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Homens cristãos são mais hipócritas sobre pornografia, diz estudo dos EUA

Pesquisa indica que proporção de evangélicos e protestantes que condenam pornô, mas assistem é maior que outros grupos.

21/07/2017 20:34 -03 | Atualizado 22/07/2017 10:40 -03
Halfpoint via Getty Images
Protestantes evangélicos demonstram divergência entre suas crenças e sua prática sobre pornografia.

Uma pesquisa da Universidade de Oklahoma, no sul dos Estados Unidos, revela que há maior hipocrisia entre homens cristãos sobre pornografia do que entre aqueles que não são religiosos. O pesquisador Samuel L. Perry reuniu dados sobre o estilo de vida de 2,2 mil americanos em 2006. Os resultados foram publicados nesta quinta-feira (20) pelo Journal of Sex Research.

O estudo intitulado "Not practising What You Preach: Religion and Incongruence Between Pornography Beliefs and Usage" pode ser traduzido literalmente como "Não Praticando O Que Você Prega: Religião e Incongruência Entre Crenças sobre Pornografia e Utilização".

Segundo a apuração de Perry, 10% dos norte-americanos que consideram pornografia como algo "sempre moralmente errado" haviam assistido a filmes pornô no ano anterior. Os evangélicos tiveram 2,5 vezes maior probabilidade que homens sem religião de se opor à pornografia.

Em entrevista para o site americano PsyPost, Perry relatou os dados dessa divergência:

"Entre os americanos que nunca frequentavam a igreja, apenas 7% dos homens revelaram uma incoerência entre suas crenças e sua prática [de ver pornô]. Mas, entre aqueles que mais frequentavam instituições religiosas, mais de 25% dos homens demonstraram incoerência. Isso significa que 1/4 dos homens que frequentam igrejas várias vezes por semana dizem que pornografia é sempre imoral, mas assistem do mesmo jeito. Os resultados foram similares para frequência de orações."

O artigo concluiu que "compromisso religioso e afiliação ao conservadorismo teológico podem influenciar os americanos, notadamente homens, a se opor à pornografia mais fortemente em teoria do que na prática real".

Entre as limitações do estudo, está a ausência da aferição da frequência com que os americanos assistem a pornô. Os dados só indicam se os entrevistados assistiram no ano anterior -- e não quantas vezes.

A pesquisa não detectou a hipocrisia relacionada à crença e à prática entre as mulheres.

De acordo com Kassia Wosick, professora de sociologia da Universidade Federal de Novo México, em entrevista à emissora de televisão americana NBC, a indústria pornográfica movimenta US$97 bilhões por ano no mundo e entre US$10 e US$12 bilhões dessa receita vem dos EUA.

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