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Joesley: 'Sou um novo ser humano com coragem para romper elos de corrupção'

"Resolvi escrever não para me vitimar, mas para acabar com mentiras e folclores e dizer que sou feito de carne e osso."

24/07/2017 11:32 -03 | Atualizado 24/07/2017 12:05 -03
Brazil Photo Press/CON via Getty Images
Joesley Batista escreve artigo na Folha de S. Paulo.

Em maio, os irmãos Batista estiveram no epicentro da discussão política nacional após conteúdos da delação premiada dos empresários no âmbito da Operação Lava Jato terem vindo à público.

Dois meses depois, ou melhor, "67 dias e 67 noites", Joesley Batista escreveu um artigo sobre as investigações e acusações, publicado no último domingo (23), no jornal Folha de S. Paulo.

No texto, Batista afirma se sentir um "novo ser humano" após a divulgação de informações sobre o esquema de propina e corrupção em que sua empresa esteve envolvida e políticos como Michel Temer, Eduardo Cunha e Aécio Neves foram citados.

Temer foi gravado em um áudio com Joesley Batista em que teria pedido a compra do silêncio do ex-deputado Eduardo Cunha. O empresário da JBS afirmou na delação que pagou R$5 milhões ao deputado após a sua prisão.

"Senti-me um novo ser humano, com valores, entendimento e coragem para romper com elos inimagináveis de corrupção praticada pelas maiores autoridades do nosso país."

O empresário fez uso do espaço do jornal para justificar e oferecer o seu ponto de vista sobre os ocorridos.

De acordo com ele, a primeira reação após o vazamento do conteúdo do acordo premiado pela imprensa foi de "medo" e "preocupação". Ele esperava que o conteúdo passasse pelos ritos e análises do Supremo Tribunal Federal, o que lhe daria um prazo de no mínimo um mês até a publicação do conteúdo.

Ele também nega que saiu do país e foi morar em Nova York. Joesley e sua família deixaram sim o Brasil, mas estavam vivendo em um interior dos Estados Unidos.

"Imagens minha e da minha família embarcando num avião, tiradas do circuito interno do Aeroporto Internacional de Guarulhos, foram exibidas na TV, como se estivéssemos fugindo. Um completo absurdo."

Em outra parte do texto, o empresário critica a simplificação dos fatos. Segundo ele, "mentiras foram alardeadas em série" e teria sido "vendida" uma "imagem perfeita" do "empresário que irresponsável e aproveitador toca fogo no país, rouba milhões e vai curtir a vida no exterior".

"Minha exata localização nem seria assim tão relevante, a não ser por revelar uma estrutura armada com o objetivo de transformar a realidade complexa, plena de nuances, num maniqueísmo primário, em que eu deveria ser o mal para que outros pudessem ser o bem."

Após acordo de delação premiada, a JBS recebeu o perdão judicial - medida que foi considerada um "absurdo" pelo advogado de Michel Temer.

"O perdão é ilegal. Os benefícios são absolutamente exagerados. Estamos diante de uma delação como instrumento da impunidade. A impunidade é o maior benefício que esses homens receberam", declarou o advogado Antonio Claudio Mariz de Oliveira.

Porém, Joesley justifica que a multa de R$ 10,3 bilhões que a empresa deve pagar será mais do que suficiente para os cofres do país.

"Essa obrigação servirá para que nossas próximas gerações jamais se esqueçam dessa lição do que não fazer. Não tenho dúvida de que esse acordo pagará com sobra possíveis danos à sociedade brasileira."

Sobre os políticos, o dono da JBS diz que não "julga" aqueles que estão em "modo de negação".

"Sei o que é isso. Antes de me decidir pela colaboração premiada, eu também fazia o mesmo. Achava que estava convencendo os outros, mas na realidade enganava a mim mesmo, traía a minha história, não honrava o passado de trabalho da minha família."

O empresário afirmou estar focado em resolver a saúde financeira das empresas e proteger a sua família.

"Resolvi escrever este artigo, não para me vitimar –o que jamais fiz–, mas para acabar com mentiras e folclores e dizer que sou feito de carne e osso. E entregar ao tempo a missão de revelar a razão."

Leia o texto completo

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