COMPORTAMENTO

8 sinais de que você está viciado em internet e é dependente de tecnologia

Mais de 280 milhões de pessoas no mundo são viciadas em smartphones. Ouvimos dois psicólogos sobre esse problema.

27/07/2017 21:00 -03 | Atualizado 27/07/2017 21:00 -03
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O que define a dependência não é o tempo que a pessoa está conectada, mas o nível de perda de controle.

Um estudo publicado pela Flurry, empresa de análise de dados do Yahoo!, revela que existem mais de 280 milhões de pessoas viciadas em smartphones no mundo. O estudo considera usuários viciados aqueles que checam aplicativos mais de 60 vezes por dia. As categorias mais utilizadas por esse público são mensagens instantâneas e redes sociais. Outro estudo feito pelo Bank of America mostrou que 71% das pessoas dormem com seus celulares ao lado.

O uso constante da tecnologia não é, por si só, um problema. O transtorno acontece quando a utilização excessiva começa a atrapalhar atividades do dia a dia e a vida social das pessoas.

O afastamento de amigos e familiares e o isolamento progressivo são sintomas que devem ser observados. De acordo com a psicóloga Dora Sampaio Góes, do Programa de Dependências Tecnológicas do Hospital da Clínicas de São Paulo, há diferença entre usar bastante e ser dependente da internet.

A especialista explica que há oito critérios para identificar que há algo errado. É necessário apresentar um conjunto deles (pelo menos 5) para que seja caracterizada a dependência:

1. Pensar o tempo inteiro em estar conectado;

2. Sentir necessidade de aumentar o tempo de uso para obter o mesmo prazer;

3. Tentar parar de usar a internet e não conseguir;

4. Sentir irritação e ansiedade durante o tempo que não pode entrar na internet;

5. Mudar o humor quando entra em contato com a tecnologia;

6. Perder a noção do tempo que fica conectado e não conseguir sair;

7. Ter o trabalho e as relações familiares e sociais em risco pelo uso excessivo;

8. Mentir para as pessoas sobre o tempo que fica conectado.

Para a psicóloga, a internet funciona como um antidepressivo para os dependentes:

É um prozac virtual. A pessoa fica mais calma, sente mais alívio e um prazer muito grande quando está em contato com a tecnologia.

Muitas pessoas podem ter essas sensações e não se enquadrarem no perfil de dependência. É preciso ficar atento quando há perda de controle, como abrir mão de atividades do dia a dia, colocar em risco o trabalho, os estudos e as relações interpessoais.

Outra diferença entre usuários saudáveis e usuários dependentes é a habilidade de aproveitar momentos e pessoas da vida real. Pessoas sadias conseguem desfrutar de atividades que envolvem interação presencial com o outro, já os dependentes da tecnologia encontram dificuldades. "Os usuários sentem mais prazer na tecnologia do que em outros setores de sua vida. A quantidade de likes tem um peso muito maior para o dependente do que para outras pessoas, assim como a experiência de prazer", explica Góes.

Para o pesquisador Eduardo Guedes, diretor do Instituto Delete, que trata de dependentes de tecnologia no Rio de Janeiro, o que define a dependência não é o tempo que a pessoa fica conectada, mas o nível de perda de controle. Os especialistas do instituto dividem os usuários em três tipos: consciente (pode usar pouco, moderadamente ou muito, mas o virtual não atrapalha o real), abusivo (usa muito, e o virtual atrapalha o real) e abusivo dependente (além de o virtual atrapalhar o real, existe um nível de perda de controle).

Os gatilhos que fazem os usuários buscar a internet como refúgio são situações de desavença familiar, de grande frustração e de fracassos. Pessoas tímidas, com ansiedade social e que têm dificuldade de interação, também são mais inclinadas a desenvolverem dependência, assim como aqueles com maior propensão a ter depressão.

O pesquisador afirma que a dependência de internet é muito parecida com o vício em álcool e cigarro e que a abstinência pode gerar agitação, irritabilidade e ansiedade, podendo até o usuário tornar-se agressivo.

Como saber se você está perdendo o controle?

Guedes explica que existem cinco dimensões que medem o nível de perda de controle:

1 - Excitação e segurança – Utilizar a tecnologia como refúgio de falso prazer e segurança;

2 - Tolerância – Se você não viaja para lugares em que não tem conexão com internet;

3 - Relevância – Se você acorda e já olha o celular, leva para o banheiro, para o almoço, etc;

4 - Abstinência – O que sente quando não está conectado: instabilidade, ansiedade, mau humor, angústia, tristeza;

5 - Conflitos na vida real – Perda de rendimento no trabalho ou nos estudos

"Falar de si gera prazer. Numa conversa normal, você fala de você 30% do tempo. Numa rede social como Facebook, você fala de si 90% do tempo e tem um feedback instantâneo, porque alguém comenta, alguém curte", explica Guedes.

Os especialistas ressaltam que não há problema em ter prazer com a internet; o que não pode é substituir o real pelo virtual.

Quando o virtual passa a atrapalhar o real, pode gerar isolamento e desprezo pelas relações interpessoais. É neste momento que a pessoa precisa de um tratamento.

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