POLÍTICA

Após denúncia de corrupção, 70% consideram governo Temer ruim ou péssimo

É o pior índice de avaliação do presidente, de acordo com pesquisa CNI/Ibope.

27/07/2017 10:14 -03 | Atualizado 27/07/2017 12:02 -03
Adriano Machado / Reuters
Presidente Michel Temer tem pior avaliação medida pela pesquisa CNI/Ibope.

A avaliação do governo de Michel Temer caiu desde março, de acordo com pesquisa CNI/Ibope divulgada nesta quinta-feira (27). É a primeira sondagem após a delação da JBS, que serviu de base para o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, denunciar o presidente por corrupção.

Para 70% a gestão é ruim ou péssima, para 21% regular e 5% avaliam a gestão como boa ou ótima. Outros 3% não souberam opinar ou não responderam. É o pior nível da gestão do peemedebista.

Na sondagem anterior, para 55% a gestão era ruim ou péssima, para 31% regular e 10% avaliam a gestão como boa ou ótima. Outros 4% não souberam opinar ou não responderam.

Entre os entrevistados, 83% desaprovam a maneira de governar do peemedebista, 11 % aprovam e 5% não responderam. Antes, 73% desaprovavam, 20% aprovavam e 7% não responderam.

A queda na aprovação se deu em todas as nove áreas específicas avaliadas, sendo que o pior resultado foi em impostos (87% desaprovam) e saúde (85% desaprovam).

Sobre a confiança no presidente, 10% confiam e 87% não confiam. Na última sondagem, 17% confiava e 79% não confiava.

Os dados foram coletados entre os dias 13 a 16 de junho, com 2 mil pessoas em 125 municípios. A sondagem tem dois pontos percentuais de margem de erro para mais ou para menos e grau de confiança de 95%.

O governo de Dilma Rousseff, em março de 2016, teve 10% de ótimo ou bom como avaliação, enquanto 69% julgaram seu segundo mandato como ruim ou péssimo.

Em relação ao governo da petista, 52% acham que o governo Temer está sendo pior que o governo Dilma, 11% acham que está melhor, 35% igual e 2% não souberam ou não responderam.

Na avaliação anterior, 18% consideravam melhor, 38% igual e 41% pior. Não sabiam ou não responderam 3%.

Sobre as perspectivas em relação ao restante do governo Temer, 9% consideram ótimo ou bom, 22%, regular; 65%, ruim ou péssimo e 5% não souberam ou não responderam. Na sondagem anterior, os percentuais eram de 14%, 28%, 52% e 6%, respectivamente.

Na avaliação de Renato Fonseca, gerente-executivo de Pesquisa e Competitividade da CNI, "certamente a questão da JBS foi um dos fatores que determinaram a piora nessa popularidade". Ele apontou ainda dificuldades de aumento salarial, desemprego e a percepção da população sobre os preços como fatores de insatisfação.

Diferenças

Entre os entrevistados com renda familiar de mais de cinco salários mínimos, o percentual de aprovação da maneira de governar do presidente Temer é de 22%, o dobro do percentual considerando o total da amostra.

Enquanto nas capitais 86% desaprovam a maneira de governar do presidente, nos municípios do interior o percentual é de 82%.

O percentual dos que avaliam o governo Temer como ruim ou péssimo nas regiões Norte e Centro-oeste cresce 23 pontos percentuais (p.p.), enquanto no país como um todo o crescimento é de 15 p.p..

Na percepção de 64% dos entrevistados, as notícias recentes são mais desfavoráveis ao governo. Na pesquisa de março, eram 54%. Os temas de notícias mais citados foram corrupção no governo (16%), reforma trabalhista (10%) e Operação Lava Jato (9%).

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