MULHERES

Columbia foi negligente em caso de estupro em 2015, conclui processo

Estudante acusado de estupro alegou que a universidade apoiou uma 'manifestação absurda de assédio e difamação'.

17/07/2017 18:40 -03 | Atualizado 17/07/2017 19:22 -03
Andrew Burton via Getty Images
Sulkowicz carregando seu colchão durante seu último ano na universidade Columbia.

A Universidade de Columbia (Estados Unidos) concluiu a ação contra o estudante Paul Nungesser.

Em 2015, Nungesser moveu uma ação contra Columbia, alegando que a universidade apoiou uma "manifestação absurda de assédio e difamação", após a estudante Emma Sulkowicz promover protestos no campus onde as pessoas chamavam-no de estuprador. A ação foi descartada duas vezes antes da universidade e o estudante chegarem a um acordo, no dia 13 de julho.

Em 2012, Sulkowicz acusou Nungesser de estuprá-la em seu dormitório no primeiro dia de seu último ano de estudo. A universidade investigou Nungesser em dezembro de 2013, mas não o considerou culpado por nenhuma má conduta. A polícia universitária rejeitou prosseguir com as acusações contra Nungesser. Outros três estudantes também acusaram-no de assédio durante o tempo em que o estudante permaneceu na universidade.

Em 2014, em protesto emblemático, Sulkowicz carregou seu colchão pelo campus como parte de sua tese de conclusão de curso, intitulada "Performance do Colchão" ou "Carregue esse Peso". Ela se formou em Artes Visuais na Universidade de Columbia.

"O estupro pode acontecer em qualquer lugar", disse Sulkowicz à época. "Para mim, eu fui estuprada em meu próprio dormitório. Desde então, tem sido muito difícil para mim, e eu sinto como se carregasse para todo lugar o peso do que aconteceu comigo".

Dezenas de protestos ocorreram em solidariedade à Sulkowicz e a outros sobreviventes de violência sexual na universidade Columbia. O nome de Nungesser se tornou público depois que foram pendurados flyers com uma "lista de estupradores" pelo campus.

Embora a universidade Columbia não tenha divulgado os termos do acordo, ela emitiu uma declaração em seu jornal, Columbia Spectator no dia 13 de julho.

"A Columbia reconhece que após a conclusão da investigação, o tempo restante de Paul na universidade tornou-se muito difícil. Isso não é o que a Columbia gostaria para nenhum de seus estudantes", diz a declaração. "A Columbia vai continuar a rever e atualizar suas políticas para garantir que cada aluno - acusador e acusado, incluindo aqueles como Paul, que foi considerado inocente - seja tratado com respeito e como mebro efetivo da universidade".

O advogado de Nungesser, Andrew Miltenberg, emitiu uma declaração após a divulgação da resolução do caso.

"Juntamente com Paul e seus pais, nós lutamos por três longos anos por uma resolução como essa que a Columbia acabou de divulgar", disse Miltenberg, de acordo com o BuzzFeed. "Isso dá a Paul a chance de seguir com sua vida e se recuperar da falsa acusação contra ele. Nós esperamos que a resolução do caso também garanta que nenhum outro estudante tenha que enfrentar o mesmo que Paul ao ser exonerado"

Nungesser formou-se em 2015, juntamente com Sulkowicz, e está morando atualmente na Alemanha, sua terra natal.

Sulkowicz não comentou nada sobre o caso e atualmente está cursando graduação em Artes Plásticas no Programa de Estudos Independentes do Museu Whitney de Arte Americana.

A jovem de 24 anos criou diversas performances de arte desde que se formou na Columbia em 2015, incluindo sua primeira exposição individual, intitulada "Autorretrato: Performance com Objeto". A exposição foi protagonizada por Sulkowicz de pé em um palco, respondendo perguntas com um robô chamado "Emmatron". A performance foi inspirada quando ela foi bombardeada de pedidos de entrevista (incluindo o jornal The New York Times e a revista New York Maganize) durante sua experiência com "Carregue esse Peso". Sua segunda exposição, intitulada "Centro de Bem-Estar Integral Toque de Cura", permaneceu por duas semanas na galeria Contemporânea da Filadélfia, em janeiro.

*Este texto foi originalmente publicado no HuffPost US e traduzido do inglês.

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