COMPORTAMENTO

19 filmes para relembrar os perrengues e delícias da adolescência

Crescer, se enturmar, definir um gosto próprio e fazer escolhas que contrariam os pais são só o começo dessa saga.

22/07/2017 15:39 -03 | Atualizado 22/07/2017 15:51 -03
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O cinema sabe que crescer é um desafio universal, vivido em qualquer canto do mundo.

"A pior de todas as mentiras é a própria adolescência. Tiram todas as suas vantagens da infância e não dão nenhuma dos adultos."

Não seria estranho pensar que muitos de nós poderíamos ter feitos das palavras de Valéria, do filme O Clube dos Incompreendidos, as nossas. Crescer se torna sinônimo de dor e de separação, com um pouco mais de drama aqui, e de revolta acolá. Vai depender de cada pessoa.

Mas o fato é que esse rito de passagem tão fundamental para a vida adulta traz uma série de conflitos bastante angustiantes. Alguns deles chegam a ser repetidos até o sujeito envelhecer, sem uma solução ou algo que pacifique os sentimentos. E o sofrimento, nessa fase, muitas vezes acaba passando despercebido.

O cinema sabe que crescer é um desafio universal, vivido em qualquer canto do mundo. Envolve escolhas, riscos, decisões, arrependimentos e um montão se sentimentos imprevisíveis. Enquanto que para uns é o momento de encontrar a própria turma, pra outros é pura solidão. Goonies, O Clube dos Cinco, a saga Harry Potter, Meninas Malvadas, 10 Coisas que Odeio em Você, As Vantagens de Ser Invisível.

Difícil não se identificar com algum personagem e relembrar, hoje com nostalgia, aquilo que já foi sentido como a maior dificuldade das nossas vidas. Foi por isso que reunimos alguns filmes que trazem um recorte interesse desse período, evocando memórias daquele tempo em que tudo parecia novidade.

O Sonho de Greta (Girl Asleep)

Rosemary Myers – Austrália, 2015

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Os 15 anos de Greta estão chegando e a garota, bastante tímida, é obrigada a fazer uma festa para celebrar a data. Com pouquíssimos amigos, deslocada na escola e sem qualquer pretensão de ir além de seu mundo particular, Greta fica apavorada com a ideia. Os conflitos com o desejo dos pais são praticamente uma certeza na adolescência, mas a graça desse filme – além de Bethany Whitmore, a adorável protagonista – é que a transição para o mundo adulto é bastante fantasiosa e onírica, mas sem negar o realismo e a violência que essa travessia traz. O filme foi selecionado para o Festival de Berlim.

Conta Comigo (Stand By Me)

Rob Reiner – EUA, 1986

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Stephen King é conhecido por suas ficções aterrorizantes, mas no conto que inspira este filme, chamado O Corpo, o suposto horror da adolescência ganha um polimento de ternura e destaca sentimentos como a lealdade e o luto. Por volta dos 12 anos, quatro amigos de uma cidade no interior dos EUA saem à procura do corpo de um adolescente desaparecido na mata. A aventura que eles buscam fora passa a ser descoberta neles mesmos, com todas as angústias e as confusões trazidas pelo amadurecimento. O filme se tornou um clássico e marcou pela aparente simplicidade do roteiro e pelas atuações de Kiefer Sutherland e River Phoenix, na época em início de carreira.

C.R.A.Z.Y.

Jean-Marc Vallé – Canadá, 2005

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Muitas das tensões vividas na adolescência vêm do confronto entre a identidade que vai se formando e a separação dos ideais dos pais. Zac ilustra bem esta corda-bamba: ao mesmo tempo em que percebe a emergência de sua homossexualidade, ele tenta agradar ao pai, um homem muito rigoroso e conservador. Apesar da premissa do filme denunciar sofrimento, o diretor faz um recorte belo e bem-humorado para mostrar o crescimento do garoto. A começar pelo título: C.R.A.Z.Y. são as iniciais dos cinco filhos. A cena em que Zac canta Space Oddity, de David Bowie, é dos momentos mais poéticos e inesquecíveis do cinema contemporâneo.

Short Term 12

Destin Daniel Cretton – EUA, 2013

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Este filme independente, feito com recursos bastante econômicos, esbanja riqueza nas emoções. Brie Larson interpreta uma jovem que trabalha em um lar para crianças e adolescentes abandonados. Sem pieguice, mas com muita sensibilidade, o drama costura as histórias dos moradores do lar com as feridas de quem tenta preencher o próprio buraco da existência por meio de trabalhos devotados como este. Os personagens são mostrados em sua comovente singularidade, sem qualquer generalização. A atuação de Brie é ainda mais impactante que aquela que lhe rendeu o Oscar por O Quarto de Jack. Prepare muitos, muitos lencinhos.

O Mundo de Leland (The United States of Leland)

Matthew Ryan Hoge – EUA, 2003

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Ryan Gosling interpreta Leland, um adolescente que precisa lidar com a ausência do pai e as dores de um amor não correspondido. Em meio a essas turbulências, ele tenta entender as expressões do amor e da empatia e descobre, pela violência, o quanto sua vivência está distante da lei. A amarga descoberta, porém, vem acompanhada pela compaixão de um professor. O filme é independente e reúne um elenco bastante renomado: além de Gosling, tem Michelle Williams, Don Cheadle, Kerry Washington e Kevin Spacey, que produziu o filme.

Agora e Sempre (Now and Then)

Lesli Linka Glatter – EUA, 1995

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Quem cresceu na década de 90 provavelmente vai se lembrar dos passeios de bicicleta dessas quatro amigas. Eram o caminho para as várias revelações vindas com a puberdade, vividas com a intensidade dramática típica de quando tivemos 12 anos e achamos que o fim do mundo acontecia toda hora. Mudanças no corpo, paixões platônicas, mistérios e separação dos pais recheiam a história com leveza e emoção. Ao mesmo tempo, as meninas precisam lidar com as diferenças de interesses que vão surgindo entre elas.

Antes que o Mundo Acabe

Ana Luiza Azevedo – Brasil, 2009

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Daniel tem 15 anos e vive no interior gaúcho. Sua rotina parecia bem tranquila até receber uma carta do pai, que jamais conheceu e que escreve da Tailândia. A ansiedade em descobrir o homem por trás do fotografo famoso se junta a um conflito amoroso difícil de administrar: a garota que Daniel ama está a fim do melhor amigo dele. O filme dá a sutileza necessária para as emoções de Daniel e deixa espaço para que o personagem cresça na trama e vá mostrando a riqueza das coisas simples da vida, inclusive quando tudo parece desmoronar.

Bem-vindo à Casa de Bonecas (Welcome to the Dollhouse)

Todd Solondz – EUA, 1995

defd/Kinoarchiv

Impopularidade na escola, bullying, autoestima lá embaixo e problemas de relacionamento com a própria família fazem do dia a dia de Dawn um verdadeiro pesadelo. Encontrar um lugar para comer o almoço no refeitório da escola é apenas uma das inúmeras metáforas usadas para ilustrar as dificuldades da adolescente. Mas enquanto tudo conspira contra, ela resiste ao pessimismo e sonha em conquistar um cara mais velho. Apesar de nossa empatia imediata com Dawn, não espere condescendência ou delicadeza do diretor Todd Solondz, sempre disposto a mostrar a acidez da classe média americana.

Inquietos (Restless)

Gus Van Sant – EUA/Reino Unido, 2011

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Elefante (2003) e Paranoid Park (2007) já tinham mostrado o quanto Gus Van Sant é um dedicado leitor das emoções adolescentes. Mas é em Inquietos que sua lente fica ainda mais próxima deste universo ao acompanhar o romance dos jovens Enoch e Annabel. Algo morre dentro de cada um deles, mas é o renascimento de uma série de sentimentos que define a graça e a poesia deste belo filme.

Fish Tank

Andrea Arnold – Reino Unido/Holanda, 2009

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Mia tem 16 anos e sonha se tornar uma dançarina profissional de break. Ao mesmo tempo em que ensaia passos conhecidos e repetidos quase que mecanicamente, ela se arrisca nos sentimentos novos que surgem na adolescência, ativados principalmente pela chegada do novo padrasto. Isso acentua a rivalidade com a mãe e a deixa ainda mais solitária. Longe do melodrama, Arnold propõe um olhar mais naturalista e observador sobre os conflitos da garota.

As Melhores Coisas do Mundo

Laís Bodanzky – Brasil, 2010

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Neste adorável filme brasileiro, Hermano, um garoto de 15 anos, experimenta uma adolescência cheia de rupturas. A primeira delas acontece dentro de si, por conta de sua transição para a vida adulta, mas o entorno também chacoalha bastante: os pais estão se separando e o irmão mais velho já não tem mais perspectivas na vida. Em vez de tornar tudo isso um grande dramalhão, Bodanszky conta sua história com diversão e empatia, dando espaço para que os conflitos de Hermano e do irmão não sejam subestimados, além de mostrar novos desenhos da família contemporânea.

O Clube dos Incompreendidos (El Club de Los Incompreendidos)

Carlos Sedes – Espanha, 2014

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Seis adolescentes com problemas na escola precisam conviver em uma atividade promovida pelo orientador psicológico. A sensação de déja vu certamente aparece por causa do clássico americano O Clube dos Cinco, de John Hughes, mas o filme espanhol tem seu charme particular ao mostrar que a amizade pode ser um princípio de convivência, e não apenas uma solução dos problemas ou um final feliz. Os conflitos, aqui, chegam a ser sérios, ainda que precisem ser aprofundados, e as soluções são um pouco simplistas, mas vale a sensação de ver que essa etapa da vida costuma ser vivida com angústias universais no Ocidente. Ivana Baquero, que interpreta a adolescente Meri, certamente é familiar: ela era a graciosa Ofelia de Labirinto do Fauno.

Charlie, Um Grande Garoto (Charlie Bartlett)

Jon Poll – EUA, 2008

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O talentoso Anton Yelchin dá vida e leveza ao garoto Charlie, um adolescente rico, inteligente e criativo que se torna popular na escola pública ao traficar medicamentos psiquiátricos para os colegas. A premissa do filme é excelente e poupa o espectador de se ater apenas ao entretenimento, levando-no a pensar em uma realidade familiar, em que os problemas emocionais dos adolescentes muitas vezes são descredenciados pelos adultos e enxergados apenas quando há falha no desempenho escolar. É um dos papéis mais marcantes de Yelchin, morto ano passado, aos 27 anos, por um acidente de carro.

Garotas Inocentes (Very Good Girls)

Naomi Foner – EUA, 2014

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Elizabeth Olsen, a irmã mais nova das gêmeas Olsen, e Dakota Fanning interpretam duas amigas que pretendem perder a virgindade no verão. Mas o filme vai falar de outros ritos de iniciação na vida, como as perdas e as frustrações. É delicado na medida e sem condescendência, traçando duas adolescentes bastante singulares. A dupla de protagonistas certamente segura o carisma.

Juno

Jason Reitman – EUA, 2007

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Impossível ser indiferente e não sorrir com Juno, uma garota de 16 anos que descobre estar grávida do namorado e decide doar a criança depois de cogitar um aborto. Talvez seja a adolescente mais carismática do cinema. A sensação de estar perdida no mundo, de abandono, de despreparo, a angústia de não entender os próprios sentimentos – Juno está assombrada pelos próprios medos, mas percorre um caminho que dá um sentido diferente a todos eles.

Jovens, Loucos e Rebeldes (Dazed and Confused)

Richard Linklater - EUA, 1993

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O último dia de escola é um verdadeiro ritual para os adolescentes deste filme, interpretados por gente que mais tarde se tornaria estrela em Hollywood, como Milla Jovovich, Matthew McConaughey e Ben Affleck. Os estereótipos estão garantidos neste colégio em Austin, no Texas, mostrando boa parte dos moldes da sociedade americana que tanto privilegia o sucesso e a vitória. Porém, nem tudo é força e autenticidade nesta época da vida; geralmente, o que ocorre vai bem na contramão disso.

De Cabeça Erguida (La Tête Haute)

Emmanuelle Bercot – França, 2014

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Para a sociedade, Malony é o delinquente que só tem conserto trancafiado na cadeira. Raivoso, ele rouba, agride e tumultua todas as relações. Mas para a juíza de crianças e adolescentes Florence, ele é, fundamentalmente, o garoto neglicenciado pela mãe e rejeitado pelo sistema. A beleza desse filme é mostrar o valor da persistência e do olhar, e o realismo das dificuldades enfrentadas pelas ações de socialização de jovens envolvidos com delinquência. A obra foi selecionada para abrir o Festival de Cannes 2015.

Depois de Lúcia (Despues de Lucía)

Michel Franco – México/França, 2012

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Não há nada de delicado neste filme que expõe as crueldades potenciais dos seres humanos. Na adolescência, então, as humilhações e agressões acabam por mergulhar a entrada na vida adulta em registros bastante traumáticos. O bullying dá o tom à vida de Alejandra, de 15 anos, na nova cidade. A mudança, feita com o objetivo de superar a morte da mãe, traz conflitos insuportáveis para a menina. Um filme para poucos estômagos.

Little Boxes

Rob Meyer – EUA, 2016

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Clark é um adolescente que se muda com a família de Nova York para uma pequena cidade no estado de Washington. Fora todas as modificações emocionais e físicas trazidas pela adolescência, ele precisa lidar com os conflitos de identidade trazidos pelo racismo e pelas diferenças culturais. Uma boa maneira de pensar as questões raciais na adolescência.

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