MULHERES

Caixa Cultural abre mostra de filmes de diretoras negras em Brasília

Filmes retratam resistência dessas mulheres no mercado cinematográfico.

04/07/2017 16:50 -03 | Atualizado 04/07/2017 16:50 -03
Alile Dawa Onawale/Divulgação Caixa Cultural
Mostra na Caixa Cultural, em Brasília, vai até 11 de julho.

Por Andreia Verdélio

De terça-feira (4) até 11 de julho, a Caixa Cultural apresenta a mostra Diretoras Negras no Cinema Brasileiro. As sessões ocorrem no Teatro da Caixa, em Brasília, no Setor Bancário Sul. Serão exibidos 45 filmes, entre longas, médias e curtas-metragens, fazendo uma retrospectiva da produção cinematográfica feita por cineastas negras brasileiras.

A mostra quer destacar a resistência dessas mulheres no mercado, já que não existe nenhum movimento de cineastas negras e cada uma trabalha suas próprias questões. Entre elas, destacam-se Elen Linth e Keyla Serruya (Amazonas), Larissa Fulana de Tal (Rio de Janeiro), Eliciane Nascimento (Brasília) e Renata Martins (São Paulo).

Entre outros temas, os filmes de ficção e documentários que serão exibidos na mostra retratam aspectos do cinema negro brasileiro, o lugar da mulher negra na sociedade, a cura e o fortalecimento feminino, a luta das empregadas domésticas, a representação racial no universo infantil e a luta por moradia da América Latina.

A programação ainda traz dois debates abertos ao público: um sobre as perspectivas e transformações da mulher negra no cinema nacional, e outro sobre o percurso das diretoras negras no cinema brasileiro.

A mostra também terá uma sessão com audiodescrição e closed captions para pessoas com necessidades especiais. O filme Leva será exibido no domingo (9), às 17h30.

O filme Amor Maldito, da pioneira Adélia Sampaio, será exibido em duas sessões. A cineasta começou no cinema em 1969 aprendendo tudo na prática, como diretora de produção de diversos longas-metragens. Dirigiu vários curtas e, em 1984, tornou-se a primeira diretora afrodescendente a dirigir um longa-metragem no Brasil -- justamente o Amor Maldito.

"A ousadia do filme forçou Adélia Sampaio e sua equipe a trabalharem em regime de cooperativa. As salas de cinema [outras] não aceitaram exibir o filme, que foi proposto ser divulgado como filme pornô", informou a Caixa Cultural.

A programação da mostra está disponível no site da Caixa Cultural e na página da mostra no Facebook.. A entrada é gratuita, limitada à lotação do teatro.

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