POLÍTICA

‘Será o presidente da República um facínora que não pode ficar solto?’, questiona defesa

Esta e mais quatro principais perguntas da defesa do presidente. Câmara decide hoje se ele continuará a ser investigado por corrupção.

02/08/2017 10:52 -03 | Atualizado 02/08/2017 17:53 -03
Montagem / Getty Images / Câmara dos Deputados
Advogado do presidente Michel Temer, Mariz de Oliveira, diz que Câmara dos Deputados aceitar denúncia não é sinaônimo de impunidade,

Advogado do presidente Michel Temer, Mariz de Oliveira, fez uma defesa contundente no plenário da Câmara dos Deputados na manhã desta quarta-feira (2). A Casa vota hoje a denúncia contra o peemedebista.

São necessários 342 votos para que o peemedebista seja afastado do cargo e o Supremo Tribunal Federal (STF) possa continuar as investigações.

Temer é acusado pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, de ser o destinatário final de uma mala com R$ 500 mil de propina paga pela JBS ao ex-assessor do presidente, Rodrigo Rocha Loures.

Na avaliação de Mariz, as provas usadas pela Procuradoria-Geral da República (PGR), como a gravação feita pelo empresário Joesley Batista, dono da JBS e delator, são ilegais. Ele também alega que não há uma prova cabal que ligue Temer ao recebimento de propina.

Na tribuna do plenário, o defensor rebateu a ideia de impunidade no caso de a Câmara rejeitar a denúncia. Nesse caso, as investigações serão retomadas em 2019, quando Temer deixar o Palácio do Planalto.

Será o presidente da República um facínora que não pode ficar solto?

Apesar de pesquisa Ibope divulgada neste mês revelar que apenas 5% considera a gestão de Temer boa ou ótima, Mariz questionou se os brasileiros não preferem a continuidade das políticas atuais, a fim de recuperar a economia.

Será que a sociedade não prefere um ano e meio de medidas benéficas à sociedade?

Para o advogado, as notícias sobre a denúncia prejudicam a imagem do presidente e a estabilidade do País e desconsideram a humanidade do peemedebista.

Será que há razões para sangria da dignidade, da honra e da moral de um homem de bem?

O defensor também lembrou da família do presidente e fez referência, apesar de não citar os nomes, à esposa Marcela Temer, e ao filho de oito anos do casal, Michelzinho.

E a moral do presidente? E o sofrimento que essa denúncia está trazendo para seus filhos, mulher, irmãos?

De olho nas dezenas de deputados investigados, Mariz afirmou que investigações sem provas sólidas são um "tiro pode atingir o pé de cada um de nós" e questionou a narrativa do encontro de Joesley com o presidente.

O porão tem sala de jantar, de estar, de cinema. Que porão é esse? É uma dependência da casa. Virou porão porque é parte do enredo para prejudicar o presidente da República.

Segundo o defensor, dizer que o encontro foi nos porões do Palácio do Jaburu tem como objetivo "construir cena de pecado e de crime para incriminar o presidente da República" e é uma "armação extremamente prejudicial à nação".

De acordo com a PGR, o ex-assessor de Temer Rodrigo Rocha Loures foi responsável por intermediar o contato entre a JBS e o presidente e por marcar reunião entre o peemedebista e Joesley Batista, um dos donos do frigorífico e delator da Lava Jato, em março deste ano, no Palácio do Jaburu por volta das 22h30.

Na conversa, o empresário fala sobre a liquidação de "pendências" com o deputado cassado Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Na interpretação da PGR, trata-se da compra do silêncio do ex-presidente da Câmara, preso desde outubro e que negocia um acordo de delação premiada.

Votação da Câmara da denúncia contra Temer

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