POLÍTICA

Por que a prisão de um ex-presidente da Petrobras é um marco na Lava Jato

Pela primeira vez um ex-presidente da Petrobras é protagonista de uma ação da maior investigação de combate à corrupção do País. 

28/07/2017 16:19 -03 | Atualizado 28/07/2017 16:19 -03
Sergio Moraes / Reuters
Aldemir Bendine foi preso pela suspeita de ter recebido R$ 3 milhões em propina da Odebrecht.

Era início de 2015, Maria das Graças Foster deixa a presidência e outros diretores renunciam a cargos na Petrobras.

A então presidente Dilma Rousseff tinha uma missão em suas mãos, indicar um sucessor para Foster capaz de anunciar os danos causados pela corrupção no balanço de 2014 e reerguer a estatal.

Depois de ouvir muitas recusas, chegou aos ouvidos de Dilma o nome de Aldemir Bendine, que presidia o Banco do Brasil. Bendine, que iniciou a carreira no Banco do Brasil como menor aprendiz, convenceu Dilma de que era pessoa que ela procurava.

Dois meses depois do encontro, no comando da Petrobras, anunciou um rombo de R$ 21,5 bilhões nas contas da estatal, R$ 6,2 bilhões por causa da corrupção.

"A gente está com sentimento, diríamos até de vergonha, por tudo isso que a gente vivenciou. Eu faço um pedido de desculpa em nome dos empregados da Petrobras porque hoje eu sou um deles", disse à época.

Dois anos depois, o mesmo que estava com vergonha pelos prejuízos na estatal é preso pela suspeita de ter recebido R$ 3 milhões em propina da Odebrecht.

Segundo o Ministério Público Federal, com base na delação da Odebrecht, os pedidos de propina começaram na época em que comandava o Banco do Brasil e seguiu enquanto esteve na presidência da Petrobras.

Marco

A prisão de Bendine, na quinta-feira (27), é um marco na Operação Lava Jato.

Pela primeira vez um ex-presidente da Petrobras foi protagonista de uma ação da maior investigação de combate à corrupção do País.

Até então, a narrativa da operação se concentrava no núcleo político e se sustentava no argumento de que a empresa era vítima de um esquema.

Com a prisão de Bendine, a Petrobras passa a ser agente do crime.

assustador que, na altura das investigações, encontremos uma pessoa que foi indicada para estancar a corrupção e e tenha, segundo as evidências, praticado crimes nesse sentido. É assustador", resume o procurador Athayde Ribero da Costa, em entrevista coletiva para explicar a ação que prendeu Bendine.

O cobra

No pedido de prisão, o Ministério Público Federal ressaltou que o ex-presidente da Petrobras, que tem cidadania italiana, viajaria nesta sexta-feira (28) para Portugal e que a força-tarefa não havia identificado se Bendine tinha comprado passagem de volta.

A defesa nega intenção de Bendine em não voltar de viagem e apresentou à imprensa passagem de volta.

O advogado Pierpaolo Bottini acrescenta ainda que Bendine sempre se colocou à disposição para depor e colaborar com a Justiça.

A operação foi batizada de Cobra, em alusão ao apelido usado para se referir ao ex-presidente da estatal na planilha da Odebrecht.

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