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Doria nega jatos de água em moradores de rua, mas admite que ação foi 'descuidada'

O prefeito usou as redes sociais para dizer que reportagem publicada pela CBN não tinha sido 'checada'.

20/07/2017 12:36 -03 | Atualizado 20/07/2017 13:00 -03
Reproudção
O prefeito usou as redes sociais para dizer que reportagem publicada pela CBN não tinha sido 'checada'.

Na última quarta-feira (19), uma ação da prefeitura de São Paulo acendeu a discussão sobre o tratamento dado pelos agentes públicos aos moradores de rua na capital.

O prefeito da cidade, João Doria, usou suas redes sociais para falar sobre o tema.

Em vídeo no Facebook, ele afirmou que reportagens veiculadas sobre jatos de água em moradores de rua eram falsas.

"A informação foi difundida de maneira equivocada. As equipes de limpeza fazem a limpeza todas as manhãs: varrição e limpeza de pisos. Jamais algum profissional foi orientado a jogar jatos d'água em moradores. É uma mentira. E ninguém checa a informação, que jornalismo é esse? Não houve e nem haverá jatos d'água."

Porém, o prefeito afirmou que a ação da limpeza neste dia específico foi "descuidada" e molhou os cobertores de algumas pessoas que ocupavam a Praça da Sé, no centro de São Paulo, enquanto os termômetros marcavam em média 10ºC.

"Alguns cobertores foram molhados. Inclusive, hoje distribuímos novos cobertores para essas pessoas. Gaste pelo menos 2 minutos para checar se a informação é verdadeira."

Em uma ação padrão da prefeitura de limpezas de praças e ruas, os moradores de rua reclamaram de jatos de água que molharam cobertores e tendas.

Em entrevista a Folha, pessoas que ocupavam a Praça da Sé relataram terem sido acordadas com o vapor de água enquanto fazia 12º graus na cidade.

Eles precisaram desmontar as barracas e recolher os pertences às pressas.

À reportagem da CBN, outro morador relatou que, com a ação da limpeza, acabou perdendo não só o cobertor, mas tudo o que tinha acumulado.

Ainda, reclamaram que as vans da prefeitura responsáveis pelo transporte dos moradores de rua até os abrigos são insuficientes. Há poucas vagas e apenas 20 pessoas conseguiram um espaço, enquanto outras que esperaram na fila por abrigo não foram contempladas.

A ação da prefeitura foi comentada pelo Twitter:

Após a veiculação das reportagens, Doria afirmou que a ação foi "descuidada" e que serviu de exemplo para os responsáveis das subprefeituras acompanharem com maior atenção as ações de limpezas.

"A cidade inteira é varrida pela manhã e algumas áreas de maior movimentação são lavadas, como escadarias de metrô ou terminais de ônibus. As equipes sabem como proceder, são orientadas a isso. Houve nesta circunstância um descuido de duas equipes, uma no Pátio do Colégio e outra na Praça da Sé. Jamais nenhum profissional, seja da prefeitura ou terceirizado, jogou jatos d' água nas pessoas", explicou o prefeito.

A ação da prefeitura aconteceu um dia após a confirmação da morte de moradores de rua em uma das madrugadas mais frias de São Paulo e Curitiba.

Essa situação não é inédita. Em 2016, pelo menos 6 mortes de desabrigados foram confirmadas no período de frio, entre junho e julho.

A ação da Guarda Municipal (GCM) durante a gestão do prefeito anterior, Fernando Haddad, também foi criticada no ano passado. Os policiais estariam recolhendo colchões e papelões de moradores de rua. Haddad, depois, proibiu que a Guarda se apropriasse dos pertences.

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