POLÍTICA

Sexto ministro de Temer a cair, Geddel Vieira Lima é preso na Bahia

De acordo com o Ministério Público Federal, o ex-ministro tentou impedir que o doleiro Lúcio Funaro fechasse acordo de delação premiada.

03/07/2017 17:12 -03 | Atualizado 03/07/2017 17:24 -03
Ueslei Marcelino / Reuters
Geddel Vieira Lima comandou a Secretaria-Geral do governo do presidente Michel Temer.

O ex-ministro da Secretaria-Geral do governo Michel Temer Geddel Vieira Lima foi preso preventivamente nesta segunda-feira (4) na Bahia. De acordo com nota do Ministério Público Federal, o ex-ministro atuava para atrapalhar as investigações da Justiça.

A prisão atende a um pedido da Polícia Federal e da Força-Tarefa Greenfield – que também é responsável pelas operações Sépsis e Cui Bono -e se sustenta nos depoimentos do doleiro Lúcio Bolonha Funaro, do empresário Joesley Batista e do diretor jurídico do grupo J&F, Francisco de Assis e Silva.

De acordo com as investigações, Geddel atuava "no sentido de assegurar que ambos recebam vantagens indevidas, além de 'monitorar' o comportamento do doleiro para constrangê-lo a não fechar o acordo". Entre os documentos apresentados à Justiça estão mensagens enviadas entre os meses de maio e junho por Geddel à esposa de Lúcio Funaro, com intuito de descobrir se ele estava negociando acordo de delação.

Segundo o MPF, para provar, tanto a existência desses contatos quanto a afirmação de que a iniciativa partiu do político, Funaro entregou à polícia cópias de diversas telas do aplicativo. Em nota, o MPF acrescenta que "para os investigadores, os novos elementos deixam claro que Geddel continua agindo para obstruir a apuração dos crimes e ainda reforçam o perfil de alguém que reitera na prática criminosa".

Medida cautelar

Em nota, o MPF diz que ela é "medida cautelar de proteção da ordem pública e da ordem econômica contra novos crimes em série que possam ser executados pelo investigado".

Além de Geddel, estão presos na mesma operação o ex-ministro Henrique Eduardo Alves, o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha, o doleiro Lúcio Funaro e André Luiz de Souza. Cunha, Alvez e Funaro também são réus no processo que apura pagamento de propina na liberação de recursos do FI-FGTS para a construção do Porto Maravilha, no Rio de Janeiro.

No último dia 12, Geddel já tinha colocado o passaporte e o sigilo bancário à disposição do ministro Edson Fachin, relator da Operação Lava Jato no Supremo Tribunal Federal, para evitar prisão. Na ocasião, a defesa do político ressaltou que ele vinha colaborando com a Justiça.

Operação Cui Bono

Nota do MPF explica que a Cui Bono, deflagrada em 13 de janeiro, apura irregularidades cometidas na vice-presidência de Pessoa Jurídica da Caixa Econômica Federal, no período em que foi comandada pelo político baiano:

"A investigação teve origem na análise de conversas registradas em um aparelho de telefone celular apreendido na casa do então deputado Eduardo Cunha. O teor das mensagens indicam que Cunha e Geddel atuavam para garantir a liberação de recursos por vários setores da CEF a empresas que, após o recebimento, pagavam vantagens indevidas aos dois e a outros integrantes do esquema, entre eles Fábio Cleto.

Cleto, que ocupou por indicação de Eduardo Cunha a vice-presidência de Fundos de Governo e Loterias, foi quem forneceu as primeiras informações aos investigadores. Em meados do ano passado, ele fechou acordo de colaboração premiada com a Procuradoria Geral da República (PGR).

Em conversas datadas de 2012, por exemplo, os envolvidos revelam detalhes de como agiram para viabilizar a liberação de recursos para sete empresas e um partido político. Entre os beneficiados do esquema ilícito aparecem companhias controladas pela holding J&F, cujos acionistas firmaram recentemente acordo com o MPF.

O aprofundamento dos indícios descobertos com a análise do conteúdo armazenado no aparelho telefônico apreendido permitiu aos investigadores constatarem intensa e efetiva participação de Geddel Vieira Lima no esquema criminoso. Além da prisão preventiva, a Justiça acatou os pedidos de quebra de sigilos fiscal, postal, bancário e telemático do ex-ministro".

Sexto ministro a cair

Dos sete ministros de Temer que já caíram, Geddel foi o sexto. Ele pediu demissão depois que o ex-ministro da Cultura, Marcelo Calero, denunciou que Geddel o pressionou para liberar a obra irregular de um prédio em Salvador. Ele deixou o governo, seis meses depois de Temer assumir o comando do Palácio do Planalto.

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