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Líderes do Mercosul suspendem Venezuela do bloco 'por tempo indeterminado'

A justificativa é de que o país provocou uma "ruptura da ordem democrática".

05/08/2017 12:57 -03 | Atualizado 05/08/2017 13:07 -03
Handout . / Reuters
Líderes do Mercosul suspendem Venezuela do bloco 'por tempo indeterminado'

Os ministros dos países que compõem o Mercosul decidiram em reunião neste sábado (5) suspender a Venezuela do bloco por um período indefinido. A justificativa é de que o país provocou uma "ruptura da ordem democrática".

De acordo com comunicado oficial, os representantes do bloco afirmam que o país de Maduro violou a ordem constitucional e que a suspensão seguirá até que os presos políticos sejam libertados, a Assembleia Constituinte dissolvida e a democracia restaurada no país.

A decisão deste sábado coincide com o dia em que o presidente Nicolás Maduro está celebrando a vitória da Constituinte. O prédio do Ministério Público venezuelano foi cercado com soldados. Segundo o presidente, a Assembleia Constituinte funcionará por até dois anos.

O bloco formado por Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai tomou a decisão com base no Protocolo de Ushuaia. O compromisso assinado em 1998 inclui uma cláusula democrática que pode levar à suspensão política do país no bloco. Atualmente, o Brasil ocupa a presidência temporária do bloco. O encontro está sendo realizado na prefeitura de São Paulo, no centro da cidade.

Ontem (4), o ministro das Relações Exteriores, Aloysio Nunes disse, por meio de sua conta no Twitter, que o Brasil vai pedir a suspensão da Venezuela do Mercosul. "É intolerável que nós tenhamos no continente sul-americano uma ditadura. Houve uma ruptura da ordem democrática na Venezuela", disse. "E, por consequência, o Brasil vai propor que ela seja suspensa do Mercosul até que a democracia volte.", completou.

Desde abril, a Venezuela vive uma onda de manifestações a favor e contra o governo, muitas delas violentas e que já deixaram cerca de 100 mortos e mais de mil feridos. O governo Maduro deu posse nesta sexta-feira (4) a uma nova Assembleia Nacional Constituinte, que a oposição não aceita. A iniciativa foi criticada pelo Mercosul, bloco do qual a Venezuela também faz parte, mas está suspensa por causa dos conflitos políticos.

Eleita presidente da Assembleia Nacional Constituinte venezuelana, a governista Delcy Rodríguez convocou para hoje (5) a primeira sessão do poder "plenipotenciário" para iniciar o processo que reformará a Constituição e reordenará o Estado. Delcy também acusou a oposição de espalhar ideias falsas sobre o que acontece no país e garantiu que "na Venezuela não há fome, na Venezuela há vontade aqui não há crise humanitária, aqui há amor"

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