POLÍTICA

'Uma flagrante injustiça e um absurdo jurídico que envergonham o Brasil', diz Dilma sobre condenação de Lula

Ex-presidente rebateu decisão de juiz Sérgio Moro e defendeu inocência de seu padrinho político.

12/07/2017 17:54 -03 | Atualizado 12/07/2017 17:54 -03
Brazil Photo Press/CON via Getty Images
"As garras dos golpistas tentam rasgar a história de um herói do povo brasileiro. Não conseguirão. Nós iremos resistir", disse ex-presidente, em nota.

A ex-presidente Dilma Rousseff divulgou uma nota de repúdio à condenação de seu padrinho político, Luiz Inácio Lula da Silva, divulgada pelo juiz Sérgio Moro na tarde desta quarta-feira (12).

No comunicado, Dilma chama a condenação de "escárnio" e "um absurdo jurídico" que envergonha o Brasil. "Lula é inocente e essa condenação fere profundamente a democracia", acrescentou.

A ex-presidente que sofreu impeachment no ano passado continua a nota argumentando que o juiz condenou Lula sem provas e o fez apenas para cumprir um "roteiro pautado por setores da grande imprensa". Ela destacou que Lula foi o presidente mais popular da história do País e que vem sofrente uma perseguição "sem quartel."

"Ontem, com indignação, assistimos à aprovação pelo Senado do fim da CLT. Uma monumental perda para os trabalhadores brasileiros. Agora, assistimos essa ignominia que está sendo exercida contra o ex-presidente Lula com o objetivo de cassar seus direitos políticos", observou.

Por fim, Rousseff convoca os brasileiros para democraticamente resgatá-lo em 2018. "O país não pode aceitar mais este passo na direção do Estado de Exceção. As garras dos golpistas tentam rasgar a história de um herói do povo brasileiro. Não conseguirão. Nós iremos resistir", finaliza.

No início da tarde desta quarta-feira (12), o juiz Sérgio Moro condenou Lula a 9 anos e seis meses de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro no caso do triplex do Guarujá. Cabe recurso da decisão.

Leia na íntegra a nota divulgada à imprensa:

Dilma: "A condenação de Lula é um escárnio"

A condenação de Luiz Inácio Lula da Silva, sem provas, a 9 anos e seis meses de prisão, é um escárnio. Uma flagrante injustiça e um absurdo jurídico que envergonham o Brasil. Lula é inocente e essa condenação fere profundamente a democracia.

Sem provas, cumprem o roteiro pautado por setores da grande imprensa. Há anos, Lula, o presidente da República mais popular na história do país e um dos mais importantes estadistas do mundo no século 21, vem sofrendo uma perseguição sem quartel.

Ontem, com indignação, assistimos à aprovação pelo Senado do fim da CLT. Uma monumental perda para os trabalhadores brasileiros.

Agora, assistimos essa ignominia que está sendo exercida contra o ex-presidente Lula com o objetivo de cassar seus direitos políticos.

O país não pode aceitar mais este passo na direção do Estado de Exceção. As garras dos golpistas tentam rasgar a história de um herói do povo brasileiro. Não conseguirão.

Lula é inocente. E o povo brasileiro saberá democraticamente resgatá-lo em 2018.

Nós iremos resistir.

Dilma Rousseff

Acusações

O ex-presidente foi denunciado pelo Ministério Público Federal por ter recebido R$ 3,7 milhões de propina da OAS. O repasse foi feito por meio de upgrade em imóveis, reforma e decoração de um tríplex, além do armazenamento de bens do ex-presidente pela empreiteira.

A denúncia do Ministério Público Federal foi aceita por Moro em 20 de setembro. Na apresentação, o petista foi identificado como "comandante máximo do esquema de corrupção"e "verdadeiro maestro dessa orquestra criminosa", de acordo com o procurador da República Deltan Dallagnol.

Ele afirmou ainda que Lula instituiu a propinocracia: uma governabilidade corrompida por meio da distribuição de propina. Na época, o episódio deu origem à discussão sobre a frase "não temos prova, mas temos convicção".

A afirmação não foi feita dessa maneira, mas ao explicar a denúncia, Dallagnol afirmou que "provas são pedaços da realidade, que geram convicção sobre um determinado fato ou hipótese".

Já o procurador Henrique Pozzobon usou a expressão ao falar da dificuldade de apurar o crime de lavagem de dinheiro.

"Em se tratando da lavagem de dinheiro, ou seja, em se tratando de uma tentativa de manter as aparências de licitude, não teremos aqui provas cabais de que Lula é o efetivo proprietário no papel do apartamento, pois justamente o fato de ele não figurar como proprietário do tríplex, da cobertura em Guarujá é uma forma de ocultação, dissimulação da verdadeira propriedade."

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