MULHERES

Uma mulher foi assediada pelo 'anfitrião' do Airbnb. E ela quer que a empresa se responsabilize

"Comportamento abominável como o descrito não tem lugar na nossa comunidade e não será tolerado", diz o Airbnb.

28/07/2017 16:34 -03 | Atualizado 28/07/2017 17:05 -03
Getty Images/iStockphoto

Uma americana foi assediada sexualmente por um anfitrião do Airbnb. Agora, ela entrou na Justiça para que a empresa também se responsabilize pela violência sofrida.

O processo, apresentado na última quinta-feira (27) por Leslie Lapayowker, levanta a discussão sobre as responsabilidades legais da empresa de tecnologia diante de violações de leis por seus anfitriões ou envolvimento em condutas criminosas.

Tudo começou em julho de 2016. Lapayowker, moradora do estado de Novo México, mudou-se para a cidade de Los Angeles. Ela resolveu alugar um apartamento pequeno no Airbnb enquanto procurava moradia fixa.

De acordo com o Guardian, Carlos Del Olmo era considerado um "Super Host" pelo Airbnb - alguém com avaliações positivas, o que passa confiança para o hóspede no momento de alugar acomodações por curta temporada.

"Eu assumi que eu estaria em boas mãos", disse Lapayowker ao jornal britânico.

Porém, de acordo com a hóspede, ela ficou "assustada" com o comportamento do anfitrião quando ele começou a lhe fazer comentários sexualmente sugestivos.

Lapayowker resolveu deixar o apartamento de Del Lomo após três noites no lugar. Quando foi buscar os seus pertences, o homem disse que precisava mostrá-la alguma coisa. Imediatamente ele a trancou em um quarto, tirou a sua roupa e começou a se masturbar na frente da hóspede, pedindo que ela "o ajudasse".

De acordo com o relato da hóspede, Del Lomo ignorou qualquer pedido para que parasse com aquilo.

"Eu estava completamente chocada. Eu estava totalmente fora de mim. Eu estava aterrorizada que ele descobrisse onde eu moro e viesse atrás de mim", contou ao Guardian.

Assim como muitas mulheres vítimas de violência sexual, a americana hesitou procurar a polícia para relatar o ocorrido com medo de represálias.

Porém, alguns dias após o trauma, ela relatou o crime ao Airbnb, que baniu o usuário de seu site. Lapayowker também levou o caso à Justiça, mas as autoridades se recusaram a levar o julgamento adiante por falta de provas.

Depois do ocorrido, o que mais surpreendeu a americana foi a descoberta de que Del Lomo já tinha passagens pela polícia.

De acordo com o advogado da mulher, Del Olmo já havia sido denunciado na Flórida por um caso de violência doméstica.

Porém, como não houve nenhuma condenação do caso, Del Lomo pôde se cadastrar na plataforma.

"Eu estava apenas furiosa. Por que eles deixariam alguém assim ser um anfitrião?", desabafou a americana.

O Airbnb alega que todos os hóspedes e anfitriões dos Estados Unidos passam por uma checagem de antecedentes criminais.

"Estamos chocados pelos relatos do que aconteceu com nossa hóspede e removemos o anfitrião imediatamente da nossa plataforma. Comportamento abominável como o descrito não tem lugar na nossa comunidade e não será tolerado. Estamos tentando apoiar a hóspede da forma que for possível e manteremos esse esforço. A segurança da comunidade Airbnb é a coisa mais importante na qual trabalhamos diariamente. Nenhuma pessoa deve passar por algo assim e temos dimensão do quanto isto deve ter sido difícil para nossa hóspede. Nós fazemos checagem de antecedentes com todos os hóspedes e anfitriões residentes dos Estados Unidos para identificar cruzamentos com listas de monitoramento de terroristas, sanções financeiras, condenações criminais, registros de criminosos sexuais e contravenções pertinentes", argumentou Nick Shapiro, diretor global de Confiança e Gerenciamento de Risco do Airbnb, em nota enviada ao HuffPost Brasil.

Ao Guardian, ele alegou que o encontro com Lapayowker foi "consensual". "Essa mulher apenas mentiu completamente e inventou isso tudo", se defendeu.

Para a mulher, a empresa tem sido "negligente" com o caso.

"Foi horrível, e acho que todos deveriam ser avisados de que isso poderia acontecer com eles ou sua filha ou sua esposa ou sua irmã. Eu sinto que eles não se importam. Todo o modelo é apenas para obter o máximo de negócios possíveis", acrescentou.