ENTRETENIMENTO

'I Love Dick' e o poder revolucionário de uma sala de roteiristas sem homens cisgêneros

Jill Soloway e Sarah Gubbins falam do que acontece quando mulheres escrevem... papéis de e para mulheres.

03/07/2017 16:40 -03 | Atualizado 03/07/2017 16:40 -03
Sarah Gubbins (esquerda) e Jill Soloway assistem à première de “I Love Dick”, da Amazon, no cinema Linwood Dunn em Los Angeles, Califórnia, 20 de abril de 2017.
Sarah Gubbins (esquerda) e Jill Soloway assistem à première de “I Love Dick”, da Amazon, no cinema Linwood Dunn em Los Angeles, Califórnia, 20 de abril de 2017.

Jill Soloway sabe fazer televisão de altíssima qualidade. Isso já foi comprovado. Para ela, porém, fazer TV não se resume a criar algo que receba elogios da crítica ---trata-se de mudar o mundo.

"Para mim, pensar que meu seriado de TV vai mudar o mundo é uma das principais razões que me levam a querer fazer o seriado", disse Soloway, que prefere ser tratada pelo pronome "they" ("eles" ou "elas"), que em inglês não carrega uma conotação de gênero.

É aí que entra I Love Dick (Eu amo pênis, em tradução livre para o português).

O seriado da Amazon criado por Soloway e Sarah Gubbins é baseado no romance feminista e semi-autobiográfico de Chris Kraus que ostenta o mesmo título. A história gira em torno de Chris, representada pela incrível Kathryn Hahn. Quando ela e seu marido Sylvere (Griffin Dunne), estudioso do Holocausto, chegam a Marfa, Texas, Chris fica obcecada por Dick (Kevin Bacon), o personagem titular. Dick se torna o objeto de seu desejo sexual imenso e acaba virando também seu "muso" artístico. É uma troca de papéis – o homem como objeto e fonte de inspiração, a mulher como sujeita e criadora – que parece simples, mas transmite uma impressão maravilhosamente radical.

Boa parte do que faz I Love Dick ser tão especial é a especificidade do diálogo e das histórias. São coisas que seria difícil separar das roteiristas da série.

A sala dos roteiristas da série foi composta inteiramente por mulheres e pessoas de gênero "não conformativo". Em 2017, apesar de alguns avanços, Hollywood ainda é predominantemente branca, heterossexual e masculina. E, com frequência, a falta de diversidade que vemos na tela tem sua origem nas pessoas que estão por trás da tela: os roteiristas, produtores e diretores.

I Love Dick gira em torno das personagens femininas (se bem que os personagens masculinos, heterossexuais e cisgêneros também sejam alguns dos mais complexos e interessantes que eu já vi na televisão). Como disse Priscilla Frank, do HuffPost:

"I Love Dick é uma mistura triunfal de arte e vida, uma 'revolução matriarcal', um grito de guerra para qualquer mulher que já tenha tido o anseio de produzir alguma coisa de valor, mas ao mesmo tempo só sabe se criticar".

Amazon
Lily Mojekwu (Paula), Kathryn Hahn (Chris) and Roberta Colindrez (Devon). 

Em um momento político em que se tem a impressão de que tudo está em jogo, é fácil descartar a cultura pop, tachando-a de frivolidade – algo que consumimos para desviar nossa atenção do mundo externo, e não para impactar esse mundo. Mas, e se se a televisão não for apenas uma válvula de escape? No que ela tem de melhor, a cultura pop nos permite, até mesmo nos obriga a, retrabalhar e ampliar nossas noções do que é normal. Ela nos permite praticar a empatia radical sem sequer nos darmos conta disso.

O HuffPost conversou com Jill Soloway e a co-criadora de da série, Sarah Gubbins, sobre a criação da série e sobre a revolução sutil que se dá quando mulheres e pessoas de gênero não conformativo apresentam suas próprias narrativas na tela.

HuffPost: Vocês começaram a criar I Love Dick já sabendo que queriam uma sala de roteiristas com apenas mulheres e pessoas de gênero não conformativo?

Jill Soloway: Quando procuramos roteiristas transgêneros para trabalhar em "Transparent", descobri que eu não podia dizer diretamente "quero contratar um roteirista trans". Eu tinha que dizer coisas como "eu gostaria de contratar alguém que tenha muita familiaridade com a experiência trans". Então acho que, neste caso, eu diria que queríamos contratar pessoas familiarizadas com as experiências vividas por Chris Kraus. E fomos descobrir que, das pessoas com quem conversamos, as que tinham mais chances de escrever sobre isso da maneira mais destemida, bombástica e vulnerável eram todas mulheres e pessoas de gênero não conformativo.

Os homens cis crescem supondo que o mundo é feito para eles e que eles são os sujeitos. Quando você começa a mudar essa situação e converte as mulheres em sujeitos, os homens ficam incomodados.

Sarah Gubbins: Não dissemos "quando formos montar a sala de roteiristas, vamos garantir que seja integrada apenas por mulheres". Quando Jill e eu estávamos falando do tipo de roteiristas que buscávamos, pessoas de cujo trabalho a gente gostava e que achávamos que teriam muito que contribuir para a série, a lista era formada por muitas mulheres. Em dado momento, olhamos para isso e pensamos "sabe, acho melhor termos um grupo de roteiristas formado só por mulheres e pessoas de gênero não conformativo".

O que emergiu mais tarde, quando discutimos o tipo de série que estávamos criando e nossas esperanças para a temporada, entendemos que íamos levar em conta o modo como Chris Kraus, a autora, baseou a personagem de Chris Kraus tão intensamente em sua própria biografia. Percebemos que faríamos isso, imbuindo a série de nossas próprias histórias, nossas vivências e nossos pontos de vista, no que dizia respeito a nossos gêneros. Simplesmente fazia sentido. Foi algo mais sutil, não foi simplesmente o caso de termos dito "só queremos mulheres".

O que vocês têm a dizer às pessoas que consideram "injusto" ou "discriminatório" ter uma sala de roteiristas sem homens cisgêneros?

Soloway: A primeira reação de muita gente contém uma falsa equivalência. Elas dizem "isso não é discriminação?" Acho que é preciso realmente entender e contestar esse argumento. É preciso perguntar: "O que estamos fazendo quando criamos espaços que são compostos apenas por isso ou aquilo?" Acho que muitas mulheres sentem, no caso, que se trata da criação de um espaço seguro. Quando falo em espaço seguro não quero dizer "aqui ninguém vai ofender minhas sensibilidades", porque falou-se muita baixaria na sala de roteiristas. E não quer dizer que as mulheres estivessem a salvo de ser atingidas, porque muitas coisas foram ditas que foram muito dolorosas de se ouvir e dizer.

Então, falando em falsas equivalências. Seria o caso de falsa equivalência se alguém dissesse a Donald Glover [que montou a sala de roteiristas do seriado "Atlanta", formada exclusivamente por negros]: "Tudo bem se eu tiver uma sala só com roteiristas homens e brancos?" Você teria que dizer "não", porque sempre houve salas de roteiristas formadas exclusivamente por homens brancos. Então farei uma última comparação. Se alguém dissesse a Donald Glover: "Vocês precisam de pelo menos um homem branco na sala de roteiristas de 'Atlanta'. Vocês precisam de pelo menos um lá dentro para se certificar de que o conteúdo da série é três pontinhos, ponto de interrogação". Para se certificar de que o conteúdo é o quê? Aprovado por pessoas brancas? Que faz sentido para pessoas brancas? Não faria sentido nenhum dizer isso. Seria uma exigência totalmente sem cabimento. É a mesma coisa no caso das mulheres.

Houve conversas que você acha que não teriam acontecido se houvesse homens cis na sala de roteiristas?

Soloway: Acho que muitas mulheres cresceram ouvindo a recomendação subconsciente: "Tome cuidado. Pense bem no que você vai dizer. Esconda um pouco o que você está fazendo. Massageie um pouco a pessoa que você é, para que os homens fiquem mais à vontade."

Quando você não tem essa perspectiva masculina presente no ambiente, o que acontece é que as mulheres começam a relaxar e baixar a guarda. Elas abrem mão daquele discernimento que lhes diz: "Espere um pouco. Não faça tal coisa, não é bonito." Ou "não faça aquela outra coisa, porque vai ficar parecendo que você é piriguete". Ou "não faça aquilo, fica parecendo que você é muito carente".

Acho que, para as mulheres na sala de roteiristas, foi um alívio não sentir que estavam sendo contidas por um homem ou vários homens, que estariam ali para representar um ambiente dito "normal". Acho que estávamos querendo mudar o sentido de normalidade. E muitas das mulheres presentes na sala de roteiristas já tinham estado em outras salas de roteiristas onde tinham sido a única mulher presente.

Os homens cis crescem supondo que o mundo é feito para eles e que eles são os sujeitos. Quando você modifica essa situação e converte as mulheres em sujeitos, os homens se sentem incomodados.

Gubbins: Há um trecho no livro que diz: "O que as mulheres dizem umas às outras é a coisa mais interessante que rola no momento". Acho que há homens cis muito conscientes, descolados, que até poderiam participar dessas conversas, abrir espaço nelas, ser observadores e não autores ativos. Mas foi mais fácil fazer sem termos que negociar aquilo.

Os atores India Menuez, Griffin Dunne, Kathryn Hahn, Roberta Colindrez, a roteirista e produtora Sarah Gubbins, a diretora Jill Soloway, os atores Kevin Bacon e Lily Mojekwu do seriado

Muita coisa já foi escrita sobre como I Love Dick abraça o chamado "olhar feminino". Vocês podem comentar o que buscar o olhar feminino significou para vocês, em termos de como o seriado foi feito?

Soloway: Acho que minha compreensão do binário está mudando, e me parece um pouco redutivo falar apenas que o olhar feminino é o oposto do olhar masculino. Sabemos que "olhar masculino" significa mais do que apenas uma foto de uma mulher de biquíni. E sabemos que "olhar feminino" não se limita ao traseiro de Kevin Bacon quando ele mergulha na água. Penso no olhar feminino como uma ferramenta que utilizo ao filmar.

Veja um exemplo perfeito do que é o olhar feminino. Sabe aquela cena em que Toby (acadêmica e artista que estuda em Marfa) estava sentada no meio de todos aqueles homens? [Nota da editora: o episódio mostra Toby transmitindo vídeo dela mesma em livre-streaming, deitada nua no meio de um acampamento de petroleiros.] Jim Frohna, que é homem, filmou a cena e fez um ótimo trabalho. Mas, quando assisti, percebi que estava faltando alguma coisa. Então voltamos lá e filmamos mais um pouco. Dessa vez, ele tirou as calças e ficou sentado de cueca no meio do círculo, enquanto filmava. Ele meio que tornou-se Toby. Ele quis registrar a sensação de ser ela, em vez de olhar para ela. Foi incrível.

Gubbins: Cada passo do caminho da criação da série foi uma investigação do significado de se tentar concretizar o olhar feminino. Acho que isso quer dizer o modo como realmente fizemos a série, como a filmamos. O set montado por Soloway é um set tremendamente inclusivo e onde não há pressa. As pessoas não se preocupam com o tempo. Elas procuram apenas se conservar o mais emocionalmente honestas e presentes possível. Essas intenções e princípios formam as diretrizes da série.

Acho que não existe uma definição única e simples do que é o olhar feminino, não dá para se dizer "é assim que se faz uma série de televisão filmada com o olhar feminino". Acho que é uma questão de intenção, de processo, de deliberação. Para mim, foi uma questão de dar voz e poder de decisão a Chris Kraus. Isso significava que ela não seria contida em um retrato apenas, que ela seria complicada e, às vezes, frustrantemente abjeta. Ela não precisava ser um ideal para nós. Isso faz parte da ampliação da ideia da protagonista.

O episódio 5, "A Short History of Weird Girls" , que mostra quatro personagens femininas ― Chris, Toby, Devon e Paula ― falando diretamente para a câmera sobre sua sexualidade e suas histórias sexuais, foi uma revelação para mim. Senti realmente que nunca antes havia visto nada assim. Você pode falar um pouco desse episódio?

Soloway: Queríamos ficar realmente granulares, dando nomes aos nossos momentos de testemunhar nosso eu mais jovem e como entramos em contato com a ideia da vergonha sexual. E acho que, naquela sala apenas com mulheres, nos sentimos compelidas a dizer toda a verdade e nada mais que a verdade. Porque não estávamos tentando disfarçar um pouco, como fazemos quando há um homem cis por perto.

Gubbins: Começamos pelo livro e nossas reações ao livro. Quando você pesquisa o livro, começa a refletir sobre a história de desejo e vergonha de Chris, a vergonha que ela sentia de sua sexualidade, e sobre sua heterossexualidade – o fato de ela ser feminista, mas também ser tão abjeta em sua obsessão. Isso nos levou a falar de nossas próprias histórias pessoais, fazendo-nos voltar atrás até a infância, até o momento em que primeiro entendemos que éramos seres sexuados, em sermos sexualizadas e como nos relacionamos com isso.

Lembro que Annie Baker e Heidi Schreck [que escreveram o episódio] passaram um fim de semana assistindo a filmes experimentais de diretoras feministas. Pensamos realmente em dar voz a todas as mulheres ou às principais personagens femininas da série, do mesmo modo como nós estávamos compartilhando aquelas conversas sobre nós mesmas, nossas mães, irmãs, amigas. Foi assim que o episódio nasceu.

Por que, em sua opinião, ainda existe em 2017 algo de chocante em ver os desejos das mulheres expostos para quem quiser ver?

Gubbins: Porque não enxergamos o desejo feminino. Pense nos modos em que estamos acostumados a ver a violência, ou estamos acostumados a ver corpos femininos hiperssexualizados ou corpos femininos inteligentes assexualizados. Temos uma tradição e um longo histórico de bifurcação de nossa protagonista mulher. Isso é parte do que nossa sociedade faz com as mulheres.

Mesmo hoje, passados 40 anos do julgamento do processo Roe vs Wade, parece que ainda não deixamos as mulheres ter o controle completo de seus corpos. Não estou assumindo uma posição política aqui, estou apenas dizendo que essa é a nossa cultura. Temos um vice-presidente que se nega a ir a um jantar em que haja uma mulher, por temer que isso possa de alguma maneira ser inapropriado para seu casamento. Essa é uma das pessoas que lidera nosso governo. Portanto, ainda há espaço para esse tipo de bifurcação. Então, quando a cultura popular reflete o que está acontecendo em nosso clima político atual, acho que é porque ainda não escapamos dessa situação.

[As mulheres] têm sede de ser vistas. É um desejo humano fundamental.

Soloway: ["I Love Dick"] veio para corrigir o modo como tantas mulheres jovens enxergam o corpo feminino e o sexo. Na visão delas, é algo mais ou menos como "meu corpo precisa ser perfeito. Preciso chupar minha barriga para dentro. Preciso fazer os ruídos certos. Preciso fazer as caras e bocas certas." Esse tipo de ideia sobre o que é o sexo penetra em nós quando somos adolescentes. Na verdade, isso significa que nos vivenciamos como o objeto quando estamos fazendo sexo.

Essas coisas não são superadas facilmente. Elas permanecem conosco quando temos 20 e poucos anos, quando estamos com 30 e poucos anos. Se você é mulher na América, parece que sempre tem que se vivenciar através do olhar de outros. Foi com essa ideia que todas nós crescemos: sexy é isto daqui, esta garota da "Playboy". E existe um outro tipo de sexo que outras pessoas talvez façam; não sei como é, mas é nojento. Não é sexy, é asqueroso. Tudo que não for uma garota linda é asqueroso.

Então às vezes são essas coisas pequenas. Fico pensando em como teria sido para mim se, quando eu tinha 19 ou 20 anos e estava na faculdade, eu tivesse visto o tipo de sexualidade que é mostrada em "Dick", não apenas na televisão, mas na televisão e acompanhada de um carimbo dizendo "este é um programa de televisão comum. Estas são pessoas comuns. Não há nada de bizarro nisso."

Amazon
India Menuez (Toby) and Roberta Colindrez (Devon). 

Que poder os programas de TV possuem para ampliar ou limitar nossas ideias do que é possível e aceitável?

Gubbins: A cultura pop permite ao espectador entrar, exercitar sua imaginação e ter uma experiência empática, quer seja através do humor ou do drama. É isso o que fazemos quando consumimos cultura pop. Temos uma troca empática. Quando possibilitamos às pessoas assistir a uma dinâmica de gênero muito controlada em sua inteireza, acho que isso lhes permite modificar suas percepções. O espectador se engaja com os personagens.

Acho que a televisão tem o poder de desmistificar coisas que parecem ser assustadoras ou que são mal compreendidas. Estou pensando em como a cultura gay evoluiu e como nossa representação da cultura LGBT na televisão permitiu algum tipo de aceitação ou normalidade, aceitação essa que se deu mais rapidamente do que teria sido possível unicamente com leis. Essa é uma visão muito positiva, mas acho que esse é o poder de se contar histórias. Temos essa possibilidade enorme de divertir as pessoas, de fazê-las dar risada e fazê-las sentir coisas que elas não esperavam sentir. Temos a chance de fazer isso, e temos a chance de fazê-lo em uma série onde temos a oportunidade de representar quem somos. Acho que as pessoas, especialmente as mulheres, estão sedentas por isso. Elas têm sede de ser vistas. É um desejo humano fundamental.

Soloway: Há muitos programas de TV que constituem sugestões hipnóticas sobre como as mulheres e as meninas agem. Essas são as coisas que me deixam furiosa. Fico pensando em crescer assistindo a The Love Boat e vendo como duas mulheres super sexies ficariam disputando um homem atraente. Às vezes fico tão furiosa quando penso no roteirista daquele programa escrevendo sua própria propaganda de como ele gostaria que o mundo fosse para ele.

Esse tipo de roteiro é uma propaganda do roteirista. Mais do que nunca, com Transparent e Dick, sei que estou escrevendo uma realidade. Estou escrevendo uma realidade na qual quero viver. Os homens vêm fazendo isso conosco desde sempre. E um dia você toma consciência disso, sabe? E você se dá conta de que mesmo alguma coisa que possa ser uma proposta séria e criativa de outro homem branco, heterossexual e cis na realidade também é propaganda.

A solução seria simplesmente ter uma variedade maior de pessoas criando aquela "propaganda"?

Soloway: Acho que só precisamos colocar as ferramentas nas mãos de outras pessoas – nas mãos de mulheres, nas mãos de pessoas de cor, nas mãos de pessoas LGBT – e começar a compartilhar um pouco a riqueza. Contar histórias realmente cria empatia. De verdade. Eu mesma sou beneficiária disso. Penso no momento em que meu pai saiu do armário para mim, pelo telefone, e nos primeiros momentos e dias meu sentimento foi de medo. Me lembro de ter pensado: "Como vou contar a meus amigos sobre isso? Como vou contar a meus sogros? Como vou contar a meus filhos?"

E então agora, quatro anos mais tarde, penso no que Transparent conseguiu fazer, partindo apenas daquele sentimento de querer criar um lugar seguro para eu viver. Para meu pai viver. Para minha família viver. De querer fazer com que ficasse tudo bem. E realmente fez com que ficasse tudo bem. Essa é a parte maluca: realmente funcionou.

Esta entrevista foi resumida e editada para possibilitar maior clareza.

*Este texto foi originalmente publicado no HuffPost US e traduzido do inglês.

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