POLÍTICA

'Pela estabilidade': A investigação contra Temer que é necessária, mas 'não agora'

Parece que estabilidade econômica é o novo "por Deus e pela família". 🤔

02/08/2017 22:26 -03 | Atualizado 02/08/2017 22:43 -03
EVARISTO SA via Getty Images
Com o arquivamento pela Câmara, Temer continua no mandato e a investigação só será retomada em 2019, quando ele deixar o Palácio do Planalto.

As contas do País que tornaram a crise política do governo Dilma Rousseff ainda mais aguda voltou a ser justificativa para os deputados explicarem suas atitudes.

Desta vez, a investigação de um crime de corrupção que poderia afastar Michel Temer do comando do País foi enterrada com discurso permeado pelo termo "estabilidade".

Em prol da continuidade da política econômica - que segundo o voto do deputado Ronaldo Nogueira (PTB-RS), exonerado do cargo de ministro do Trabalho, está recuperando o emprego -, parlamentares decidiram "preservar a ordem constitucional".

Para o bem do Brasil, a estabilidade política é fundamental para continuar crescendo a nossa economia.corrobora o deputado Ronaldo Benedet (PMDB-SC)

Alguns deputados acrescentaram ainda que são a favor das investigações, mas ressaltam acreditam que o momento não é apropriado.

Com o arquivamento pela Câmara, Temer continua no mandato e a investigação só será retomada em 2019, quando ele deixar o Palácio do Planalto.

"Não sou a favor da impunidade e nem contra a investigação, mas, pela estabilidade econômica do País, entendo que ela deva acontecer após o término do mandato do presidente", disse Maria Helena (PSB-PP).

Assim como ela, o deputado Sérgio Moraes (PTB-RS) seguiu o raciocínio de que a investigação pode ser postergada.

O País não tem como trocar três vezes de Presidente até o final de outro mandato. O Temer vai continuar sendo investigado depois, porque não se cessa a investigação.

Alex Canziani (PTB-PR) engrossou o coro:

Votar sim não significa dizer que o Presidente é inocente. Mas votar sim significa votar com as reformas, com o desenvolvimento, com um País melhor para todos nós. Voto sim, pelo Brasil.

O próprio advogado do presidente Michel Temer endossou esse argumento dos deputados. Ao abrir a sessão para explicar o lado do peemedebista, Antônio Cláudio Mariz enfatizou que é mentira que o arquivamento é definitivo.

"O presidente da República, em 1º de janeiro de 2019, estará respondendo, sim, a esta denúncia em primeiro grau, com um juiz conhecido de Curitiba ou com outro juiz qualquer. Se será recebida ou não eu não sei, mas essa denúncia não irá para um arquivo pelo fato de esta Câmara julgar corretamente, não dando licença para o seu processamento. Essa é apenas uma questão temporal. Um ano e meio. Não se pode aguardar 1 ano e meio?"

A oposição criticou o argumento:

A denúncia

Foram 263 votos a favor do parecer que barra as investigações, 227 votos contra o texto, duas abstenções e 19 ausências.

Temer foi acusado pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, de ser o destinatário final de uma mala com R$ 500 mil de propina paga pela JBS ao ex-assessor do presidente Rodrigo Rocha Loures.

A defesa argumenta que não há como provar que a mala era destinada ao presidente.

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