão dizia isso, enquanto houver bambu, lá vai flecha. Não é soberba nenhuma", explicou.

'Impunidade incompreensível'

A petição volta a reforçar as declarações de Temer contra o benefício da imunidade dado aos donos da JBS, Wesley e Joesley Batista, no acordo de delação premiada.

Para Mariz, Janot não cumpriu a obrigação de instaurar processo criminal contra os empresários ao acertar a colaboração. "Ao contrário, premiou os delatores criminosos com benesses que chocaram a sociedade brasileira", emenda o advogado.

O material implicou o presidente na suspeita de pelo menos três crimes - corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

No texto da petição, o advogado volta a rechaçar a denúncia de que o presidente seria o destinatário da mala com R$ 500 mil que o ex-assessor do presidente Rodrigo Rocha Loures recebeu de propina.

"Causa estupefação a ânsia acusatória desenvolvida em detrimento de terceiro, no caso o presidente", rebate Mariz.

Quadrilhão do PMDB

Na semana passada, o procurador-geral da República pediu ao Supremo a inclusão do nome do presidente e dos ministros Moreira Franco (Secretaria-Geral) e Eliseu Padilha (Casa Civil) no inquérito conhecido como "quadrilhão".

A ação investiga integrantes do PMDB no âmbito da Lava Jato por formação de quadrilha. Entre os 15 alvos do processo estão Eduardo Cunha e Henrique Eduardo Alves.

"O avanço nas investigações demonstrou que a organização criminosa investigada no inquérito 4483 na verdade, ao que tudo indica, é mero desdobramento da atuação da organização criminosa objeto dos presentes autos. Por isso, no que tange a este crime específico (organização criminosa), mostra-se mais adequado e eficiente que a investigação seja feita no bojo destes autos e não do Inquérito 4483", justifica Janot.

LEIA MAIS:

- O dia seguinte: 263 votos é vitória ou derrota para Temer?

- Com denúncia arquivada, Temer diz que 'sem ódio ou rancor' seguirá até o fim do mandato

A mais grave crise do Governo Temer