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5 livros essenciais para conhecer e compreender Ecléa Bosi e Elvira Vigna

Nesta segunda-feira (10), o Brasil se despediu de dois nomes que construíram sólidas trajetórias em seus devidos espaços ocupados.

10/07/2017 18:40 -03 | Atualizado 10/07/2017 19:08 -03
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5 livros essenciais para conhecer e compreender Ecléa Bosi e Elvira Vigna

Entre o ficcional e o real, algo em comum: o poder de transformação por meio da escuta.

Nesta segunda-feira (10), o Brasil se despediu com a morte de dois nomes que construíram sólidas trajetórias em seus devidos espaços ocupados: Ecléa Bosi e Elvira Vigna.

Ecléa Bosi, psicóloga e professora emérita de psicologia social da Universidade de São Paulo (USP), dedicou-se a pesquisar figuras esquecidas pelos acadêmicos brasileiros: as leituras de operárias e a memória dos idosos, só para citar alguns. Suas narrativas são dotadas do vigor da pesquisa e também da suavidade de uma prosa poética que caminham lado a lado com a proximidade de Bosi em relação ao campo da militância institucional e política. Não à toa ela se dedicou a criação da Universidade Aberta à Terceira Idade, na USP, que, depois de 20 anos, já acolheu mais de 100 mil idosos que tiveram acesso precário à educação ao campus da universidade.

Elvira Vigna foi diagnosticada com um carcinoma micropapilar invasivo desde 2012. Nos últimos cinco anos, segundo nota publicada no Facebook da escritora pela família, a autora fez questão de manter a sua doença na privacidade para que ela não fosse "excluída das atividades profissionais que dependessem de convite". Mesmo convivendo com a doença, ela publicou 4 livros, ilustrou outros 4 e deixou mais 3 obras inéditas. Carioca, Vigna transita entre os grandes nomes da ficção contemporânea brasileira.

Separamos 5 livros que marcaram a trajetória das autoras:

A realidade por Ecléa Bosi

[...] a fala emotiva e fragmentada do nosso memorialista é portadora de significações que nos aproxima da verdade. Nós temos que aprender a amar esse discurso tateante, as suas pausas, as suas franjas, com fios perdidos quase irreparáveis. Bem mais que um documento unilinear, a narrativa da testemunha mostra a complexidade do real. Oferece uma via privilegiada para compreender a articulação dos movimentos da história com a cotidianeidade. É muito belo escutar esse rememorar meditativo da testemunha. E nós então compreendemos que se pode fazer da memória um apoio sólido para a construção do presente e ela se torna para nós uma verdadeira matriz de projetos.Ecléa Bosi

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Memória e sociedade: lembranças de velhos

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Escrito em 1979, este ensaio é considerado definidor na obra de Bosi e para toda a psicologia social. A autora consegue misturar poesia ao rigor da pesquisa científica ao tratar da memória e de suas relações com a vida dos imigrantes e operários da cidade de São Paulo. O ponto de partida são as vozes dos velhos, pessoas acima dos 70 anos que trazem consigo marcas e afetos de outras épocas. São oito entrevistados e é no constante respeito ao outro que Ecléa Bosi se dedica a personagens e representações deixadas para trás.

O Tempo Vivo da Memória: Ensaios vivos da Psicologia Social

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O conjunto de ensaios revisita grandes autores da psicologia social para dialogar com eles sobre memórias. Temas como preconceito, conformismo e rebeldia são abordados com a poesia da escrita da autora. As teorias de Walter Benjamin, Gandhi, Henri Bergson e Simone Weil ganham novas nuances e são atualizadas pela leitura de Bosi numa tentativa de compreender o cotidiano das cidades atuais.

Cultura Popular e Cultura de Massa: Leituras de Operárias

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Ainda na década de 70, Ecléa Bosi fez questão de se dedicar às operárias de São Paulo. Em uma investigação sobre as leituras dessas mulheres, a autora analisa que acesso elas tinham a construção de um imaginário e como o sistema industrial influenciava suas formas de expressão.

A ficção de Elvira Vigna

A pessoa que lê — e que escreve — tem uma possibilidade de entender o outro e de se entender maior do que se não o fizesse.Elvira Vigna

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Como se Estivéssemos em Palimpsesto de Putas

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A mais recente das obras publicadas pela autora, o livro de 2016 foi considerado pela Folha de S. Paulo uma "prosa inquietante" em que a autora alcançou "outro patamar" com sua literatura. Humor e ferocidade caminham lado a lado na narrativa, que conta a história do encontro de dois estranhos durante um verão do Rio de Janeiro em que ele é obrigado a contar a ela seus encontros frequentes com prostitutas. O livro vai além e trata de relacionamentos, jogos de poder, mentiras e o imaginário.

Por Escrito

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O livro é uma história de separação que foge aos estereótipos da mulher frágil e sensível. É também uma história sobre desencontros. Para O Globo, a autora aqui já demonstrava uma carreira consolidada, entre o texto que transita pelo pessoal sem ser confessional, e que neste livro expõe-se a um risco: "mais do que é narrado, importa aqui o ato de escrever. Como fica a vida quando ela é escrita, anotada, reescrita, expondo-se não como fala ou relato, mas como um texto deixado na tela do computador, o eu por escrito."

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