POLÍTICA

Quem são os 5 deputados da tropa de choque de Temer

Os parlamentares que trabalham contra o avanço da denúncia do presidente e a favor das reformas trabalhista e da Previdência.

30/07/2017 18:46 -03 | Atualizado 31/07/2017 10:48 -03
Montagem / Agência Câmara
Carlos Marun (PMDB-MS), André Moura (PSC-SE), Darcísio Perondi (PMDB-RS), Beto Mansur (PRB-SP) e Aguinaldo Ribeiro (PP-PB) estão na linha de frente de defesa do presidente Michel Temer.

Defensores das reformas econômicas e na linha de frente para barrar a denúncia contra o presidente Michel Temer, aliados do peemedebista intensificaram na últimas semanas as articulações em prol do Planalto.

Integrantes de partidos da base, como PMDB, PP e PRB, os deputados monitoram dia após dia quem está contra e a favor de Temer. Na conta de aliados, entre 230 e 250 votos estão garantidos para manter o presidente no cargo.

Está prevista para a próxima quarta-feira (2) a votação da denúncia contra Temer no plenário da Câmara. São necessários 342 votos para que a Casa dê o aval para o Supremo Tribunal Federal (STF) continuar a investigação de corrupção.

De acordo com o procurador da República, Rodrigo Janot, o peemedebista seria o destinatário final de uma mala com R$ 500 mil em propina pagos pela JBS.

A fim de garantir o apoio, Temer tem intensificado a liberação de emendas parlamentares e a nomeação de indicados de aliados para cargos comissionados.

O total de emendas liberadas pelo governo nas três primeiras semanas de julho é próximo ao montante no primeiro semestre do ano, de acordo com levantamento da organização não-governamental Contas Abertas. Foram R$ 2,12 bilhões de janeiro a junho e R$ 2,11 bilhões nas três primeiras semanas de julho.

Além do apoio ao peemedebista, alguns integrantes da tropa de choque de Temer ficaram conhecidos pela proximidade com o deputado cassado e ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e tentaram evitar a cassação do mandato do parlamentar preso em decorrência da Operação Lava Jato desde outubro.

Saiba quem são os defensores do presidente:

Carlos Marun

No seu primeiro mandato como deputado federal, Carlos Marun (PMDB-MS) chama atenção pela defesa contundente de Temer com a voz alta e 1,89 de altura. Desde junho passou a integrar a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara, onde votou a favor do presidente.

"O relator ao desprezar o básico princípio básico de que ninguém pode ser punido sem que esteja provada sua culpa se ombreia com as ditaduras (...) Não há provas. Procuraram e não acharam", afirmou em sessão do colegiado sobre o relatório de Sergio Zveiter (PMDB-RJ), a favor das investigações.

Vice-líder do governo na Câmara, o peemedebista presidiu a comissão especial da reforma da Previdência. Ele se mostra convicto de que a denúncia será barrada e de que as mudanças nas regras da aposentadoria serão aprovadas o quanto antes.

Ao longo da tramitação do processo que resultou na cassação de Cunha, o deputado oi um dos articuladores de manobras para atrasar as votações e se manteve ao lado do ex-presidente da Câmara até o fim, na votação em plenário, quando votou contra cassar o mandato.

O parlamentar também apoia medidas vistas pela PGR como formas de barrar a Lava Jato, como a responsabilização de juízes e promotores.

Marun responde a processo de improbidade administrativa no Mato Grosso do Sul, onde foi secretário estadual de Habitação. O parlamentar é acusado pelo Ministério Público local de irregularidades na distribuição de casas populares.

André Moura

Líder do governo no Congresso, André Moura (PSC-SE) tem repetido o discurso de "virar a página" sobre o envolvimento de Temer na Lava Jato. Aos parlamentares, diz que devem pensar "no País" neste momento e não no período pré-eleitoral.

De acordo com o Planalto, a denúncia apresentada por Janot contra Temer é uma forma de perseguição e desestabiliza a economia, em recuperação.

No segundo mandato como deputado federal, Moura presidiu em 2015 a comissão que discutiu a redução da maioridade penal. Favorável à medida, o deputado defendeu a aprovação da emenda à Constituição também na CCJ. "É uma das maneiras que temos para barrar a impunidade", afirmou. A proposta aguarda votação no Senado.

Na cassação de Cunha no plenário, o deputado se absteve. Ao lado do peemedebista na pauta conservadora, ele é um dos autores do projeto de lei 5069/13, que inviabiliza o aborto legal para vítimas de violência sexual.

No âmbito dos direitos LGBT, o parlamentar é um dos autores do projeto de lei para sustar portaria do Ministério da Educação (MEC) que criou um comitê consultivo para desenvolver políticas de gênero.

No STF, Moura é investigado por suposta participação em tentativa de homicídio envolvendo uma disputa política no Sergipe. O deputado também foi condenado no estado por improbidade administrativa.

Na Lava Jato, Moura é alvo de inquérito que investiga corrupção ativa, passiva e lavagem de dinheiro. Ele é um dos parlamentares suspeitos de ter ajudado Cunha a alterar medidas provisórias de interesse de empreiteiras ou a pressionar empresários. O deputado nega todas acusações.

Darcísio Perondi

Relator da emenda à Constituição que estabeleceu o teto de gastos públicos, Darcísio Perondi (PMDB-RS) está à frente da defesa das reformas econômicas do governo Temer. Atuou pela aprovação do teto e da reforma trabalhista e se empenha pelas alterações nas regras da Previdência.

Em julho, comemorou o resultado na CCJ, que recomendou que o STF não continue as investigações contra Temer. Ele passou a integrar o colegiado a fim de garantir um placar a favor do peemedebista.

No sexto mandato na Câmara, Perondi diz que a gravação feita por Joesley Batista de conversa com o presidente é ilícita e que "foi tudo uma grande armação".

De acordo com o parlamentar, Janot está ao lado de "setores privilegiados" como integrantes do serviço público federal, incluindo juízes e promotores que seriam prejudicados com a reforma previdenciária.

Beto Mansur

À frente do mapeamento de votos a favor de Temer, o vice-líder do governo Beto Mansur (PRB-SP) está no quinto mandato como deputado federal. É engenheiro, fazendeiro e dono de diversos veículos de comunicação.

Em junho, o parlamentar comemorou decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que não cassou a chapa que elegeu Dilma Rousseff e Temer, e defendeu a aprovação das reformas econômicas.

Quando Cunha estava no comando, Mansur foi primeiro-secretário da Casa, um tipo de prefeito da Câmara. Foi também um dos signatários do documento que concedeu ao peemedebista a continuidade de benefícios após o afastamento pelo Supremo.

De acordo com levantamento da Agência Lupa divulgado em julho de 2016, Mansur responde a 56 ações na Justiça ou em Tribunais de Contas do País.

O parlamentar foi condenado em primeira instância devido às condições de trabalho análogas à escravidão a que empregados em suas fazendas eram submetidos. A indenização foi de R$ 200 mil e os recursos foram negados.

Mansur também foi condenado por improbidade administrativa e teve de ressarcir os cofres públicos por contrato de fornecimento de cestas básicas firmado com dispensa irregular de licitação pelo município de Santos (SP).

Em setembro de 2016, presidiu sessão da Câmara em que deputados tinham a intenção de votar, de surpresa, uma proposta para anistiar o crime de caixa dois. O texto não foi votado e ninguém assumiu a autoria da articulação.

Em conversa interceptada pela Polícia Federal em maio, Mansur fala que Temer pode ficar "com a bunda na janela". O parlamentar conversava com Rodrigo Rocha Loures, o ex-assessor do Planalto e alvo da denúncia em que o presidente é investigado, sobre a situação do peemedebista.

O diálogo era sobre o Pré-93, projeto que autoriza a renovação de contratos de arrendamento no porto de Santos por mais 35 anos. "Usei termo chulo, de gíria, não tem nada de mais grave nisso e nem ilícito. Da minha parte não mexo com coisa errada", disse o deputado, na ocasião.

Aguinaldo Ribeiro

Líder do governo na Câmara, Aguinaldo Ribeiro (PP-PB) vem de uma família de políticos na Paraíba e está no segundo mandato como deputado federal.

Na votação da denúncia de Temer na CCJ, o parlamentar afirmou que o Brasil vive um "estado policialesco" em que "todos da política são condenados previamente", antes do julgamento. De acordo com ele, no caso do presidente, "não existem provas".

No governo Dilma, o deputado foi ministro das Cidades. Na comissão especial do impeachment da petista, foi contra o afastamento, mas mas no plenário votou a favor de sua saída, seguindo a tendência do partido.

Atuou de forma semelhante com Cunha. Esteve ao lado do peemedebista até perto de ele perder o mandato, mas na hora da votação aberta votou contra o ex-presidente da Câmara, pressionado pela opinião pública.

Evangélico, Aguinaldo Ribeiro apresentou proposta para liberar recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para financiar a construção de templos religiosos, mas o texto não foi aprovado.

Ele também propôs isentar "entidades religiosas" de pagarem a contribuição para a Previdência Social de remunerações relacionadas a obras de construção de templos. A matéria também não foi aprovada.

Na Lava Jato, o deputado foi acusado pelo doleiro Alberto Youssef de receber pagamentos mensais para votar com o governo do PT no Congresso. Ele também foi citado como integrante do esquema de corrupção na delação da Odebrecht.

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