POLÍTICA

Saiba quem votou para arquivar o processo de cassação de Aécio

Senador é alvo de 9 inquéritos no STF. Na delação da JBS, é acusado de pedir R$ 2 milhões em propina.

06/07/2017 11:27 -03 | Atualizado 06/07/2017 14:40 -03
Jefferson Rudy/Agência Senado
Conselho de Ética recusa desarquivar pedido de cassação de Áecio Neves (PSDB-MG).

O Conselho de Ética do Senado Federal recusou nesta quinta-feira (6) o recurso para desarquivar o processo que pede a cassação do senador Aécio Neves (PSDB-MG). Foram 12 votos pelo arquivamento e 4 contra.

O pedido foi arquivado pelo presidente do colegiado, senador João Alberto Souza (PMDB-MA), em junho, por "falta de provas", segundo ele.

Cinco senadores apresentaram um requerimento para que o processo voltasse a tramitar, mas eram necessários pelo menos oito votos dos 15 integrantes titulares para a ação seguir adiante.

Na sessão desta quinta, senadores se revesaram contra e a favor do arquivamento. "A gente pode fechar os olhos para tudo isso, mas o povo vai cobrar", afirmou o senador João Capiberibe (PSB-AP).

Líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR) disse que o arquivamento no Conselho não impede as investigações na Justiça e que "qualquer um pode ser investigado". "Não há nenhum demérito em ser investigado", disse.

Aécio voltou ao Senado nesta terça-feira (4), após o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Marco Aurélio Mello suspender na última sexta-feira (30) o afastamento do parlamentar, fora do mandato desde 18 de maio.

Na decisão, o magistrado afirmou que "o afastamento do exercício do mandato implica esvaziamento irreparável e irreversível da representação democrática conferida pelo voto popular".

Ao retomar o mandato, o senador negou, em plenário, ter cometido crimes e disse que foi alvo de perseguição.

Fui condenado previamente, sem nenhuma chance de defesa; tentaram execrar-me junto à opinião pública. Fui vítima da manipulação de alguns, da má-fé de muitos e, sobretudo, de julgamentos apressados, alguns feitos aqui mesmo, nesta Casa, por alguns poucos que parecem não se preocupar com a preservação dos direitos individuais e com o primado da nossa Constituição.

Em delação premiada, o dono do frigorífico JBS Joesley Batista afirmou à Procuradoria-Geral da República (PGR) que o senador pediu R$ 2 milhões. O dinheiro seria para pagar despesas judiciais.

Segundo a Polícia Federal, parte do valor foi entregue por um executivo da JBS ao primo do senador, Frederico Pacheco de Medeiros, que repassou o dinheiro a Mendherson de Souza Lima, então assessor parlamentar do senador Zezé Perrella (PMDB-MG).

Em 2 de junho, a Procuradoria-geral da República denunciou o parlamentar por corrupção e obstrução à Justiça. Aécio é alvo de outros oito inquéritos no STF.

Confira como votou cada senador do Conselho de Ética:

Pelo arquivamento:
1. Airton sandoval (PMDB-SP)
2. João Alberto Souza (PMDB-MA)
3. Romero Jucá (PMDB-RR)
4. Hélio José (PMDB-DF)
5. Davi Alcolumbre (DEM-AP)
6. Flexa Ribeiro (PSDB-PA)
7. Eduardo Amorim (PSDB-SE)
8. Gladson Cameli (PP-AC)
9. Acir Gurgacz (PDT-RO)
10. Telmário Mota (PTB-RR)
11. Pedro Chaves (PSC-MS)
12. Roberto Rocha (PSB-MA)

Pelo desarquivamento:
1. Lasier Martins (PSD-RS)
2. José Pimentel (PT-CE)
3. João Capiberibe (PSB-AP)
4. Antonio Carlos Valadares (PSB-SE)

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