POLÍTICA

Lula fora da disputa em 2018 pode fortalecer candidato de centro

Para cientista político, nomes que sejam considerados novos, como Marina Silva e João Doria, podem ganhar votos se ex-presidente ficar inelegível.

12/07/2017 20:51 -03 | Atualizado 12/07/2017 21:27 -03
Montagem / Getty Images
Ausência de LUla na disputa em 2018 pode fortalecer candidato de centro, como Marina Silva e João Doria.

Se o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ficar fora da disputa pela Presidência da República em 2018, candidatos considerados de centro e que passem a imagem de novos, como a ex-senadora Marina Silva (Rede) e o prefeito de São Paulo, João Doria (PSDB), podem ser beneficiados.

Lula foi condenado nesta quarta-feira (12) a nove anos e seis meses de prisão pelo juiz Sérgio Moro, da 13ª Vara Federal do Paraná. O petista é acusado de corrupção e lavagem de dinheiro no caso do tríplex do Guarujá, no âmbito da Operação Lava Jato.

"Provavelmente um nome do espectro do centro que pudesse ser visto ou percebido como uma figura nova teria muita chance", afirmou ao HuffPost Brasil o cientista político Rui Tavares Maluf, da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo.

O especialista avalia que o pré-candidato do PDT, Ciro Gomes, apesar de ser o nome mais forte da esquerda, após Lula, nas pesquisas, não deve conseguir se viabilizar. "Ele teria muita dificuldade para ser eleito. Mesmo com a incerteza (em relação a Lula), teria resistência", afirmou.

Sem o petista, PCdoB deve lançar candidato próprio ao Planalto. Os nomes possívels são do ex-ministro Aldo Rebeldo, da senadora Vanessa Grazziotin (AM) e da deputada Jandira Feghali (RJ). O PSOL também irá lançar candidato próprio.

Lula vinha liderando as pesquisas de intenção de voto. Pesquisa Datafolha divulgada em junho mostra o petista com 30%, o deputado federal Jair Bolsonaro (PSC-RJ) com 16%, Marina com 15%, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin com 8% e Ciro Gomes com 5%.

Em um cenário com Doria na disputa, Lula se mantém em primeiro, com o mesmo percentual, Marina e Bolsonaro empatam com 15%, o tucano conquista 10% e Ciro fica com 6%.

Na corrida sem candidato do PT, Marina fica com 22%, Bolsonaro 18%, Doria 14% e Ciro 12%.

Em primeiro turno, a maior rejeição é a Lula (46%), seguida por Alckmin (34%), Bolsonaro (30%), o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad, do PT (28%), Ciro (26%) e Marina (25%). Doria registrou 20% de rejeição.

Na avaliação do cientista político, ainda que Lula seja candidato, a condenação enfraquece seu nome. Já no PSDB, para ele, tanto Alckmin quanto o senador Aécio Neves (MG) devem perder apoio para serem candidatos pelo partido devido ao envolvimento na Lava Jato, o que abriria espaço para Doria. Nesse cenário, a postura combativa com o PT pode levar o prefeito a conquistar votos que iriam para Bolsonaro.

Parlamentares aguardam o resultados da próximas pesquisas para decidir as próximas articulações para 2018. Nos bastidores, se cogita um acordo entre grandes partidos como PSDB e PMDB no caso de um aumento expressivo de votos para Bolsonaro, a fim de impedir uma vitória do candidato de extrema direita.

Tanto Doria, quanto Bolsonaro e Marina comemoram a condenação de Lula. O tucano chamou o ex-presidente de o "maior cara de pau do Brasil".

Já Bolsonaro elogiou Sérgio Moro. "Os meus cumprimentos, a minha continência a Sérgio Moro, o homem que está mostrando para todo o Brasil que podemos ter uma maneira diferente de fazermos política", afirmou nas redes sociais.

Em nota, a Rede, partido de Marina, afirmou que a condenação também mostra "que ninguém está acima da lei e da Constituição" e defendeu a continuidade da Operação Lava Jato.

Também em nota, Ciro Gomes disse desejar que Lula prove sua inocência e que "ódio é o pior conselheiro num momento em que nosso povo amarga uma crise tão grave". Ele seguiu o discurso de aliados do petista, que viram a condenação como um ato político e sem provas do crime.

Esta condenação acontece ante uma grande revolta dos simpatizantes de Lula, uma estranhíssima e patológica euforia dos que o odeiam e ante uma grande perplexidade da maioria do povo que não consegue entender uma sentença sem uma prova cabal e simples, que todos possamos entender como base de uma pena justa.

Lula inelegível?

O ex-presidente poderá recorrer da decisão em liberdade ao Tribunal Regional Federal da 4ª Região, com sede em Porto Alegre. Se não for absolvido, Lula ficará inelegível pela Lei da Ficha Limpa, que impede todo condenado por um colegiado de se candidatar.

Na sentença, Moro proibiu Lula de assumir qualquer cargo público por um período de 19 anos.

Mesmo alvo da Ficha Limpa, o petista pode pedir uma liminar para disputar as eleições até que o processo seja julgado no STJ (Superior Tribunal de Justiça) ou STF (Supremo Tribunal Federal).

Antes de recorrer ao TRF, os advogados de Lula podem entrar com embargos de declaração ao próprio Sergio Moro, para que o juiz esclareça obscuridades na decisão, resolva contradições ou se pronuncie sobre algum pedido, o que pode atrasar uma decisão final.

Os próprios procuradores que integram a força-tarefa da Operação Lava Jato, apesar de elogiarem a decisão de Moro, disseram que irão recorrer para que haja aumento da pena. O Ministério Público Federal (MPF) não decidiu ainda qual pena pedirá para ser aplicada ao petista.

De acordo com levantamento feito pela Folha de São Paulo em fevereiro, o TRF leva, em médio, um ano e dez meses para julgar um processo após uma decisão de Moro. No caso mais ágil, o intervalo foi de dez meses.

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