ENTRETENIMENTO

Como ‘A Força do Querer’ trouxe o debate sobre transgênero ao horário nobre da televisão

Ativista trans Helena Vieira, em entrevista ao HuffPost Brasil, conta como foi a colaboração com Glória Perez para construir a narrativa de Ivana.

31/07/2017 18:00 -03 | Atualizado 03/08/2017 18:30 -03
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Carol Duarte, em cena de ‘A Força do Querer’, interpreta Ivana — que se tornará Ivan.

A autora de novelas Glória Perez é conhecida por abordar temas sociais importantes em suas obras. Com A Força do Querer, atualmente em exibição às 21h na TV Globo, ela decidiu trazer ao horário nobre da emissora o debate sobre transgeneridade por meio das personagens Ivana (Carol Duarte) e Nonato (Silvero Pereira).

É um passo e tanto, afinal, o Brasil é um dos países que mais mata pessoas trans em todo o mundo. Só em 2016 foram 144 — aproximadamente um assassinato a cada dois dias. Vários deles foram registrados, como mostra o levantamento da Rede Trans Brasil, com características de crueldade e barbaridade. Diversas questões do universo trans, agora, chegam a todo o Brasil por meio da novela.

A ativista de direitos humanos e escritora Helena Vieira, 26, foi consultada por Perez para conceber as personagens e ter acesso a informações concisas a respeito do mundo trans. Antes de aceitar, ela diz que ficou hesitosa.

"De início, eu falei 'quer ver que é problema? Será que vai dar conflito com a militância e a ideia é fazer eu defender a Globo?' Há toda uma questão política", disse, em entrevista ao HuffPost Brasil. Apesar da insegurança inicial, ela decidiu aceitar a oportunidade. "A novela tem importância porque opera no imaginário social."

Vieira tem se destacado no ativismo pelos direitos LGBT. Em 2016, ela coescreveu uma reportagem de capa da revista Galileu; em janeiro deste ano, ela falou sobre protagonismo em uma Ted Talk na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Sua rotina tem sido repleta de palestras, além dos livros que tem escrito. Ela já escreveu para o HuffPost Brasil e também para a Revista Fórum.

Na entrevista ao HuffPost, ela fala sobre o processo de colaborar com Glória Perez, violência contra pessoas trans, políticas de inclusão, suas atuais produções e adianta o que vai acontecer com Ivana na trama.

"Na novela, a Ivana, ou o Ivan, vai ser um homem trans que vai namorar outro homem. Ele vai ser um homem trans gay, que vai ter uma vida afetiva e sexual com esse parceiro e vai engravidar. Existe uma complexidade humana no Ivan."

Leia a entrevista completa:

HuffPost Brasil: Como surgiu a oportunidade de colaborar com A Força do Querer?

Helena Vieira: A novela já estava toda feita e, inclusive, sendo gravada. A Glória Perez tinha assistido a uma palestra minha na UFRJ, a Ted Talk, e ficou encantada com o que eu disse. Ela viu também um pouco da palestra "Feminilidades, Poder e Contemporaneidade", que eu dei no Espaço Bem Viver, no Ceará, e leu meus textos. Um dia, a Glória comentou no meu Facebook um dia: "Helena, eu estou tentando te adicionar, mas seu perfil está lotado. Preciso falar com você". Foi uma comoção. Eu estava com meu namorado e falei "Gabriel, a Glória Perez comentou no meu Facebook!" [risos]. Foi um acontecimento! Eu fiquei empolgada. E aí falei com ela por inbox e começamos a dialogar.

Mantive o diálogo constante com ela, fui até a rede Globo e participei de um fórum interno sobre diversidade. Foi como uma consultoria para pensar os desafios da empresa e inserir pessoas LGBT no seu pessoal, e não só defender a pauta em sua programação. E desde então eu tenho mantido contato constante com a Glória, no sentido de levar a ela informações sobre as pessoas trans e questões do universo travesti. Em alguma medida, tenho também conversado com ela sobre muitas críticas que têm vindo do movimento. E, como eu sou do movimento, tenho que fazer essa ponte, levar essas reflexões para ela e também trazer para o movimento o posicionamento dela. Às vezes, as matérias nos jornais falam das coisas de um jeito que nem é o que a Glória disse, sabe? É uma forma muito desonesta de noticiar as coisas.

Você hesitou antes de aceitar o convite?

Fiquei um pouco hesitosa. De início, eu falei: "quer ver que é o problema? Será que vai dar conflito com a militância e a ideia é fazer eu defender a Globo?". Há toda uma questão política. Eu fiquei hesitante de perda, sou assessora do Renato Roseno, um deputado do PSOL no Ceará.

Você acredita que a novela pode provocar efeitos positivos na questão trans no Brasil?

Sim. Veja só: a gente tem uma história na representação de LGBT na mídia que atende a duas lógicas discursivas básicas. A primeira é a do trágico. Em filmes mainstream, como Rezando para Bobby, você pode ver um menino que se suicida no final. Ou, em Meninos Não Choram, um trans ser violentado. Essa narrativa do trágico aborda as experiências de sexo e gênero divergentes da norma como se fossem sempre marcadas pela tragédia. E isso não tem profundidade. São personagens sempre problemáticas, em conflito constante. Quando você compara isso a representação de pessoas heterossexuais, você não encontra a marca do trágico da mesma forma, você vê que existe uma profundidade psíquica, humana, muito maior. Acho que há essa redução de pessoas LGBT à tragédia. Isso é importante para gerar empatia, mas existe um contradiscurso muito perigoso [nisso].

O [Jacques] Lacan [psicanalista francês] analisa o cinema com a ideia do simbólico, do real e do imaginário. E qual é o contradiscurso da narrativa de tragédia? É dizer "olha, se vocês forem viados, travestis, transexuais, a vida de vocês vai ser trágica". Existe sempre um aviso de perigo subjacente nessas narrativas.

Se você pegar a vida de qualquer garoto hetero e cis, você vai encontrar um conjunto de sofrimentos, que vai desde as angústias em relacionamentos até as familiares, mas esse não é o ponto central da vida dele. Ninguém vive reduzido a isso. O trágico é parte de um conjunto complexo de outras partes [experiências].

A segunda lógica discursiva é a do cômico, que é mais comum na TV aberta, mas também está presente no cinema. É a representação da travesti ou do gay como aquela personagem da qual as pessoas vão rir, como [apenas] a melhor amiga ou amigo de alguém. E há também prostituição, roubo, drogas — acaba que a complexidade dos sujeitos se reduz aos estigmas. isso é muito perigoso, porque desumaniza.

E aí existe ainda uma terceira desumanização, que é a ideia em Robinson Crusoe, o livro de Daniel Defoe. O personagem fica preso em uma ilha por anos e, ao sair, depois de todas as dificuldades, constrói uma casa, [providencia a própria] alimentação e começa uma vida de conforto a partir do próprio esforço. Eu faço a referência ao livro porque existe algo de desumanizador na travesti que é vitoriosa. Ela deixa de ser humana para ser um tipo de mártir. A ideia do sobre-humano é tão desumanizadora quanto a do subhumano.

A travesti drag queen argentina Hija de Perra dizia que, quando ouvem uma travesti, querem ouvir sobre um menininho afeminado que passava maquiagem e foi expulso de casa pelos pais. Quando se fala da sexualidade das travestis, por exemplo, o que a gente vai falar? De prostituição. Quando você olha os manuais de sexo, eles falam de como dar prazer a mulher, de como dar prazer ao homem, de como fazer sexo anal gay melhor, ou de como estimular o parceiro. Mas como se estimula o corpo da travesti? Ou da transexual que já foi operada, por exemplo? Ou da travesti que toma hormônio e fica com a libido reduzida? O que a gente sabe sobre a sexualidade desses corpos? Nada, porque eles não são flexibilizados na sociedade.

Na novela, a Ivana, ou o Ivan, vai ser um homem trans que vai namorar outro homem. Ele vai ser um homem trans gay, que vai ter uma vida afetiva e sexual com esse parceiro e vai engravidar. Existe uma complexidade humana no Ivan. Ele tem a prima, a balada, as relações da vida, os amigos, a família. Não é simplesmente uma tragédia. Não é simplesmente para fazer graça. A novela tem essa importância porque opera no imaginário social.

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Helena:

Quais são os cuidados que, na sua opinião, a mídia deve tomar ao abordar histórias com pessoas trans, seja no jornalismo ou na dramaturgia?

Pesquisa. Eu acabei de dar uma entrevista para uma emissora de TV e a moça não tinha pesquisado nada a respeito do tema. Mal sabia quem eu era, o que eu fazia. Não custa nada pesquisar antes. Na internet há dezenas de artigos publicados por dezenas de travestis e transexuais sobre várias questões. A da travesti como identidade feminina, do nome de registro dela quando se noticia uma morte, tudo com uma linguagem que não reproduz preconceitos de gênero. É necessário também criar pautas positivas. Os jornais só falam da transexualidade quando uma trans morre. Existem coisas positivas para se abordar. No jornalismo ou não, tem que se pesquisar antes de fazer as coisas e não fazê-las de qualquer jeito.

Até quando se fala das mortes é importante respeitar, porque é como se a pessoa morresse duas vezes. Ela passa a vida toda lutando para ser reconhecida como "Letícia" e aí, quando ela morre, o jornal noticia como "Pedro". É claro que há casos e casos. Teve um aqui no Ceará em janeiro, por exemplo, de uma travesti chamada Paola, que morreu e noticiaram o nome de registro dela, mas porque ela estava separada da família há muito tempo e esse foi um jeito de tentar comunicar a morte para a família. Até aí tudo bem, sabe?

Tem que ter sensibilidade. Isso falta porque as pessoas trans ainda não alçaram a condição de humanas, efetivamente. Não nos tratam como se fossemos humanas. No caso da Dandara, se ela fosse criança, idosa, mulher ou homem cis, alguém teria impedido o espancamento. Não impediram porque não há empatia. Porque os discursos sobre as travestis são desumanizantes. É como se nós não fôssemos humanas por excelência. Se você não a reconhecê-la como tal, ela não é retratada dessa forma.

O curioso é que, embora vocês tenham mais visibilidade na mídia hoje, ainda somos um dos países que mais mata trans. Os crimes são hediondos, cruéis. Na sua opinião, por que isso acontece?

Eu não acredito que a gente tenha tido um aumento real de casos de mortes de pessoas trans. Eu acredito que a gente tenha tido um aumento de casos noticiados. Isso é muito importante, porque a atenção que se dá a esses casos tem aumentado. O Grupo Gay da Bahia faz um levantamento com dados que saem em jornais. Antes desse uso maior da internet, não era possível verificar o jornalzinho do interior do Pará, mas agora dá para fazer, você tem dados noticiados em algum portalzinho em algum canto do Brasil. Além disso a gente aumentou o número de denúncias feitas no Disque 100. Eu acredito que, conforme a visibilidade aumentar, é muito provável que a taxa de morte aumente. Não por que houve um aumento real, mas porque essas mortes foram visibilizadas. Isso é estatístico, outra coisa é o mundo [real]. Mas, sim, há muitas mortes de travestis no Brasil e isso não é questionável. Isso acontece por causa da situação em que essas pessoas estão. Quando a gente fala da morte da Dandara, a gente fala de uma tragédia de muitos níveis. A Dandara tinha HIV, então existe o estigma do HIV, que recaiu sobre ela. Além disso, há a questão de ser pobre, morar na periferia, não ter emprego, fonte de renda, escolaridade. Isso tudo constrói um cenário de morte. Quando você olha para as mortes de travestis, você vê que a maior parte das que morreram estavam na prostituição, ou estavam desempregadas, ou são muito pobres. Você não vê travestis de classe média sofrendo brutalidades tão grandes quanto as mais pobres, porque as vulnerabilidades se somam.

O Estado brasileiro é completamente ineficaz no combate à pobreza, gerar renda. A gente precisa de políticas públicas de empregabilidade. Eu acredito que, se você conceder redução no imposto sobre serviço para empresas que contratarem travestis e respeitarem a identidade de gênero delas, mais empresas vão contratá-las. O Estado precisa criar mecanismos que façam com que as empresas queiram nos contratar. Ficar dizendo por aí que é necessário combater a transfobia, mas não tomar atitudes concretas no campo das políticas públicas, não é combater preconceito. O Estado precisa agir nas vulnerabilidades. Eu não acredito que políticas de segurança, como aumento de policiamento, vá resolver esse problema. Acho que a política de segurança nisso tem que se dar em seriedade nas investigações. Mas, impedir, prevenir essas mortes, tem a ver com superar as condições que permitem essas mortes acontecerem.

Você usa bastante o Facebook no seu ativismo. Você crê que essa ferramenta tem plena utilidade, já que as bolhas que elas criam têm sido alvo de muitas críticas hoje?

A gente precisa entender várias coisas. A primeira é o papel que as redes sociais têm no acesso das pessoas às notícias, à informação. Antes, se eu visse no jornal um texto transfóbico, o máximo que eu podia fazer era escrever para o ombudsman por email. Se existe uma relação unilateral com a mídia e com acontecimentos do mundo, o Facebook, com seu alcance, permite que as coisas sejam multilaterais. Que você encontre uma infinidade de avaliações e interpretações sobre os fatos, inclusive dando voz a sujeitos que não a teriam [fora da rede social]. O Facebook deu voz a toda uma geração de ativistas trans que hoje têm grande visibilidade. Eu, Amara Moira, Daniela Andrade, Amanda Palha, Maria Clara Araújo. A internet tem suas limitações e a bolha é uma delas, não é necessariamente um problema.

Se antes as travestis do Brasil não se conheciam, hoje elas se conhecem. A bolha é também uma forma de criar uma rede de apoio de pessoas que pensam como você. Eu não teria conhecido Amara, Sofia, Maria Clara, Daniela, e a gente tem uma rede de mobilização. Esses contatos são muito importantes. Já o ativismo, ele não pode se restringir à rede social. Ela é uma parte disso, uma ferramenta. A gente precisa pensar em novas formas de ativismo, de participação, de luta. Algumas podem ser tecnológicas, então, por exemplo, tem uma startup chamada Todxs, que lançou recentemente o aplicativo com legislações do país inteiro. Esse é um uso da tecnologia para promover cidadania. A gente precisa entender essas ferramentas. A gente tem o dever de entender essas ferramentas e saber como elas podem transformar o mundo. O Facebook é positivo. Existe uma potência nessas redes que é de transformação. Glória Perez nunca fez parte da minha bolha, ela apareceu lá do nada. A gente não sabe do alcance que as coisas que a gente escreve têm.

Assim como os campos progressistas do país se organizam por meio das redes sociais, o campos conservadores também o fazem. Faz parte do jogo da democracia. A gente está um momento em que o desafio é conseguir falar com quem está fora da nossa audiência. É falar para fora de nossos grupos. E esse é o desafio de linguagem, de temática. Não é uma crise apenas do movimento trans, mas de todo campo progressista, que é a de imaginação.

O que você tem feito hoje, além disso tudo que comentou nesta entrevista?

Sou ligada a um grupo de teatro chamado Outro Grupo de Teatro. Ele me serve como laboratório de pesquisa de corpo, gênero e sexualidade, porque nosso trabalho artístico é todo voltado para questões de sexualidade e gênero. Inclusive, tivemos uma peça muito polêmica no ano passado, que fala sobre transmasculinidade, chamada Histórias Compartilhadas.

Trabalho com essas questões LGBT e agora estou caminhando um pouco para as de economia solidária. Além disso, dou palestras, tenho viajado o país inteiro, vou lançar meu livro, que é de ensaios semi-acadêmicos. Chama-se Corpo Interrompido: Crônicas de Transição, que eu lanço neste ano. Não sei com certeza ainda, por causa do excesso de trabalho. Preciso só organizar os capítulos e não consegui fazer isso ainda, porque minha rotina está muito difícil, por conta da assessoria [ao deputado], das palestras, e também por conta de outras produções. Também estou trabalhando agora em um capítulo para um livro que se chama Crise, Democracia e Esquerda no Século 21, que será organizado pela Rosana Pinheiro Machado e pela Esther Solano, duas cientistas políticas de grande prestígio. Estou escrevendo sobre os desafios de um projeto de esquerda no Brasil. Também estou escrevendo o capítulo de um livro organizado pela Heloisa Buarque de Hollanda que é sobre feminismo; neste, eu assino um capítulo sobre transfeminismo. É muita demanda. A gente pensa que o trabalho intelectual tem a ver com falar, mas eu estou descobrindo que boa parte da minha produção se dá comigo trancada no meu quarto, escrevendo, porque a demanda de escrita é muito grande. E não é um trabalho simples, tem horas em que eu não consigo. Eu também faço parte da Ssexboxx, uma empresa de consultoria para governos, empresas etc., nas questões de gênero e sexualidade. É uma organização presente no Brasil, na Espanha, na Alemanha e nos Estados Unidos.

Às vezes eu considero um problema viver tanto em torno da temática de gênero. Antes de começar a transição, eu tinha uma militância associada à educação, aos cursinhos populares, ao ingresso do jovem pobre na universidade pública, à democratização do ensino superior. E também tinha participação nos movimentos de moradia. Mas, depois da transição, parece que o mundo quer ouvir só sobre mim, ou seja, sobre ser travesti. É como se as outras dimensões da minha existência tivessem se tornado menores, como se a gente produzisse um gueto intelectual. Isso está mudando um pouco agora por causa da crítica que tenho feito. Não me chamavam para falar de política, que é um assunto que eu entendo tanto quanto gênero, me chamavam para falar de gênero sempre esperando que eu fosse falar da minha vida. É como se tudo que eu pudesse produzir, enquanto intelectual, fosse uma reflexão sobre mim, e não sobre o mundo. Enquanto de intelectuais homens se espera que eles produzam uma interpretação sobre a realidade, das trans intelectuais se espera que ela produza interpretações sobre si mesma. Isso é limitador. Tanto que, quando eu estou numa mesa de debate de filosofia e alguém me pergunta "como você se descobriu trans?", eu falo "porra, eu não estou falando disso aqui".

Como é sua carreira na academia? Você é acadêmica também, certo?

De certa forma. Sou uma outsider. Minha produção não é inerentemente acadêmica, ela ocupa um lugar que está entre os discursos acadêmico e o palatável para a população. Eu me considero muito mais uma educadora social, no sentido de que tomo por tarefa da minha militância trazer as discussões feitas na academia para pessoas fora dela — seja um burocrata do estado, um estudante, atores da TV Globo, um sem-teto, como eu estava na outra semana com um pessoal no Ceará. Eu ocupo um lugar entre o mundo e a academia.

LEIA MAIS:

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  • 1. Revolta de Stonewall
    Domínio Público
    No dia 28 de junho de 1969, um grupo de gays e lésbicas que frequentava o famoso bar Stonewall, no bairro de Greenwich Village, em Nova York, se rebelou contra a hostilidade de policiais que costumavam invadir o local, extorquir e até prender os frequentadores. Cansados da humilhação e opressão, cerca de 400 pessoas enfrentaram a polícia. Esse dia ficou marcado como o início à luta LGBT.
  • 2. Primeira Parada Gay da história
    Domínio Público
    Um ano depois da Revolta de Stonewall, em 1970, militantes saíram às ruas de São Francisco, Los Angeles e Nova York para celebrar o aniversário do ato de Stonewall. A manifestação ficou conhecida como a primeira parada gay da história
  • 3. Grupo Gay da Bahia
    Arquivo Grupo Gay da Bahia
    Em 28 de junho de 1980, é fundado o Grupo Gay da Bahia, a mais antiga associação brasileira de defesa dos gays que ainda está em atividade
  • 4. Grupo Ação Lésbica-Feminista (GALF)
    Acervo Um Outro Olhar
    Em outubro de 1981 um movimento de lésbicas é formado em São Paulo e em 19 de agosto de 1983 elas protagonizam a primeira manifestação brasileira de lésbicas no Brasil. O dia ficou marcado como o dia da visibilidade lésbica desde então.
  • 5. Movimento "Act Up"
    Act Up NY ORG
    Em 1987, ativistas formaram, em Nova York, o grupo "Act up" para discutir e propagar a política de desmistificação do vírus HIV. A intenção era conscientizar as pessoas que a Aids não era o "câncer gay", como era definida na época.
  • 6. A homossexualidade deixou de ser considerada doença
    Pacific Press/Getty Images
    Em 17 de maio de 1990, a Organização Mundial da Saúde (OMS) retirou a homossexualidade da Classificação Internacional de Doenças
  • 7. Primeira Parada do Orgulho Gay no Brasil
    Cris FagaCON/Getty Images
    Em 28 de junho de 1997 o Brasil, ganha a sua primeira Parada do Orgulho Gay em São Paulo.
  • 8. União estável entre casais homoafetivos
    Mario Tama/Getty Images
    Em 5 de maio de 2011, por unanimidade, o Supremo Tribunal Federal (STF) reconhece as uniões estáveis de homossexuais no país. A partir de então, casais homoafetivos podem desfrutar de direitos semelhantes aos de pares heterossexuais, como pensões, aposentadorias e inclusão em planos de saúde.
  • 9. Adoção de crianças por casais homoafetivos
    TIZIANA FABI/Getty Images
    Em uma decisão histórica e inédita no dia 19 de março de 2015, a ministra Carmen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal, reconheceu o direito de um casal homossexual de adotar uma criança. O acórdão foi feito no dia 5, mas publicado apenas dias depois.
  • 10. Direito ao nome social
    MARVIN RECINOS/Getty Images
    Em 28 de abril de 2016 a presidente Dilma assina um decreto que autoriza a população transexual a utilizar o chamado “nome social” nos órgãos do serviço público federal, como ministérios, universidades federais e empresas estatais.