COMPORTAMENTO

7 coisas que pessoas com estresse pós-traumático querem que você saiba

‘Flashbacks não são simples lembranças.’

14/07/2017 16:29 -03 | Atualizado 18/07/2017 12:01 -03

Uma em cada dez pessoas enfrentará o transtorno de estresse pós-traumático (TEPT) alguma vez na vida; mesmo assim, o entendimento geral sobre esse distúrbio mental ainda é limitado.

O transtorno de ansiedade pode ser desencadeado por qualquer evento que um indivíduo considere traumático, tais como estupro, bullying, o testemunho de um crime ou o nascimento de uma criança.

Os sintomas incluem flashbacks e insônia, e as pessoas afetadas também podem sofrer outros tipos de problemas de saúde, como a depressão.

Para aumentar a conscientização sobre o TEPT, aqui estão sete coisas que blogueiros do HuffPost com esse problema querem que você saiba:

Janet Rhodes via Getty Images

1. O TEPT pode afetar qualquer pessoa

Imogen Groome foi diagnosticada com TEPT depois de ter sido violentada em seu primeiro ano de universidade, mas diz que as pessoas normalmente associam o transtorno com indivíduos mais velhos.

"Quando pergunto aos meus amigos sobre o TEPT, muitos deles apenas pensam em veteranos de guerra ou pessoas vítimas de ataques terroristas", diz Groome.

"Também pensam que costuma acontecer com pessoas mais velhas. Mas meu evento traumático aconteceu quando eu tinha 19 anos."

2. Flashbacks são mais do que lembranças

Sezín Koehler sobreviveu a um crime com arma de fogo e, desde então, teve de aprender a viver com o impacto de flashbacks.

"Flashbacks não são simples lembranças de um evento traumático; o corpo realmente revive o evento, a ponto de acelerar as batidas do coração e fazer você pensar que está tendo um ataque cardíaco; a intensidade do corpo inteiro diante de lutar ou fugir; uma sensação de medo tão opressora que chega a ser desumana; ansiedade incapacitante; dificuldade de respirar; e o sentimento que você apenas quer morrer para que nunca tenha de lembrar daquele terrível evento que agora define sua vida", diz ela.

"Isto, às vezes, pode durar dias juntamente com ataques de pânico, terrores noturnos, pesadelos, insônia e muito mais. É debilitante. É humilhante. É desumanizante."

3. A melhora pode ser lenta

Ella Robson começou a ter TEPT depois de presenciar um desastre natural quando era mais jovem. Sua recuperação não foi instantânea, e ela tenta se focar em pequenas coisas positivas, como um dia de tempo bom.

"A recuperação é uma jornada, mesmo que soe cafona... e o clima dos últimos dias tem me relembrado de como é possível superar as coisas, independentemente de quão horríveis as coisas possam se tornar", diz.

"Faz parte da natureza humana crescer, esforçar-nos ao máximo para seguir em frente, e devemos certamente comemorar cada êxito (não importa o quão pequeno — por exemplo: comemorar o fato de não se sentir ansioso quando o tempo está ruim). Especialmente quando somos frequentemente lembrados de quão aterradoras podem ser as coisas, nós e outras pessoas precisamos tentar lembrar que é possível seguir em frente."

4. Simples sinais de afeto podem ajudar

Rosie Burnham foi diagnosticada com TEPT depois de ter sofrido abuso físico, sexual e emocional quando tinha 13 anos. O apoio de amigos e da família continua ajudando sua recuperação.

"Quando fui diagnosticada pela primeira vez, me tornei extremamente reclusa. Odiava ser tocada, abraçada ou receber demonstrações de amor, porque sentia que não era digna de amor, me sentia indigna, suja e assustada. Isso acontecia até mesmo com minha família", diz.

"Minha mãe continua me apoiando e me abraça mesmo quando a afasto. Um simples abraço faz toda a diferença; isso permitiu que eu voltasse a confiar e amar novamente."

5. Você pode sentir que é seu pior inimigo

William Shield passou quase seis anos no Exército britânico e completou duas temporadas no Afeganistão. Agora, sente que está lutando consigo mesmo.

"O fato é que aquela guerra não acaba. Fiquei preso em uma guerra sem fim desde o primeiro momento em que a presenciei, desde o momento em que apertei o gatilho, ouvi sons e testemunhei o caos. Fiquei para sempre em conflito", diz.

"A parte mais triste é o único inimigo que não posso derrotar — eu mesmo. Estou preso em uma eterna luta com minha mente."

6. Receber alta do hospital pode ser a pior parte

Catriona Ogilvy foi diagnosticada com TEPT depois do parto prematuro de seu bebê. Ela percebeu que receber alta do hospital piorou seus sintomas.

"Ninguém te alerta sobre os flashbacks, com o TEPT frequentemente aparecendo quando você está em casa", diz.

"A rede de apoio do hospital pode desaparecer de um dia para o outro, e você fica imaginando como conseguiu passar por aquilo. A família e os amigos com boas intenções pensam que os momentos difíceis ficaram para trás, e a ideia que a alta seria o fim de sua jornada neonatal, de repente, parece ridícula."

7. Realmente vai ficando mais fácil

Natasha Batsford sofreu um trauma depois do nascimento de seu primeiro filho. Ela começou a entender seu TEPT quando ficou grávida pela segunda vez e diz que há luz no fim do túnel.

"Passei um tempo falando sobre minhas experiências e fazendo as pazes com elas. Planejei dois partos incríveis que permitiram me sentir respeitada e empoderada ao me cercar do tipo certo de apoio", afirma.

"E saí do outro lado, um pouco arranhada, um pouco mais durona, mas não pior por causa dessas coisas. Um dia, com o apoio certo, você também conseguirá. Prometo."

*Este texto foi originalmente publicado no HuffPost UK e traduzido do inglês.

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