POLÍTICA

Em antecipação ao fim dos tempos, deputados aceleram proibição do 'chip da besta'

"Sejam nos filmes de ficção científica, seja no cotidiano de países desenvolvidos, (o uso de chips) já é uma realidade da vida humana."

12/07/2017 12:23 -03 | Atualizado 12/07/2017 13:20 -03
Reprodução/YouTube
Cena do clipe da música 'Do The Evolution', da banda Pearl Jam.

Está pronto para ser votado na Comissão de Segurança Pública da Câmara dos Deputados nesta quarta-feira (12) um projeto que proíbe o implante de chips de identificação em humanos. O texto é de autoria do deputado Missionário José Olímpio (DEM-SP) e anexado a ele, está um outro projeto semelhante do deputado Roberto de Lucena (PV-SP).

O temor dos deputados é que a evolução dos mecanismos de identificação das pessoas chegue aos microchips e se torne uma ameaça ao direito de ir e vir das pessoas. Para Olímpio, o instrumento abre brecha para perseguição dos cidadãos e é uma referência ao 'sinal da besta'.

Tendo em conta que o fim dos tempos se aproxima, é preciso que o Parlamento brasileiro se antecipe aos futuros acontecimentos e resguarde, desde logo, a liberdade constitucional de locomoção dos cidadãos. Deputado Missionário José Olímpio

Para ele, "urge que se proíba a implantação em seres humanos de chips ou quaisquer outros dispositivos móveis que permitam o rastreamento dos cidadãos e facilitem que sejam as pessoas alvo fácil de perseguição e toda sorte de atentados".

Em justificativa, ele cita o capítulo 13 do livro do Apocalipse da Bíblia:

"16 - E faz que a todos, pequenos e grandes, ricos e pobres, livres e servos, lhes seja posto um sinal na sua mão direita, ou nas suas testas,

17 - Para que ninguém possa comprar ou vender, senão aquele que tiver o sinal, ou o nome da besta, ou o número do seu nome."

Segundo Olímpio, "de modo sorrateiro", já há iniciativas em vigor para implantar chips nas pessoas "que pretensamente simulam uma ferramenta de segurança na medida em que possibilitariam a rápida localização de pessoas que estivessem em poder de sequestradores".

Ele, então, faz um alerta:

"O povo brasileiro não se deve iludir com tais artifícios, que escodem uma verdade nua e cruel: há um grupo de pessoas que busca monitorar e rastrear cada passo de cada ser humano, a fim de que uma satânica Nova Ordem Mundial seja implantada".

Em seu projeto, Lucena reforça que essa é uma possibilidade cada vez mais próxima. "É perceptível, com o advento e o avanço da tecnologia, conjugado com a globalização que far-se-á necessária a unificação de dados pessoais dos cidadãos em um único instrumento de identificação pessoal, contidos em microdispositivos eletrônicos", diz Lucena na justificativa da proposta.

Para ele, "sejam nos filmes de ficção científica, seja no cotidiano de países desenvolvidos, esta já é uma realidade da vida humana".

O que transigimos, é que estes microdispositivos não sejam implantados nos corpos das pessoas, afrontando-lhes a intimidade e a privacidade.Deputado Roberto de Lucena

Fim dos tempos

O texto só não foi votado no último dia 5 porque o relator, deputado João Campos, ex-presidente da Bancada Evangélica, faltou a reunião do colegiado.

Campos fez um voto em separado favorável ao implante de chip, mas com ressalvas. A análise do deputado vai além da "Nova Ordem Mundial". Ele pondera que a tecnologia pode ser útil na segurança pública.

"Por termos a mesma crença e convicção religiosa que o ilustres propositores, concordamos com o argumento de que a implantação de chip em seres humanos poderá servir para facilitar e consolidar o sinal da besta, citado no livro de Apocalipse, capitulo 13, versículos 16 e 17, da Bíblia Sagrada, porém, nesta Comissão teremos que analisar a proposta somente sob a ótica da segurança pública e é o que faremos".

Entre os exemplos, o deputado diz que o uso de chips poderia dificultar sequestros. "Pois se a pessoa sequestrada possuir um chip ela será rapidamente localizada facilitando, assim, seu resgate", aponta.

Em um parecer de sete páginas, o deputado sugere a proibição do implante "de chips, fios ópticos e outros produtos similares", ressalvados" os casos que sentença condenatória obrigue e se autorizado pela pessoa ou por seu representante legal."

Entraves

Embora a proposta esteja pronta para ser votada, há o entendimento entre os parlamentares ouvidos pelo HuffPost Brasil que o processo de análise da denúncia contra o presidente Michel Temer vai emperrar as discussões na colegiado.

O projeto de Olímpio estava parado desde novembro do ano passado, mas voltou a tramitar em junho, quando João Campos apresentou o relatório. No dia 29 de junho, foi encerrado o prazo para emendas.

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