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Província chinesa maior que o Texas funcionou por uma semana inteira usando apenas energia renovável

A província de Qinghai usou apenas energia eólica, solar e hidrelétrica para suprir seus 5,8 milhões de habitantes.

14/07/2017 17:13 -03 | Atualizado 14/07/2017 17:15 -03
A hydropower station and dam in Jianzha County, Qinghai Province, China.
"Isso vai quebrar o recorde de quatro dias marcado em Portugal".

Enquanto os Estados Unidos atolam em matéria de ação ambiental e vários membros da administração saem do armário para mostrar que negam a existência da mudança climática, a China continua a ganhar destaque como líder emergente nesse espaço.

A mídia estatal chinesa anunciou recentemente que a grande província de Qinghai, no noroeste do país, funcionou por sete dias consecutivos inteiramente à base de energia renovável. Segundo a agência de notícias Xinhua, a província, que é maior que o Texas, funcionou unicamente à base de energia eólica, solar e hidrelétrica entre 17 e 23 de junho. Essas fontes de energia renovável teriam suprido Qinghai e seus 5,8 milhões de habitantes com 1,1 bilhão de quilowatts-hora (kWh) de eletricidade, o equivalente a cerca de 535 mil toneladas de carvão.

A semana sem combustíveis fósseis fez parte de um experimento lançado pelo governo chinês para verificar se uma província inteira pode viver com emissões zero por um período de tempo extenso. O vice-governador de Qinghai, Wang Liming, disse ao jornal "China Daily" que o experimento vai marcar um novo recorde mundial de energia limpa.

"Isso vai quebrar o recorde de quatro dias marcado em Portugal", ele disse, aludindo a quatro dias em maio do ano passado em que o país europeu de 10 milhões de habitantes funcionou unicamente à base de energia renovável.

Qinghai é um centro de energia limpa na China. Situada na parte nordeste do planalto tibetano, a província recebe muito sol (mais de 3.000 horas de luz solar a cada ano) e possui o maior parque solar do mundo. As nascentes dos três maiores rios da Ásia – o rio Amarelo, o Yangtzé e o Mekong – também ficam na região, de modo que o potencial hidrelétrico de Qinghai é imenso.

"Qinghai é um importante armazém de recursos naturais da China e desempenha papel crucial no desenvolvimento da indústria verde do país", disse este mês o ministro da Indústria e Tecnologia da Informação chinês, Miao Wei, segundo o "China Daily".

O maior parque solar do mundo em Qinghai: 4 milhões de painéis solares cobrindo uma área de 26 quilômetros quadrados. Foto feita pela @NASAEarth este ano.

Nos últimos anos a China vem se posicionando como líder global em energia verde. Em janeiro o governo chinês anunciou que vai gastar US$360 bilhões em energia renovável em 2020, um investimento que pode gerar 13 milhões de empregos.

Com seu engajamento no desenvolvimento de energia limpa e na redução do consumo de carvão, a China deve cumprir mais do que prometeu no acordo climático de Paris,segundo relatório recente da Climate Action Tracker. Somados aos da Índia, os compromissos climáticos assumidos pela China são tão importantes que podem contrabalançar os efeitos negativos que a política climática do presidente Donald Trump pode exercer sobre o planeta, disseram os autores do relatório.

"Cinco anos atrás, a ideia de que a China ou a Índia pudessem parar de usar carvão ou mesmo consumir menos carvão era vista como um obstáculo intransponível, já que as usinas elétricas movidas a carvão eram consideradas necessárias para satisfazer a demanda energética desses países. Mas observações recentes mostram que os dois países já estão a caminho de superar esse desafio", disse o relatório. "Isso forma um contraste com as decisões da administração americana do presidente Donald Trump, que parece estar determinado a seguir no rumo contrário."

*Este texto foi originalmente publicado no HuffPost US e traduzido do inglês.

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