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Google demite engenheiro após 'manifesto' machista. Mas parece que ele já tem outro emprego

De acordo com o Google, o engenheiro "violou o Código de Conduta" da empresa por "promover estereótipos de gênero".

08/08/2017 18:54 -03 | Atualizado 08/08/2017 19:00 -03
Nicolas McComber via Getty Images
De acordo com o Google, o engenheiro "violou o Código de Conduta" da empresa por "promover estereótipos de gênero".

O Google demitiu o engenheiro de software James Demore após ele ter publicado um manifesto em que afirmava que "diferenças biológicas" entre os sexos não permitia que mulheres ocupassem cargos de liderança ou trabalhassem com tecnologia.

De acordo com o Google, o engenheiro "violou o Código de Conduta" da empresa por "promover estereótipos de gênero", mas a empresa não quis fazer comentários públicos sobre a demissão.

Mas parece que o engenheiro já pode ter outro emprego em vista. Julian Assange, fundador do WikiLeaks, disse que está disposto a oferecer um emprego Demore em mensagens publicadas no seu Twitter.

Para Assange, "censura é para os fracos".

Censura é para perdedores. Wikileaks está oferecendo um emprefo para o engenheiro demitido do Google.

Mulheres e homens merecem respeito. Isso inclui não demiti-los por expressarem opiniões educadamente mas sim argumentar

O documento de James Demore foi veiculado em uma lista de emails e viralizou na sexta-feira (4) na empresa, de acordo com o site Motherboard que ouviu alguns dos funcionários.

O texto reflete a opinião pessoal do engenheiro. Para ele, o fato de existir mais homens do que mulheres trabalhando em áreas de tecnologia se dá por "diferenças biológicas" entre os sexos.

"Estou simplesmente afirmando que a distribuição de preferências e habilidades de homens e mulheres difere em parte devido a causas biológicas e que essas diferenças podem explicar por que não vemos a representação igual de mulheres em tecnologia e liderança."

Ele defende que o Google não deveria oferecer programas para minorias raciais ou de gênero.

"Precisamos parar de assumir que as desigualdades de gênero implicam sexismo ", argumenta.

O autor também escreveu que os funcionários com crenças políticas conservadoras são discriminados na empresa e lamentou sobre como a ideologia "esquerdista" é prejudicial para o ambiente de trabalho.

No documento, afirma que ampliar a diversidade racial e de gênero é menos importante do que garantir que os conservadores se sintam confortáveis para se expressarem no trabalho.

Diversos casos de denúncias contra as empresas do Vale do Silício, o pólo de tecnologia mais importante dos EUA, tem surgido recentemente, com mulheres denunciando que há uma cultura de "assédio" a elas em várias empresas.

Por conta disso, por exemplo, o CEO do Uber, Travis Kalanick, e dois dos investidores mais conhecidos do Vale do Silício, Justin Caldbeck e Dave McLure, se afastaram de suas funções por não combaterem o assédio conta as mulheres que trabalham com tecnologia - ou por ter cometido os assédios.

Atualmente, quase 70% dos funcionários do Google são homens, em índice que aumenta para 80% quando se analisa a área de desenvolvimento de tecnologias da empresa.

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