POLÍTICA

'Minha continência a Sérgio Moro', diz Bolsonaro sobre condenação de Lula

"Um homem que está mostrando para todo o Brasil que podemos ter uma maneira diferente de fazermos política", elogiou o deputado no Twitter.

12/07/2017 17:16 -03 | Atualizado 12/07/2017 17:16 -03
Reprodução/Agência Brasil
A decisão de Moro também repercutiu entre os eleitores do deputado. A hashtag #Bolsonaro2018 está entre as mais comentadas no Twitter. 

Em segundo lugar nas pesquisas para a corrida presidencial em 2018, o deputado Jair Bolsonaro (PSC-RJ) elogiou o juiz Sérgio Moro pela condenação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. No Twitter, Bolsonaro diz que "não comemorou" a prisão de Lula, mas o povo honesto que "perdeu a liberdade" deveria celebrar este dia.

No início da tarde desta quarta-feira (12), o juiz Sérgio Moro condenou Lula a 9 anos e seis meses de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro no caso do triplex do Guarujá. Cabe recurso da decisão.

"Quem deve celebrar esse dia, é o homem que, em grande parte, perdeu sim sua liberdade. Por ser honesto e trabalhar corretamente", disse, em um vídeo divulgado nas redes. Seguindo o mesmo discurso, o deputado conta que Sérgio Moro também é desprovido de liberdade "porque os bandidos o querem a qualquer custo."

Ele finalizou o vídeo elogiando o juiz:

Os meus cumprimentos, a minha continência a Sérgio Moro, o homem que está mostrando para todo o Brasil que podemos ter uma maneira diferente de fazermos política.

Corrida presidencial

Atrás apenas de Lula, Bolsonaro se mostrou um forte candidato à presidente da República na próxima eleição, em 2018.

A última pesquisa do instituto Datafolha, no final de junho, mostra Lula em uma folgada liderança nos índices de intenção de voto para o primeiro turno da eleição de 2018. Lula aparece com 30%, seguido por Bolsonaro, com 16%, e Marina Silva (Rede), com 15%.

Ao jornal O Globo, o deputado acredita que esta condenação pode afetar a decisão da população na corrida presidencial. "Não há dúvida que vai influenciar. É uma condenação e por corrupção", disse. "Não há nenhuma perseguição política na condenação do Lula. Ele está sendo condenado por atos que fez por livre e espontânea vontade, sabendo que estava errando."

A decisão de Moro também repercutiu entre os eleitores do deputado. A hashtag #Bolsonaro2018 está entre as mais comentadas no Twitter.

Acusações

O ex-presidente foi denunciado pelo Ministério Público Federal por ter recebido R$ 3,7 milhões de propina da OAS. O repasse foi feito por meio de upgrade em imóveis, reforma e decoração de um tríplex, além do armazenamento de bens do ex-presidente pela empreiteira.

A denúncia do Ministério Público Federal foi aceita por Moro em 20 de setembro. Na apresentação, o petista foi identificado como "comandante máximo do esquema de corrupção"e "verdadeiro maestro dessa orquestra criminosa", de acordo com o procurador da República Deltan Dallagnol.

Ele afirmou ainda que Lula instituiu a propinocracia: uma governabilidade corrompida por meio da distribuição de propina. Na época, o episódio deu origem à discussão sobre a frase "não temos prova, mas temos convicção".

A afirmação não foi feita dessa maneira, mas ao explicar a denúncia, Dallagnol afirmou que "provas são pedaços da realidade, que geram convicção sobre um determinado fato ou hipótese".

Já o procurador Henrique Pozzobon usou a expressão ao falar da dificuldade de apurar o crime de lavagem de dinheiro.

"Em se tratando da lavagem de dinheiro, ou seja, em se tratando de uma tentativa de manter as aparências de licitude, não teremos aqui provas cabais de que Lula é o efetivo proprietário no papel do apartamento, pois justamente o fato de ele não figurar como proprietário do tríplex, da cobertura em Guarujá é uma forma de ocultação, dissimulação da verdadeira propriedade."

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