MULHERES

Margaret Atwood: 'Feminismo não é só achar que as mulheres estão sempre certas'

Em entrevista para a revisa Entertainment Weekly, feita por Emma Watson, a autora de 'O Conto da Aia' contou o que o feminismo significa para ela.

18/07/2017 11:43 -03 | Atualizado 18/07/2017 11:46 -03
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Margaret Atwood, autora de O Conto da Aia, na estréia da série baseada no romance.

Em uma entrevista recente com Emma Watson para a Entertainment Weekly, Margaret Atwood, autora de O Conto da Aia, falou sobre patriarcado, feministo e os Estados Unidos de Trump.

Watson selecionou o romance distópico como a escolha do mês de seu clube do livro para os meses de maio e junho, coincidindo com o lançamento da série de TV baseada no livro. Na entrevista, Watson perguntou se Atwood estava "entendiada" com a conversa constante sobre o "feminismo" O Conto da Aia e como Atwood se sente em relação ao termo.

"Não me sinto entendiada", respondeu a autora. "Mas temos de nos dar conta de que é uma daquelas palavras genéricas que podem significar muitas coisas diferentes". Atwood explicou que a palavra foi moldada para ter várias interpretações únicas.

"Se as pessoas não conseguem me dizer exatamente o que estão pensando, então não sabem do que estão falando", disse ela. "Então estamos falando de direitos iguais? Que as mulheres são melhores que os homens? Que todos os homens deveriam ser empurrados de um penhasco? O que estamos querendo dizer? Por que essa palavra significou todas essas coisas."

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Margaret Atwood poses with <i>Handmaid's Tale </i>stars&nbsp;Elisabeth Moss and Samira Wiley at the show's premier in April.&nbsp;

Atwood enfatizou que, para ela, ser feminista não significa concordar com tudo o que toda mulher diz nem apoiar cegamente as políticas ou opiniões de uma pessoa só porque ela é mulher. Ela mencionou a primeira-ministra do Reino Unido, Theresa May, como exemplo.

"As mulheres estão sempre certas? Ora, faça-me o favor! Sinto muito, mas não! Theresa May é mulher, pelo amor de Deus!"

Seu feminismo tem mais a ver com ação, segundo o que ela disse a Watson.

"Se estamos dizendo que todas as mulheres como cidadãs devem ter direitos iguais, sou inteiramente a favor", disse ela. "E vários avanços aconteceram durante minha vida em relação a direito à propriedade, ao divórcio, à custódia dos filhos e essas coisas todas."

Watson também questionou se a autora e ativista – considerando que O Conto da Aia é uma história tão chocante de mulheres sendo sistematicamente roubadas da autonomia sobre seus corpos – está particularmente aterrorizada pelo governo de Donald Trump. As fantasias inspiradas pelo seu livro estão pipocando não só nos Estados Unidos, mas também na Europa, símbolo de um protesto contra o presidente americano, cada vez mais hostil às mulheres.

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Women dressed as handmaids protest at the March for Truth in New York City in June.&nbsp;

"Não me deprimo facilmente com esse tipo de coisa", disse Atwood.

Ela ecooou o que pessoas de sua geração têm afirmado sobre o pânico da era Trump: ela passou pela ascensão – e, mais importante, pela queda – desse dipo de poder.

"Se você nasceu nos anos 1990, nasceu num mundo em que vários direitos estavam estabelecidos para vários grupos, pelo menos no Ocidente, e você acha isso normal", disse ela a Watson.

"Mas, se você é mais velho e nasceu num mundo diferente, você viu as lutas que levaram a essas conquistas ... Não acho que os Estados Unidos estão aceitando isso docilmente."

Veja a entrevista completa aqui.

*Este texto foi originalmente publicado no HuffPost US e traduzido do inglês.

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